Fim do jejum
Depois de quase 10 anos sem disputa, a Assembléia Legislativa escolhe hoje novo presidente num bate-chapa. Nelson Justus e Valdir Rossoni, ambos do PTB, se engalfinham pela cadeira de Aníbal Khury (PFL) e pelo menos até ontem à noite não sinalizavam qualquer intenção de abrir mão de seus projetos. A última disputa de envergadura ocorrida no Poder Legislativo foi registrada em 1990, no início do governo do hoje senador Roberto Requião (PMDB). Aníbal Khury e Caíto Quintana (PMDB) concorreram ao cargo numa eleição acirradíssima. No primeiro turno de votação, 27 votos contra 27. No segundo, 28 contra 26, em favor de Aníbal Khury. Assim como em tantas, a disputa de logo mais reserva suas surpresas. Justus e Rossoni garantem que têm maioria. A oposição define somente hoje, horas antes da eleição marcada para às 14h30, para que lado vai pender.



Jogando a toalha
Durou menos de 24 horas o delírio de Cleiton Kielse (PFL) de ser o sucessor de Aníbal Khury na presidência da Assembléia. O deputado refletiu melhor, viu que não tem a mínima chance – nem com o empenho do pai Quielse Crisóstomo no TC – e anunciou ontem seu apoio à candidatura de Valdir Rossoni (PTB).
Negócios
A indústria paulista de laticínios Vigor manifestou a intenção de instalar uma unidade de recebimento de leite no Paraná. A intenção da indústria é comprar o controle acionário de algum laticínio já instalado no Estado, em vez de montar nova estrutura.
No circuito
O Secretário da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, e o ex-governador José Richa (sem partido) passaram o dia de ontem em São Paulo, onde mantiveram contato com diretores da Vigor, para saber mais detalhes da operação.
Atraso
O vice-presidente do Banestado, José Evangelista de Sousa, esperava para agosto o dinheiro que falta para saneamento e consequente privatização do banco. O mês acabou e o Banco Central ainda não liberou os R$ 1,7 bilhão. A diretoria aguarda o repasse final para os próximos dias.
Causa própria
Explicado o empenho de Heinz Herwig em agradar tanto Rossoni quanto Nelson Justus na briga pelo poder. O presidente da Assembléia é peça fundamental na escolha do novo conselheiro do TC, em outubro próximo.
Mais informações
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) deu um intensivo ontem sobre o MST. O petista falou para alunos do curso de especialização de oficiais em controle de tumultos, promovido pela Companhia de Polícia de Choque da PM. Roque tratou, entre outras coisas, das origens do MST e seus objetivos.
Perguntinha
O que a dupla Miltinho Pupio e Hermas Brandão, conhecida em Faxinal, tanto negociava ontem em São Paulo?

Normal
‘‘Se ele estivesse aqui entre nós faria exatamente o mesmo.’’ Do conselheiro e amigo de longa data Rafael Iatauro sobre a ‘guerra’ desencadeada na Assembléia pela cadeira de Aníbal Khury.
Fita
Se o Palácio não recuar na torcida pela vitória de Justus, o ‘Grupo dos 21’ promete jogar pesado hoje. ‘‘Temos um míssil que pode causar grande estrago’’, prometia um parlamentar, referindo-se a uma suposta fita contendo tentativa de suborno em favor de Justus.
Terrorismo
Para o deputado Edgar Bueno (PDT), a ameaça dos aliados de Rossoni não passa de ‘terrorismo’. ‘‘É uma guerra da informação e da contra-informação dos dois grupos. Um quer mostrar que está mais forte que o outro.’
Em separado
Em caso de derrota e renúncia de Justus, os deputados voltam a se reunir nos próximos dias para eleger novo 1º vice-presidente. O Regimento Interno diz que as escolhas têm de ser em separado. Hoje, os deputados elegem apenas o novo presidente. O ‘Grupo dos 21’ está de olho também na vice, se ficar vaga.
Chaminé
Orlando Pessuti (PMDB) tratou de garantir o cigarro em dose dupla nas negociações em torno da sucessão de Khury. Pessuti desfilava ontem pelos corredores da Assembléia e em reuniões com dois maços de cigarro no bolso da camisa.
Nada a declarar
Sincero como sempre, o senador Osmar Dias (PSDB) não participou nem do velório nem do enterro de Aníbal Khury. Também não quis fazer comentários sobre a sua atuação. Segundo Osmar, Aníbal não era seu amigo nem havia afinidade política entre os dois. ‘‘Melhor não falar nada’’, resumiu.
Dissolução
A executiva estadual do PMDB deve aprovar o pedido de dissolução do diretório municipal de Londrina na próxima semana. Alguns filiados haviam defendido a intervenção, mas anteontem entrou um pedido de dissolução. Um dirigente de peso da sigla garantiu ontem que a dissolução será aceita. ‘‘É preciso deixar o partido se reorganizar’’, avaliou. O objetivo é acomodar o grupo do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida, no PMDB há cerca de dois meses.
Casa nova
Divanir Braz Palma deixa o PPB rumo ao PST por divergências com Ricardo Barros (PPB) na região de Maringá. Braz Palma pretendia ingressar no PL, mas trombou antes de assinar ficha com o presidente estadual Edson Praczyk.

Vapt-Vupt
• Paulinho Dalmaz, o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, conversou ontem em Brasília com o diretor geral do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Jurandir Fernandes, sobre segurança nas rodovias. Dalmaz foi para a audiência como presidente da Associação Brasileira de DERs.
• Às 17 horas, foi a vez de Dalmaz manter contato com o comando do DNER. O paranaense tratou com Genésio Bernardino de Souza sobre a pesagem de veículos.
• O TC faz seminário amanhã para discutir os reflexos das reformas administrativa e previdência na vida das prefeituras do interior e novos conceitos que já estão em vigência. O encontro está marcado para ser em Santa Terezinha de Itaipu. Quiélse Crisóstomo confirmou presença.
De Curitiba, com redação e sucursais

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