Informe Folha (Mari Tortato)
Inocente útil
Um deputado perdido em Curitiba no último dia do feriadão que na Capital foi até ontem garantia que Valdir Rossoni vai acabar se rendendo aos apelos de Lerner e manter a função de líder do governador na Assembléia Legislativa. Durante o descanso, Rossoni tem trocado confidências com seu colega mais próximo, Ademar Traiano, um dos incentivadores da manutenção da frustrada candidatura à presidência da Assembléia, semana passada. O mesmo deputado garante que Rossoni não tinha conhecimento das ameaças que três ou quatro deputados não tão alinhados disparavam pelos telefones a secretários da área política visando impedir a ação do governo para fazer de Nelson Justus o presidente. O Palácio Iguaçu estaria considerando Rossoni como vítima desse bombardeio. Daí a insistência do governador em mantê-lo do seu lado.
Plugados
Os deputados estaduais de Cascavel abusam do rádio para chegar junto ao eleitorado. Tiago de Amorim Novaes (PPB) apresenta programa há muito tempo, profissionalmente. Edgar Bueno (PDT) ganhou o seu há dois anos e, no sábado, Toninho Barater (PSDB) também estreou o seu. Só falta agora o do deputado federal Hermes Frangão Parcianello (PMDB).
Imprevidência
Postos de saúde de Cascavel aproveitaram ao máximo o feriadão: só voltaram a atender ontem. Foi o maior fuzuê no Hospital Regional mantido pelo Estado para onde correu a população carente, em busca de atendimento, principalmente consultas, apesar de não ser sua finalidade. A prefeitura alegou falta de tempo para organizar plantões porque o feriado teria sido decidido em cima da hora pelo prefeito Salazar Barreiros (PPB).
Economia
O chefe de gabinete da Prefeitura de Porto União (SC), Roberto Caon, garante: o município gastou R$ 9,7 mil para recuperar uma estrada de dez quilômetros, enquanto o governo de Santa Catarina investiu R$ 54 mil para recuperar uma estrada de sete quilômetros. Fizemos com modéstia, classificou Caon, que mora na cidade onde nasceu Aníbal Khury.
Sem vontade
Hélio Duque (PSDB) contestou ontem que tenha interesse de integrar o Conselho de Administração da Petrobras, onde fez carreira de 37 anos de economista. O presidente Fernando Henrique me fez o convite há muito tempo, mas ficou em suspenso. Se voltasse a convidar eu acataria, mas não está nos meus planos e nem é minha reivindicação, garante o ex-deputado.
Perguntinha
A secretária da Educação, Alcyone Saliba, e o procurador de Justiça Olympio Sotto Maior não acham que é o caso de aplicar o Estatuto da Criança e do Adolescente contra a direção da Escola Estadual do Bairro Pacaembu, de Cascavel, que impediu o garoto Marcos Antonio Garcia da Fonseca, de 12 anos, de desfilar no Dia da Pátria por ele não estar bem vestido?
Lupa
Rafael Greca pediu à Polícia Federal que quer uma investigação em seu Ministério dos Esportes, na área que trata de liberações de bingos. Os assessores mais próximos acham que a hora é de conhecer a fundo com que tipo de interesses o ministro pode estar lidando internamente.
Veneno
Álvaro Dias (PSDB) não perdeu a chance de espinafrar o presidente Fernando Henrique. Ontem, disse que FHC deveria se pronunciar sobre as denúncias envolvendo o ministro Rafael Greca. Já que o presidente não tomou a iniciativa, é bom que a oposição tome, argumentou, referindo-se à convocação de Greca ao Senado, pedida por Eduardo Suplicy (PT-SP) e Jefferson Peres (PDT-PA).
Amigo
O presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, não só gostou da indicação do paulista Alcides Tápias para o Ministério do Desenvolvimento, como também acha que ele será amigo do Paraná.
Habilidade
Ao contrário de Álvaro, que defendeu a extinção do ministério que será ocupado por Tápias sob o argumento de que a pasta perde força junto ao Ministério da Fazenda, o vice-líder do governo na Câmara Luiz Carlos Hauly (PSDB) acha que dá para trabalhar. Em qualquer cargo, basta ter habilidade, receita.
Desarmonia
O que Hauly não suportou foi o fato de a escolha do nome ter recaído sobre um paulista, o que ele considera indefensável. E quando o vice-líder de FHC diz estar cheio de apagar incêndios dentro da base aliada (Folha de ontem), entra em desarmonia com o discurso de 7 de Setembro, do presidente. Não vamos mudar o Brasil se ficarmos o tempo todo nos dividindo, brigando por coisas menores, não respeitando a vontade do outro, apelou FHC.
Esgotamento
Curioso é que até os líderes estão às turras com os respectivos governos que representam. Em meio à disputa pela presidência da Assembléia Legislativa, semana passada, foi o líder de Lerner, Valdir Rossoni, quem fez um desabafo daqueles: Imagine como estou me sentindo depois de carregar tantas pedras deste governo, como líder, extravasava.
Revival
A festa da Independência em Londrina, que reuniu mais de 50 mil pessoas no Estádio do Café, foi a maior do Paraná, com desfile, show pirotécnico e pagode. O público, enquanto assistia o desfile e aguardava o grupo Molejo, acabou brindado com fundo musical que incluiu até a famosa canção de Geraldo Vandré, ela mesma: Prá não dizer que não falei das flores.
Vapt-Vupt
Um forte motivo para Euclides Scalco resistir aos sucessivos convites de FHC para assumir a coordenação política de seu governo era o fato de ele, Scalco, ter de se subordinar ao ministro chefe da Casa Civil à época, Clóvis Carvalho. Agora, com Carvalho longe do governo, o diretor-geral da Itaipu vai sacar outros motivos se voltar a ser chamado.
O retorno do feriadão esticado em Curitiba foi preguiçoso ontem, sinalizando que muita autoridade e servidor público vão mesmo é enforcar a quinta e a sexta-feira e só dar as caras na segunda-feira.
9 do 9 de 1999: há quem profetize que o acúmulo de tantos nove provoca hoje a primeira onda do bug do milênio nos computadores do mundo inteiro.
De Curitiba, com redação e sucursais





