A infraestrutura logística tem ocupado o centro dos debates há alguns anos no Brasil. Apontada como um dos principais gargalos que impedem um maior crescimento do País, o setor carece de investimentos e melhorias. O assunto, dada à sua relevância à Região Norte do Paraná, foi abordado durante a segunda edição dos "EncontrosFolha", realizado mês passado. E, nessa ocasião, o diagnóstico foi claro: a região, após o rápido crescimento impulsionado pela cultura cafeeira, acabou isolada. O motivo é óbvio para quem vive aqui: rodovias de pistas simples aliada à terceira maior tarifa de pedágio do Brasil.
No entanto, a situação paranaense e mesmo a regional não é muito ruim se comparada a outras regiões do País. No total, são apenas 12% de rodovias pavimentadas e, destas, 62,1% ainda apresentam algum tipo de problema.
Além disso, os pontos críticos na malha rodoviária aumentaram 32% nos últimos quatro anos. Outro dado importante é que 44,7% da malha pavimentada apresentam desgastes e 19,1% têm trincas e remendos. Em outros 3,3% existem afundamentos, ondulações e buracos, enquanto em 0,5% a pista está simplesmente destruída. Somente 32,4% estavam em condições perfeitas de rodagem.
Estradas e rodovias mal conservadas encarecem o custo da viagem e do frete rodoviário, geram acidentes, deixam pessoas feridas e provocam mortes. Em um país de grandes dimensões territoriais, em que a maioria do transporte de cargas é feita via modal rodoviário, parece totalmente sem sentido que as estradas estejam em condições tão precárias. Se o resultado constatado hoje é consequência de anos de falta de investimento, é preciso que a sociedade cobre com mais efetividade. É importante que sejam direcionados investimentos significativos ao setor. É uma necessidade que não pode continuar sendo adiada indefinidamente.
Além disso, se o pedágio é uma situação consolidada, é preciso que se busquem alternativas mais vantajosas aos usuários. O atual modelo ou as parcerias público-privadas parecem um caminho sem volta, mas é preciso que as tarifas sejam discutidas com a sociedade e que os contratos sejam mais transparentes.

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