INFORME FOLHA
Bomba-relógio
A greve espontânea que eclodiu ontem levando à desorganização do transporte coletivo de Curitiba foi um retrato do estado de ânimo da população em relação à sua segurança, e o descrédito nas autoridades. Assaltos em série a bancos, trabalhadores sendo pungados na madrugada, arrombamentos, roubos de carro e, o que é mais grave, assassinatos em troca de pouco dinheiro atordoam a polícia e metem pânico na população. A morte do cobrador de ônibus na madrugada levou motoristas e cobradores ao ato extremo de levar o caixão do defunto para o Centro Cívico, onde foi aberto e o corpo exibido para quem quisesse ver. É a reação popular à falta de resposta da autoridade, diante do salto da violência no Estado, notadamente na região de Curitiba.Quatro paredes
Nunca em público, porque ninguém se arriscaria a tanto, mas a toda avaliação dirigida a entidades de classe que cobram ações de segurança em Curitiba, os xerifes da polícia têm enfatizado que o Paraná investiu muito marketing sobre a conquista das montadoras, mas nenhuma força na retaguarda de infra-estrutura social para acompanhar a ‘‘transformação industrial’’.
Fantasmas
Sem mais argumentos para tentar explicar o crescimento dos assaltos a bancos em Curitiba e em cidades-pólos do Estado, o delegado responsável pela área, Mário Ramos, busca no Comando Vermelho (que domina os presídios do Rio) a origem de tudo. Mesmo que a polícia do Paraná não tenha prendido nenhum criminoso com indícios de ligação com esse tipo de organização nos últimos tempos.
A prêmio
Está na linha de tiro da Prefeitura de Curitiba o recém-chegado diretor do DER, Paulinho Dalmaz. Cássio Taniguchi tinha assumido compromisso com o colega de Almirante Tamandaré, de que a Avenida Anita Garibaldi, que corta o Norte de Curitiba, seria estendida ao município vizinho. O gabinete do Palácio Iguaçu deu sinal verde, mas Dalmaz emperrou tudo, quando o assunto bateu em sua mesa.
Muro firme
Lerner estará hoje mais uma vez em Cascavel. Ele tem interesse especial em estreitar o papo com o prefeito Salazar Barreiros, que tem peso no PPB, inclusive porque representa uma cidade com 150 mil eleitores. O governador quer o apoio de Salazar e do PPB para a reeleição, mas o prefeito está meio ‘tucano’: pode ser Lerner, pode ser Álvaro, Requião...
Namoro
Salazar Barreiros andava reclamando de poucos contatos no Palácio. Aí foi recebido por Lerner, e depois, quando o governador esteve em Cascavel, o prefeito até embarcou no helicóptero, integrando a comitiva a outros municípios. Mas até aí, só muita paquera.
Pela tangente
Ontem, em Foz do Iguaçu, Lerner saiu pelo ‘acostamento’ quando os jornalistas foram questioná-lo sobre a polêmica do pedágio e o comprometimento de seu projeto de reeleição. Preferiu a ironia, ao afirmar que nos governos anteriores, os paranaenses ‘‘eram enganados com remédios falsos’’. ‘‘Não faziam nada e colocavam uma placa: esta estrada é de responsabilidade do governo federal’’.
Afiado
O governador também não quis conversa sobre as alianças. ‘‘O processo de negociação será conduzido pela Casa Civil e eu só entro na hora de definir’’, repetiu. Mas disse que se sente confortável em enfrentar qualquer adversário: Álvaro Dias ou Roberto Requião.
Duro de segurar
Ninguém segurou Carvalhinho na cama ontem. O presidente da Fiep e do PFL estadual mandou a recomendação médica de repouso absoluto às favas e voltou à eletricidade habitual. Feito um foguete, passou na Fiep para despachar, foi ver como andam os negócios na sua concessionária e ainda arranjou tempo para um papo na padaria da esquina.
Rodando baiana
O café-da-manhã na casa de Aníbal Khury ontem foi do brioche e murro na mesa. O furor foi protagonizado pelo líder do governo, Valdir Rossoni, que pregava do chefe da Casa Civil, Cândido de Oliveira, mais eficiência tática na negociação das alianças.
Montaria
Os partidos de linha de frente da base governista podem perder até cinco deputados se os nanicos coligarem só na majoritária. Sem eles nas proporcionais, o coeficiente aumenta e o mínimo de votos necessário vai bater na casa dos 30 mil.
Coisa rara
O prefeito de Matinhos, Francisco Carlim dos Santos, tem conseguido milagres. Acaba de contornar a crise financeira e, de quebra, dar aumento aos funcionários. O projeto de reajuste de 10% já foi para a Câmara e sai até o final deste mês. Santos pegou a prefeitura com uma dívida de R$ 4 milhões, conta encerrada em banco e 13º de funcionários atrasado.
Mais lenha
Uma das críticas que o ex-governador Requião faz à segurança do Palácio Iguaçu diz respeito aos dois helicópteros à disposição do governo e aquisição sua. Ele alerta de que um dos aparelhos não tem sido mantido no pátio do Palácio, quando deveria ficar ali para emergências. Um fica à disposição do governador. Outro estaria rodando com frequência com Rafael Greca.
Perguntinha
Se o prefeito Cássio Taniguchi fosse da oposição e não um escudeiro de Lerner, como estaria definindo o governo do Estado, no que se refere ao estado de insegurança em que se meteu Curitiba?Vapt-Vupt
• Depois de ler na Folha que as holandesas Cintha e Erna (do time de vôlei do Rexona) não acharam Curitiba tão verde assim, a Comunicação Social da prefeitura está programando um roteiro turístico para as meninas, para ver se elas se convencem do contrário. Começa pela Torre da Telepar.
• A Câmara de Curitiba reserva sessão às 20h de hoje para comemorações dos 50 anos de aniversário de Israel. O vice-cônsul de Israel, Ran Yacobi, e outros representantes da comunidade israelita vão participar.
• Corre o buchicho de que ‘‘haverá mudanças’’ por estes dias na área da Segurança Pública. Se vierem, que seja para acertar.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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