Marketing Lerner
Longe da cena política, o ex-governador Jaime Lerner não perde o prestígio internacional. Na última segunda-feira, Lerner foi destaque do canal de notícias americano CNN no programa do irreverente jornalista Richard Quest.
- A CNN enviou o repórter a Curitiba para mostrar o feitos urbanísticos de Lerner, em especial os parques públicos com sua imensa área verde, a Ópera do Arame - onde o ex-governador arriscou cantar -, a Universidade do Meio Ambiente e o sistema de transporte público da capital paranaense, apontado como modelo para outras grandes cidades do mundo.
- Quest esteve ainda no Estádio Arena da Baixada mostrando um dos palcos da Copa de 2014, que terá sua capacidade aumentada para receber o mundial. A reportagem destaca Curitiba como cidade que já pensa no futuro.

Legado: o pedágio
Pena que a reportagem não aprofundou o Lerner político, ficou só no urbanista/planejador. Caso o fizesse, verificaria que nem sempre o marketing é tão eficiente no seu próprio quintal, o restante do Paraná. Em especial, o interior que poderia ter recebido mais investimentos nos oitos anos de gestão de Lerner como governador. Ele deixou, porém, como legado o escandaloso pedágio que penaliza o cidadão paranaense nos quatro cantos do Estado.

Patrimônio
A Câmara de Vereadores de Londrina vota hoje em primeiro turno projeto de lei do Executivo que transforma em patrimônio sóciocultural do Município as feiras da lua e as feiras do produtor realizadas na cidade. A justificativa da matéria cita que as feiras-livres datam já dos povos antigos da Grécia e de Roma. ''Com toda modernidade do século XXI, elas continuam em alta'', diz o texto.

No meio do caminho...
Em outro trecho da justificativa, um puxão de orelha: ''Há quem acredite que as feiras são coisas do passado e que, em algumas cidades, só trazem mais transtornos do que benefícios. A realidade mostra o engano de quem defende esta posição e prova que não inventaram um substituto à sua altura''.

... havia uma ressalva
O projeto só esqueceu de mencionar que a própria administração municipal apontou ''transtornos'' na feira-livre da Avenida São Paulo, às quintas-feiras - a ponto de retirar barracas que há anos estavam na Rua Espírito Santo, deslocadas agora para a Rua Alagoas. Há feirantes que reclamam de quedas ainda não recuperadas de até 40% das vendas.

Mertiolate
Ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula, o deputado federal cassado José Dirceu (PT), demonstrou que as feridas abertas na campanha pela Presidência, da parte dele, devem demorar a cicatrizar. Em entrevista no programa ''Roda Viva'', da TV Cultura, anteontem à noite, Dirceu reclamou do uso de sua imagem pela campanha de José Serra (PSDB) - que fez questão de lembrar o eleitor que a eleição de Dilma Rousseff (PT) representaria o retorno da ''turma do Dirceu''.

Biografia x folha corrida
O ex-ministro se disse ''linchado'' por Serra, especialmente em razão do caso Mensalão - pelo qual o petista é um dos 39 réus: ''Ele (Serra) me linchou. Se eu for absolvido no Supremo, como é que fica? Ele me colocou como chefe de quadrilha. Tenho biografia, não tenho folha corrida''.

Lobista, eu?
Curiosidades da entrevista: Dirceu pediu que o julgamento do mensalão no STF não vire uma espécie de ''terceiro turno'' eleitoral - pedido feito, diga-se de passagem, após o segundo turno. Quem alimenta o que, portanto? O ex-ministro - que negou ser lobista; se disse ''advogado e consultor'' -, nome antigo de Lula para sucedê-lo (até, é claro, o episódio do mensalão), garantiu ter sido ''muito mais difícil'' eleger Dilma que Lula (2002 e 2006).
- Considerando que a máquina pública não foi poupada para eleger a petista, sem sequer o presidente se licenciar do cargo, é de se imaginar a falta que o carisma faz a um candidato, não?

Perguntinha
Se José Dirceu achou ''muito mais difícil'' eleger Dilma do que Lula, quanto se teria gasto da máquina pública, então, se a eleição da petista tivesse sido ''fácil''?

Equipe da Folha | [email protected]

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