Esforço concentrado
O governador Jaime Lerner passou o dia de ontem em reuniões no ‘‘Chapéu Pensador’’ - gabinete instalado no bosque da Central de Operações da Copel -, discutindo ações para estancar o movimento de protestos com que foi recepcionado, no retorno dos Estados Unidos. A questão agrária concentrou as atenções. Havia expectativa de assessores de que ainda no final da tarde ele anunciaria um programa de liberação de áreas, o que acabou não se confirmando. Lerner trocou telefonemas com o ministro de Assuntos Fundiários, Raul Jungmann, mas a definição do governo federal quanto a áreas garantidas para reassentamentos ainda estava emperrada na burocracia. Como o final de semana se aproxima, qualquer novidade a respeito deve ficar mesmo para a próxima semana.

Mister M
Enquanto o conselheiro relator, João Féder, esmerava-se em detalhar a mágica das contas públicas, na sessão de ontem do Tribunal de Contas - que discutiu o balanço apresentado pelo governo Lerner sobre o ano de 97 -, o conselheiro Nestor Baptista dirige-se a Féder, revelando como é conhecido o relator internamente: ‘‘Mister M, explique para mim...’’ Mister M é o mágico mais odiado pela categoria atualmente, que marca presença dominical no Fantástico, revelando todos os truques ao público.
Vez das mulheres
Márcia Domingues é a mais nova juíza togada do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná. A nomeação, assinada pelo presidente Fernando Henrique, saiu ontem. Procuradora do Trabalho, Márcia Domingues fica com a cadeira do juiz aposentado e hoje secretário-chefe da Casa Civil de Lerner, Pretextato Taborda Ribas.
Ameaças
O PPB de Curitiba fechou questão. Pelo menos por ora. Divulgou manifesto de apoio ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL), buscando acabar com a onda articulada pelo presidente estadual, José Janene, de ensaiar candidatura própria (a de Tony Garcia, é óbvio) para a eleição de prefeito no próximo ano. Garcia convocou uma reunião para a próxima segunda-feira, que a executiva municipal desautorizou. Tudo porque andou-se falando que o PSDB de Álvaro Dias vai de Cassio no ano 2000.
Pleito de Maringá
O senador Osmar Dias e o prefeito de Maringá, Jairo Gianotto, reuniram-se ontem com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Foram pedir a compra de equipamentos e custeio de um ano de manutenção do Cefet de Maringá. O ministro comprometeu-se a incluir a reivindicação no Programa de Expansão de Educação Profissional (Proep).
Banca
Implantado em 1998, o programa do Ministério da Educação gerencia US$ 500 milhões, sendo 50% financiados pelo Banco Mundial e o restante, pelo governo federal.


Prova dos nove
Na guerra da informação que trava com o MST, a Segurança do Estado garante que a primeira autorização de grampo nos telefones dos líderes sem-terra data de 5 de maio. O deferimento do dia 11 - curiosamente sobre um pedido datado apenas do dia seguinte - seria o segundo da juíza de Loanda, Elisabeth Khaster. A diferença é que o MST apresenta as provas. O governo vai de fio do bigode.
Enchendo os olhos
Nem só de protestos vive o professorado do Paraná. Depois da manifestação junto com os sem-terra no Centro Cívico, dezenas foram passear no Shopping Mueller, no início da tarde, que ninguém é de ferro. Não compraram muita coisa porque o salário não garante. Nem é período de liquidação. Muito pelo contrário.
Cautela
Para evitar manifestações acaloradas de apoio dos professores ao MST, ontem, na Assembléia, Aníbal Khury achou por bem deixar para a semana que vem a votação do relatório elaborado pela comissão especial de deputados condenando as invasões dos sem-terra.
Banido
‘‘Eu também fui professor no início da minha carreira.’’ Declaração do líder do governo Valdir Rossoni (PTB). Motivo de intensas vaias das galerias lotadas.
Dúvidas
Os mentores da Paranaprevidência e da defesa da Lei Hauly não ouviram a voz da experiência em previdência social. O ex-ministro e hoje presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, tem dúvidas de que o dinheiro correspondente à compensação das contribuições de servidores estaduais volte aos Estados. A questão não é política, apenas da distância entre o caixa e o rombo da previdência.
Reação
‘‘Estão tentando arrefecer nossos ânimos, mas não vão conseguir.’’ É o desafio do presidente regional do PPS, deputado Rubens Bueno, sobre as investidas do PSDB para a reforma política. ‘‘Não existem parâmetros na história do Estado em relação à procura de lideranças pelo PPS’’, garante. Bueno diz que, em 90 dias, 104 comissões provisórias foram constituídas. Pouco mais de três meses é o tempo em que ele está no comando do partido, depois de um curto período no PTB, vindo do PSDB.
Apostando alto
Com Ciro Gomes se confirmando como candidato a presidente em 2002, o PPS só tende a crescer e se fortalecer, ao contrário dos outros partidos pequenos, que não têm em quem investir. Outra avaliação de Rubens Bueno, nos seus 100 dias de PPS.


Vapt-Vupt
• O senador Roberto Requião dá palestra às 19h30 de hoje, no salão nobre da Universidade Federal do Paraná, sobre crise brasileira em geral. O convite partiu do Centro Acadêmico Hugo Simas (CAHS), do curso de Direito da Federal.
• O secretário do Emprego, Alex Canziani, volta a circular pela região Norte. Empossou três chefes de escritórios na região e distribuiu equipamentos para suporte de sua secretaria em 13 municípios. Hoje vai a Cianorte.
• Lá fora, sem-terra e professores bradavam ao microfone impropérios contra o governo, acusando-o de carrasco e torturador; lá dentro da Assembléia Legislativa, os deputados ruralistas, acusando os sem-terra de rapinas e ladrões. É a guerra da democracia. Os dois lados têm como arma em comum a verborragia desmedida.
Mari Tortato, com redação e sucursais

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