Dificuldades no caixa
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), confirmou ontem que o governo do Estado está com dificuldades para pagar os salários dos funcionários públicos. Sem revelar números, o deputado cobrou do governo federal ‘‘uma colaboração’’ para solucionar o problema de caixa. Segundo Khury, a folha deste mês está assegurada. O mesmo o deputado não garante para os próximos meses. Um comunicado extra-oficial baixado pelo próprio governo ontem avisava aos servidores que neste mês o pagamento sai no dia 1º de julho, com um dia de atraso, e que nos próximos vencimentos a data de repasse dos valores pode ter um atraso variável entre cinco e dez dias. O problema de caixa abriu brechas para especulações. A oposição acusou o governo de buscar no BNDES socorro financeiro para estancar o défict.



Rebelião
O presidente nacional do PTB, José Carlos Martinez, enfrenta sua primeira crise no comando do partido. Os deputados Valdir Rossoni, Hermas Brandão, Ademar Traiano e Cesar Silvestri sentiram-se preteridos por não terem sido convidados pelo dirigente para o jantar de ontem à noite, em sua residência em Curitiba.
Chumbo
‘‘Achávamos que ele viria para somar, mas pelo jeito não veio. Eu me elegi com a mesma quantidade de votos que ele como deputado federal’’, saiu atirando o líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni. ‘‘Já estamos com saudades do Zé Eduardo (ex-presidente nacional e hoje desligado do PTB)’’, emendou.
Em alta
O presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, e o ex-governador José Richa, ambos sem partido, voltam a ser lembrados pela mídia nacional como opções do presidente Fernando Henrique para uma reforma ministerial.
Ofendido
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, queimou-se com a entrevista concedida pelo colega de Senado Osmar Dias (PSDB) à Folha, tratando das dificuldades de sobrevivência de partidos menores com a reforma política. ‘‘O Osmar sabe que tem propostas que perderam fôlego e que a cláusula de desempenho só entra em 2006’’, apostou.
‘Durão’
‘‘Coloquei o MST e a polícia num seminário durante três dias. Se soubesse de um treinamento desses, demitia todo o comando da PM.’’ Do ex-governador Roberto Requião (PMDB), ontem, sobre o ‘treinamento anti-guerrilha’ da PM para enfrentar situações de perigo com os sem-terra.
Reunião
Quando retornar de Foz do Iguaçu, à tarde, Lerner pretende se reunir com alguns secretários de Estado no Chapéu Pensador, o gabinete do governo na subestação da Copel, em Curitiba. Os secretários foram comunicados da conversa ontem, ainda pela manhã.

Negativa
O governo nega que esteja pedindo socorro. Segundo o Palácio Iguaçu, as conversas mantidas entre o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e a cúpula do BNDES dizem respeito a um projeto antigo: antecipar os recursos que serão obtidos com a privatização da Copel.
Tranquilidade
Passou com folga a mensagem do governo que mexe em dispositivos da lei de saneamento do Banestado. Com os protestos do PT, PMDB e do líder do PSDB, José Maria Ferreira. A oposição alega que a mensagem maquia uma tentativa do governo de se apropriar de ativos do Banestado.
Vai longe
‘‘Enquanto não tiver a garantia de retomada da restauração de 1.200 km e a duplicação de outros 250 km, não falo sobre aumento de pedágio.’’ Discurso de Lerner, para mostrar à população que não quer ceder às pressões dos donos de concessionárias que exploram o Anel de Integração.
Nomeado
A Prefeitura de Curitiba está sem procurador geral. Marcus Vinícius Lacerda Costa é o mais novo juiz do Tribunal de Alçada. Ele foi escolhido ontem para a função pelo governador, de uma lista tríplice. Amigo de Lerner, Marcus Vinícius trabalhou na coordenação jurídica das campanhas do governador e de Cassio Taniguchi (PFL).
Sonho antigo
Há pelo menos três anos, Marcus Vinícius Lacerda Costa sonha com a vaga no TA. Quando assumiu o cargo de procurador em Curitiba já confidenciava a amigos mais próximos suas pretensões.
Precatórios
Lerner sancionou a lei que autoriza o governo a quitar preferencialmente precatórios (créditos judiciais) com valor inferior a 5.400 Ufirs.
Sortudo
Rafael Greca (PFL) teve mais sorte que Lerner e Taniguchi no contato com a torcida do Atlético, no jogo Brasil e Letônia, no último final de semana em Curitiba. Apesar de coxa-branca, Greca não precisou ouvir o hino atleticano. Pelo contrário, gastou meia-hora com autógrafos.
Brincadeira
A saia-justa de Lerner e Taniguchi com a torcida atleticana ainda rendia ontem. Ao ver os dois na cerimônia que o homenageou com o ‘‘Prêmio Personalidade Aecic’’, o presidente do grupo Inepar, Atilano de Oms Sobrinho, não perdeu a chance: ‘‘Registro meu voto de repúdio pela escolha errada dos times para os quais torcem o governador do Paraná e o prefeito de Curitiba.’’

Vapt-Vupt
• O Tribunal de Justiça deveria analisar ontem petição de Requião contra o ex-deputado Joni Varisco por calúnia e difamação. O julgamento foi adiado para 3 de agosto. Em processo paralelo, Varisco acusa Requião pela morte do líder-sem terra Diniz Bento da Silva, o ‘‘Teixeirinha’’.
• Também foi adiada pelo TJ, para a mesma data, a petição de José Maria Ferreira (PSDB) contra Lerner. O deputado pede informações sobre a política industrial do Estado.
• Ainda o TJ: negou ontem liminar pedida pela bancada do PT, levantando os incentivos fiscais concedidos pelo governo às montadoras que se instalaram no Paraná. O relator do mandado de segurança, Cláudio Nunes do Nascimento, justificou a decisão alegando que a ação deveria ter sido ajuizada pela Assembléia e não pelo PT.

Leandro Donatti (interino), com redação e sucursais

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