Folha de pagamento
O governo do Estado vai depositar na noite do dia 31 o pagamento dos 205 mil servidores públicos do Paraná. O dinheiro estará disponível nas agências bancárias apenas no dia 2 de agosto, como informou ontem a Secretaria de Administração. Este é o segundo mês que o governo Lerner põe em prática a nova metodologia de pagamento da folha. Desde então, está acertado que os salários ficam à disposição dos servidores públicos somente no primeiro dia útil de cada mês. Antes, o dinheiro podia ser sacado ou no dia 30 ou 31. O governo voltou a alegar que a mudança no cronograma, em vigor desde junho, é uma questão contábil motivada por alterações de ordem técnica. Longe de ser um atraso por problemas financeiros. Em tempos de recessão, a mudança no cronograma inquietou os servidores em suas repartições públicas. Muitos deles tremeram na base ao ler a circular alertando aos novos prazos.



Em missão
Os secretários Giovani Gionédis, da Fazenda, e José Cid Campêlo Filho, do governo, estão em Brasília desde ontem. A missão foi tratada como segredo de Estado. Nos bastidores do próprio governo, uma revelação óbvia: Gionédis e Campêlo estão atrás de dinheiro do governo federal para tirar o Paraná do vermelho.
Tangente
Procurados pela Folha durante todo o dia, os secretários não quiseram abrir o jogo. Numa rápida abordagem por telefone, já em Brasília, Gionédis tentou despistar dizendo que estava na busca de recursos junto ao ministro paranaense Rafael Greca, de Esportes e Turismo, para o projeto Costa Oeste.
Royalties
A falta de informações oficiais gerou uma onda de especulações. Inclusive de que o governo foi pedir autorização do Ministério das Minas e Energia para colocar os royalties pagos por Itaipu ao Estado como garantia de empréstimo no BNDES. A tese, considerada razoável por alguns setores do Palácio, foi negada veementemente por Gionédis.
Ceticismo
Aníbal Khury pôs em dúvida ontem o apoio antecipado de Rafael Greca à reeleição de Cassio Taniguchi. Arranjo teoricamente costurado por Lerner no final de semana.
Bola de cristal
O presidente da Assembléia distribuía ontem cópias de um pronunciamento seu, feito em novembro de 97, alertando dos prejuízos do Brasil no Mercosul por conta da Argentina. ‘‘Eu avisei. O Mercosul não é MercoArgentina.’
Pressão
O Sindicato da Indústria da Carne enviou expediente à Secretaria de Segurança pedindo repressão na greve dos caminhoneiros. ‘‘A greve virou um caos, uma ameaça ao abastecimento. O governo não pode se omitir’’, diz o documento.
Impeachment
Nereu Moura (PMDB) quer o impeachment de Lerner. Na volta do recesso, começa a coletar assinaturas. O deputado acusa o governo de não responder a três pedidos de informação, de sua autoria. A idéia nasce praticamente morta. Não tem o apoio político nem na própria oposição, que vê o assunto com cautela redobrada.
Balanço
O governo Lerner tem atualmente 2.948 servidores comissionados (indicados por critérios políticos). O levantamento foi divulgado ontem pelo Palácio Iguaçu. O balanço informa ainda que houve corte de 600 cargos desta natureza, depois de criado o Crafe, o conselho de ajuste fiscal que põe freio nas contas do governo.

Espaço comum
Antonio Belinati e Luiz Carlos Hauly tiveram de dividir o mesmo palanque ontem pela manhã durante solenidade de assinatura de ordem de serviço para a construção de um centro comunitário em Londrina. Os recursos foram obtidos graças a uma emenda de Hauly ao Orçamento da União.
Diplomacia
Belinati foi diplomático. ‘‘A você Hauly, a nossa gratidão’’. Hauly correspondeu. ‘‘Apesar de adversários nos projetos, nada impede uma parceria no campo administrativo’’. Mas deixou claro que a entrada de Belinati no PFL não o aproxima do PSDB como ocorre na aliança nacional. ‘‘Onde o Belinati estiver, seremos adversários políticos’’, avisou.
Colgate
Alvaro Dias (PSDB) fez questão de publicar a íntegra de seu discurso de estréia como senador, em março. Na contracapa do material rodado na gráfica do Senado, Alvaro aparece estampando um sorriso.
Relax
Roberto Requião (PMDB) tirou alguns dias para descansar com a mulher Maristela e os filhos Maurício e Roberta no Balneário Camboriú (SC). O senador está hospedado na casa da sogra, dona Lurdes Guarengue. ‘‘A sogra dele é muito legal’’, garante o amigo Acir Mezzadri, que diz conhecer bem dona Lurdes. Requião chega a Curitiba amanhã.
Homônimo
O PMDB do Paraná, que promove um encontro em Londrina neste sábado, promete trazer à cidade além do governador de Minas Itamar Franco, o ex-governador Orestes Quércia e o senador Pedro Simon, Iris Rezende. Não é o ex-governador e ex-ministro de Goiás e sim a esposa dele, dona Iris, deputada federal que tem o mesmo nome do marido.
Combate 1
O governo Lerner lança em breve programa em parceria com a União e com as prefeituras para combater a sonegação, hoje de 30% no Paraná. O Programa de Educação Tributária incluirá noções de tributos nas aulas de matemática, português e história para conscientizar o aluno da importância de pedir nota e frear a evasão.
Combate 2
O programa de combate à sonegação ainda não foi lançado oficialmente no Paraná, mas cinco prefeituras do interior já remeteram solicitação para aderirem à iniciativa. Os professores serão treinados pela Universidade do Professor, em Faxinal do Céu.
Perguntinha
Por que a viagem de Giovani Gionédis (Fazenda) e de José Cid Campêlo Filho (Governo) a Brasília, ontem, foi cercada de tanto mistério?

Vapt-Vupt
• Aníbal Khury conseguiu emplacar um conhecido próximo na diretoria-geral da Casa Civil. Carlos Maranhão, o novo diretor que assume a função na semana que vem, é irmão de uma das noras do presidente da Assembléia.
• A ameaça do governo federal, de cortar algo em torno de 50% das verbas da área social, deixou as primeiras-damas do Estado e de Curitiba, Fani Lerner e Marina Taniguchi, respectivamente, em polvorosa. As duas reuniram-se ontem à tarde para discutir os possíveis reflexos da medida.
• É amanhã, às 19 horas, no oitavo andar da ACP, no centro de Curitiba, a palestra do jornalista e articulista desta Folha, Luiz Geraldo Mazza sobre ‘‘A desparanização do Paranᒒ. Mazza é convidado da coordenação da Câmara Setorial das Empresas de Comunicação da ACP.
Leandro Donatti (interino), com redação e sucursais

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