Informe Folha
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de agosto de 1998
Política e humor 
Um repórter menos experiente jamais poderia se socorrer no mais acessível dos políticos em algum evento qualquer para que lhe indicasse quem era a estrela entrevistável. Inevitavelmente, com o semblante mais sério possível, Maurício Fruet iria lhe pregar uma peça. O carneiro afrodisíaco, disputado por um sem número de amigos, era mais uma das fantasias que Fruet fez virar verdade em matéria produzida para rede nacional de TV, tamanha a convicção das declarações sobre como preparar o bicho com pó de muxugum e raspa de chifre de rinoceronte branco, caçado na África. Mas o lado sério e indignado andava junto. Era um aguerrido democrata, ao mesmo tempo que sabia como poucos destrinchar a arides de uma questão tributária. Antes de decidir voltar a se testar nas urnas de agora, Maurício Fruet se empenhou como um leão na eleição do filho, Gustavo, hoje vereador de Curitiba. A combinação da seriedade e do humor na medida certa foi o que fez de Fruet um político querido e respeitado.
Espaços vazios
Na campanha de 96 para a eleição de prefeitos, o PMDB perdeu num acidente um deputado que garantia unanimidade em respeito de aliados e adversários, o pastor Elias Abrahão. Nesta de 98, perde Maurício Fruet, outra unanimidade. As vagas políticas são ocupadas, a singularidade das personalidades, não.


