O aumento da circulação de cargas indivisíveis pelas rodovias da Região Metropolitana de Londrina revela uma mudança relevante na função logística da região. Trechos como a PR-090 e a BR-369 passaram a integrar corredores estratégicos para equipamentos industriais de grande porte.

Essas cargas atendem principalmente setores como papel e celulose, mineração, petroquímica e energia. Parte dos equipamentos é produzida por empresas paranaenses de calderaria pesada; outra parte chega pelo Porto de Paranaguá. Em ambos os casos, a região passa a ocupar posição importante em uma cadeia produtiva de alto valor agregado.

A operação, porém, expõe gargalos conhecidos. Rodovias de pista simples, travessias urbanas, passarelas, fiação, muretas e estruturas de pedágio eletrônico podem limitar ou encarecer o transporte. O caso do pórtico de free flow na BR-369 mostra que obras viárias precisam considerar não apenas o fluxo cotidiano de veículos, mas também demandas especiais da economia produtiva.

O problema está na falta de integração entre planejamento rodoviário, concessões, indústria e logística. Quando essa articulação falha, o custo aparece na forma de atrasos, desvios, perda de eficiência e menor competitividade.

A calderaria pesada exige planejamento, mão de obra qualificada e cumprimento rigoroso de prazos. Para competir com fornecedores internacionais, empresas paranaenses dependem também de infraestrutura compatível com o porte da produção que realizam.

A presença mais frequente desses comboios na região de Londrina é sinal de atividade industrial relevante. E indica que a região precisa tratar infraestrutura como política econômica. Sem corredores adequados, a produtividade conquistada dentro das fábricas se perde no caminho.

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