INFORME FOLHA
Estado otário
Ao defender o modelo de industrialização que está implantando, o governador Jaime Lerner disse ontem, numa entrevista à rádio CBN, que o Paraná ‘‘foi o Estado mais otário deste País’’ ao fornecer energia barata para São Paulo criar riquezas da ordem de US$ 9 bilhões ao ano. ‘‘Isso representava seis safras de soja por ano. Noventa por cento da energia produzida no Paraná era desviada para São Paulo e nós otários nos endividávamos’’, atacou. O governador fez essa análise ao voltar a apontar falhas de condução política de governos passados (seus adversários) nesse assunto. ‘‘E agora os senadores do Paraná ficam se aliando ao governo de São Paulo, do Sr. Emerson Incapaz (sic), para barrar o desenvolvimento industrial do Estado’’, acrescentou. E arrematou: ‘‘Duvido que o Emerson Kapaz tenha os neurônios todos certinhos’’.Facão
‘‘É a mesma coisa que você estar jogando truco e baixar as cartas antes do seu adversário’’. Também de Lerner, ao justificar por que o governo do Paraná manteve o sigilo sobre os procolos assinados com as montadoras, em razão da guerra fiscal entre os Estados.
Apoio
‘‘Não interessa se o protocolo específico com a Renault é bom ou ruim. O que interessa é que o Paraná está tendo sucesso no seu programa de atração de investimentos industriais’’. Do presidente reconduzido da Federação Nacional das Companhias de Seguros (Fenaseg), João Elísio Ferraz de Campos, ao defender a união com Lerner para a continuidade do processo de industrialização.
Fase de coleta
Na mesma entrevista à CBN, Lerner anunciou que, no processo de substituição de secretários-candidatos, está reservando espaço para um nome de Cascavel e outro de Maringá. ‘‘Estou esperando que as lideranças dessas duas regiões me apresentem nomes para eu definir a escolha’’, confirmou.
Cautela
O governador passou a evitar confrontos internos entre seus aliados, ao falar da preferência de nomes para o Senado. Agora, diz somente que o debate está aberto e que há ‘‘nomes extraordinários’’, citando todos os que já surgiram.
Impeachment
Os laudos do IML que confirmam lesões corporais na universitária Silvana de Lourdes Felipe já são motivo suficiente para uma comissão de inquérito na Câmara de Ponta Grossa e o início de um processo de impeachment do prefeito Jocelito Canto. O deputado Florisvaldo ‘Rosinha’ Fier (PT) propõe novas eleições no município. Ponta Grossa não tem vice: Djalma de Almeida César renunciou para ficar em Brasília.
Independência
O presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso (PFL), reabre os trabalhos amanhã defendendo o municipalismo. ‘‘A economia vem se modernizando no Brasil, mas na área do poder central o País ainda funciona com um sistema político atrasado e centralizador’’, diz ele, ao se referir à depedência financeira dos municípios em relação a Brasília.
Diadema?
O assassinato de dois meninos de favela por policiais militares de Curitiba, seguido da ‘desova’ dos cadáveres no rio Passaúna - distante nove quilômetros do local do crime -, volta a indignar os paranaenses. Ninguém aceita Diadema aqui também.Chip ambulante
O presidente nacional do PMDB, Paes de Andrade, exibiu memória invejável durante passagem pelo Paraná semana passada. Pressionado pelos jornalistas para esmiuçar as adesões dos convencionais, Andrade fez na ponta da língua, sem papel na mão, cálculos para cada Estado. ‘‘Tenho um computador na minha cabeça’’, brincou.
Autofagia
O clima no PMDB não era amistoso. Maldades corriam nos bastidores contra os defensores das duas teses: Paes de Andrade, pela candidatura própria, e Odacir Klein, pela reeleição de FHC. ‘‘Esse Paes não é aquele de Mombassa?’’, provocou um peemedebista. ‘‘Isso mesmo, ele é do mesmo partido daquele ministro que pelo novo código de trânsito estaria em maus lençóis’’, devolveu outro.
Memorex
Mombassa é a cidade onde Paes de Andrade promoveu festança de arromba para seus correligionários, durante uma rápida interinidade do então presidente José Sarney (PMDB). A referência a Klein foi pelo atropelamento e morte de um pedestre, cometido por seu filho. Klein, que era ministro dos Transportes de FHC, estava no carro. Filho e pai fugiram do local.
Troca de lado
Fechado até agora com a candidatura de Nedson Micheleti para o governo do Estado, padre Roque (PT) está anunciando que mudou de lado. Passou a defender apoio formal à candidatura de Milena Martinez. Das duas uma: ou internamente a coisa vai de mal a pior no PT ou Micheleti está prestes a retirar a candidatura para manter-se no quadro dos que vão tentar a reeleição.
Abordagem
A tentativa do PSDB de fechar uma aliança de oposição a Lerner está levando os tucanos do Paraná a conversar também com o líder maior do PDT, Leonel Brizola, que não pode nem ouvir falar em FHC. Olivir Gabardo pretendia se antecipar, mas Nelton Friedrich aconselhou esperar até o fim do mês, quando Brizola deve vir ao Paraná.Vapt-Vupt
• Araucária é o único município do Paraná que mantém com recursos próprios suas escolas especiais, que atendem a 512 crianças excepcionais. Mas o prefeito Rízio Wachowiscz (PFL) quer verbas federais e estaduais para ampliação.
• Se depender do dossiê da Prefeitura de Palmeira, a administração anterior vai cair na fiscalização do Tribunal de Contas. ‘‘Dos 88 processos licitatórios de 96, 39 apresentam irregularidades’’, garante o assessor jurídico de Palmeira, Laércio Levandoski.
• Embasados em pareceres técnicos de geólogos, ambientalistas começam a ‘minar’ o projeto de ‘‘engorda’’ da praia de Matinhos, para conter o avanço do mar. R$ 1,5 milhão a serem investidos no aumento da praia ‘‘irão para o ralo’’, alertam.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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