Informe Folha (Mari Tortato)
Quase parando
Saindo de viagem, o governador Jaime Lerner volta a insistir que está fazendo sua parte - executando os despejos de áreas com reintegração de posse determinadas pela Justiça -, mas o governo federal não se mexe. O atraso no repasse pelo Incra dos recursos para a reforma agrária no Paraná está prejudicando o cronograma de assentamentos, aponta o Palácio Iguaçu. A verba de R$ 9 milhões prevista para o Paraná cobrir gastos com cadastramento, seleção de áreas e vistoria ainda não foi liberada. Idem para os recursos programados para aquisição de terras neste ano. O número de famílias assentadas em 99 em relação ao mesmo período do ano passado é 86% menor em termos gerais no País. Em 98, os assentamentos pelo Brasil afora alcançaram a 9 mil famílias de janeiro a maio. Neste ano, as liberações só deram respaldo ao assentamento de 1.200 famílias.
Apeado do PL
O deputado pastor Edson Praczyc andou anunciando recentemente que quem manda no PL é ele. Pois a Justiça não está convencida disso. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal cassou o direito do deputado estadual de presidir o diretório regional do Paraná. A decisão foi por Brasília porque o diretório nacional fez do pastor o interventor do PL do Paraná. Para atender a uma ação movida pelo presidente afastado, Lauro Rodrigues, filho do ex-deputado Horácio Rodrigues, de Curitiba.
Braço de Macedo
Edson Praczyc se elegeu pelo PSDB, mas poucos meses depois se bandeou para o PL, a mando de Deus, conforme ele. A Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, está fazendo do Partido Liberal seu braço político.
Fantasmas
Rlaucida Kramer Bardemaker, João Alberto Silva e Silva, Ricardo Katz de Castro, Paulo Ricardo Kohlransen, Guilherme Jara, Miguel Banega, Oscar Bogado Cantero, Moacir Antonio Dalmolin. Alguém conhece essas pessoas? Muitos bancos sim, pelo menos em cadastros. São apenas alguns dos que mandaram milhões de dólares para o exterior, via contas CC-5, apontados pelo procurador da República Celso Antônio Três.
Vício mantido
Integrante da comissão especial que estuda a reforma do Judiciário, o deputado federal pelo Paraná Gustavo Fruet (PMDB) não aprova o caminho que está sendo dado pelo relator, Aloysio Nunes Ferreira, à nova lei. Principalmente no que tange às infindáveis possibilidades de recursos de um processo, causa das arrastadas decisões finais e do emperramento atual, tudo mantido no novo texto.
Longa jornada
Tem muito chão pela frente até a aprovação da reforma do Judiciário. As divergências e pressões são enormes. O relator prevê um longo processo de negociação. Se não alcançar um consenso, dificilmente o assunto vai a plenário este ano com garantia alcançar até 307 votos para fazer o Judiciário se modernizar.
Tratamento VIP
O governador vai estar a milhas de distância na próxima terça-feira, quando a marcha de 400 sem-terra chegar a Curitiba, mas recomendou ao secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, que trate bem dos seus integrantes. Eles vão receber alimentos e assistência. A única restrição: que sejam preservados os prédios públicos da região. Ou seja, que não se permita invasões inesperadas.
Desencontros
Os sem-terra parecem escolher datas para protestar quando o detentor oficial do Palácio Iguaçu está fora. Sobrou de novo para a vice-governadora Emília Belinati, no exercício do cargo, assumir o comando das negociações com o movimento.
Campo aberto
Nem bem Lerner botou os pés no avião rumo a Nova York e já começaram as conversas na Assembléia Legislativa de que no seu retorno não haverá só anúncio do aumento do pedágio. Troca de secretários também estaria sendo articulada. Um deputado cem por cento governista diz que a reforma começa pela Secretaria da Saúde e pela Fundepar.
Desejo
A se levar em conta a afinidade que o governador Jaime Lerner tem com o secretário Armando Raggio (Saúde) e com Segismundo Morgenstern (superintendente da Fundepar), a informação do deputado governista não passa de um desejo inconfesso da Assembléia Legislativa. Mas no jogo político, às vezes desejos se materializam.
Tabuleiro
Marcos Isfer pode até dar o tempero político de que se ressente a Prefeitura de Curitiba, mas as articulações internas dentro do PFL de ver o deputado de volta à função de secretário de Governo de Cassio Taniguchi tem o objetivo primeiro de garantir ao deputado-radialista Luiz Carlos Martins (PFL) a permanência no quadro da Assembléia.
Pendurado
Primeiro suplente do grupo aliado ao governo, Luiz Carlos Martins só está no exercício do mandato em função de uma licença do deputado Geraldo Cartário (PL), que retorna à Casa na próxima semana.
Pivô
Já Isfer não é tão amado assim pelo poder centralizado na Assembléia Legislativa. Foi ele o pivô de uma primeira encrenca entre Aníbal Khury e Cassio Taniguchi. Assim que confirmou sua eleição, o deputado por Curitiba passou a articular uma composição para a mesa executiva da Assembléia, o que deixou Khury furioso. A ponto de Taniguchi se ver obrigado a mandar Isfer viajar para apagar o incêndio.
Vapt-Vupt
A pedido dos prefeitos, o Tribunal de Contas realiza nesta semana um seminário para discutir as mudanças na previdência. Os administradores municipais estão batendo cabeça sobre o assunto, sem saber que rumo tomar.
O secretário Renato Follador se esforça, mas não consegue convencer categoria alguma de que tudo vai melhorar a partir da instalação da Paranaprevidência. O bicho pega no reajuste da cota para 14% para quem ganha acima de R$ 1,2 mil mensais. Até essa faixa, o índice é mantido nos 10%.
A Crafe - comissão do governo para a reforma administrativa - está indo além da conta nos cortes de despesas para alcançar um caixa equilibrado. Investiu agora sobre as creches de filhos de funcionários públicos. Quer acabar com esse atendimento porque acha muito caro e fim de papo.
Mari Tortato, com redação e sucursais





