Informe Folha


Mari Tortato






Aparando arestas
O Palácio Iguaçu resolveu não deixar nenhuma aresta sem lima, na queda-de-braço com o Movimento dos Sem Terra, em consequência das ações de despejo para reintegração de posse de áreas invadidas. Depois de Cândido de Oliveira, Lerner também tratou, pessoalmente, de neutralizar a onda difamatória decorrente das desocupações. Ontem, em Brasília, ele conversou com o presidente Fernando Henrique, o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, e a bancada do Paraná. De quebra, também foi procurar o presidente do PT, José Dirceu, na noite anterior. O ministro Renan Calheiros, da Justiça, não foi procurado. Por motivos óbvios. Na fase atual, o governo do Paraná tem sentido em Calheiros muito mais um complicador do que um mediador. Não só em relação às desocupações. Calheiros também manifesta intenção de questionar a constitucionalidade da lei de Aníbal Khury, que anistiou multas de trânsito.
Geléia geral
Em ano pré-eleitoral, a onda na Assembléia Legislativa é de anistia geral e irrestrita. No vale-tudo, o campeão de projetos é o deputado Ricardo Chab (PTB). Ontem ele protocolou um projeto de anistia de água e luz a domicílio cujos responsáveis estejam inadimplentes, mas sem aprofundar critério algum. Baseia-se apenas no argumento da crise econômica. Chab é tido como pré-candidato a prefeito de Curitiba e inclusive namorado pelo PMDB.
Mais descontos
Não é só o deputado Ricardo Chab que busca a aprovação de uma isenção polêmica. Durante reunião da CCJ, esta semana, o deputado Moysés Leônidas (PDT) defendeu a isenção da taxa de água para os produtores rurais. ‘‘Taxar a água do produtor rural é o mesmo que impor impostos ao que respiramos. Não tem cabimento’’, alegou ele.
Sem bairrismo
A presidenta do Tribunal Regional do Trabalho, Adriana Nucci Paes Cruz, que esteve ontem em Londrina, é a segunda mulher a presidir o TRT. Mas não quer ser reconhecida por isso. ‘‘Quando ninguém enxergar que o presidente é mulher ou homem, será só o presidente de um tribunal. E aí estará bom.’’
Quase nada
Apenas 19 dos 399 municípios do Paraná estão rigorosamente em dia com suas contabilidades no Tribunal de Contas. A maioria deles é constituída por pequenas cidades, criadas recentemente. Para o TC, estar em dia é o município ter suas contas aprovadas até 97. Nessa pendura, até Curitiba é incluída. Falta prestação dos exercícios financeiros de 96 e 97, englobando o último ano de gestão do hoje ministro Rafael Greca e o primeiro de Cassio Taniguchi.
Ligações perigosas
De duas uma, a partir das denúncias envolvendo as relações perigosas com o estelionatário da Joni Veículos: ou a cúpula da Polícia Militar sofre de ‘‘bom-mocismo’’ incontinente, ou anda mesmo com más companhias.


Cobrando prova
Não é pela montagem fotográfica apresentando Lerner fardado que o governo pretende processar criminalmente os responsáveis pelo Fórum Terra, Trabalho e Cidadania. A assessoria jurídica computa como caluniosas afirmações contidas no polêmico panfleto, atribuindo ao governador ‘‘15 assassinatos, 30 tentativas de assassinatos e 41 ameaças de morte’’.
Confronto
Ângelo Vanhoni (PT) - que ontem se viu às voltas com um processo por falta de decoro parlamentar ao colar no plenário da Assembléia o cartaz que acusa o governo de não respeitar os direitos humanos -, não perdeu a fleugma. Disse que o governo reagiu ao material porque na montagem Lerner aparecer ‘‘com farda de coronel, não de general’’.
Atropelos
As primeiras vitórias de servidores estaduais na Justiça atrapalham os planos do governo na divulgação do contrato de gestão da Paranaprevidência. Conforme Follador, isso fica para o final do mês.
Marcha reduzida
O líder do governo, Valdir Rossoni, continua tentando desarticular a tramitação do projeto do deputado Durval Amaral (PFL) que proíbe a terceirização na aplicação de multas em estradas estaduais. Rossoni alega inconstitucionalidade. A CCJ aprovou o projeto há 15 dias. Ontem, o incidente com Vanhoni - com a consequente suspensão da sessão - evitou que o assunto ganhasse o plenário.
Munição
A hora no PT é de também bater na administração de Cassio Taniguchi (PFL). O alvo, as eleições do próximo ano. Fila de 52 mil na Cohab; desemprego de 100 mil trabalhadores; aumento de 47,8% dos homicídios, e redução de recursos para atendimento a crianças são algumas das armas apontadas pelo diretório municipal do PT.
Volta de Isfer
Numa reunião de pefelistas no gabinete de Aníbal Khury, de que participou também o presidente regional do partido, João Elísio Ferraz de Campos, todos concordaram com o retorno do deputado estadual Marcos Isfer para a Secretaria do Governo de Cassio Taniguchi. Seria a ‘pitada’ de jogo político que está faltando ao prefeito de Curitiba.
Todos por um
João Elísio, aliás, ficou surpreso com o empenho do PFL de Araucária. Nunca viu tanto entusiasmo de reunião de partido municipal como lá. O PFL já trabalha pela reeleição do prefeito Rizio Wachowicz ano que vem, e de Lerner para a presidencial de 2002.


Vapt-Vupt
• Este Informe deu uma informação equivocada ontem. O governador e família viajam para Nova York para o casamento da filha Andréa com o artista plástico holandês Sebastian Bremer. Como se trata de viagem particular, Lerner banca as despesas. A licença prevê ausência do governador até dia 15.
• O gerente administrativo-financeiro da Estação Aduaneira da Codapar em Foz do Iguaçu é, desde ontem, o ex-vice prefeito Gelson Werminghoff. A estação de Foz recebeu melhorias a partir de um investimento de R$ 2 milhões do governo do Estado.
• O selo da capa do caderno dirigido a Curitiba - uma imagem do Jardim Botânico -, não é uma adesão desta Folha por um dos pontos que polarizam a disputa pelo símbolo da cidade, na campanha ‘‘Eleja Curitiba’’. É pura coincidência. Está ali desde a reforma gráfica, há dois anos.
Mari Tortato, com redação e sucursais

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