INFORME FOLHA
‘Gaygate’, um golpe baixo
Cansado de brigar no campo da política, o senador Roberto Requião (PMDB) apelou, e feio, ontem durante um aparte ao discurso do senador Osmar Dias (PSDB). O senador tucano usou um bom tempo na tribuna do Senado para sapatear em cima do protocolo da Renault. No final, Requião pediu a palavra, deu apoio ao discurso de Osmar e fez questão de frisar a existência de um suposto ‘‘Gaygate’’ envolvendo um secretário de Estado do Paraná e um policial militar de Santa Catarina. Dirigindo-se ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL), Requião ressaltou que este era o primeiro caso gay registrado em cartório no Brasil. Requião sempre foi melhor no campo da política. Não precisava enveredar para ataques pessoais para atingir seus inimigos. Em outras épocas, o senador, em seu estilo moralista, sempre fez questão de dizer que não era do feitio dele atacar a vida privada de ninguém. ACM limitou-se a rir. Lamentável.
Economês
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, ‘suou’ para explicar os detalhes técnicos do teor do acordo firmado entre o governo do Estado e a montadora Renault, que veio à tona na última quarta-feira. Foi obrigado a apelar para fórmulas financeiras, que domina, para explicar o ‘direito’ da montadora em contratar empréstimo.
Tratado
Em meio à tensão e à correria do anúncio-bomba de Romanelli, em Curitiba, e em Brasília por Osmar Dias, Salomão entregou um paper de seis páginas aos jornalistas, com uma extensa análise. Desde a história recente do desenvolvimento econômico do Estado até a decisão do Judiciário do Paraná que negou, no ano passado, a quebra de sigilo da Renault.
Ação
A direção estadual do PSDB vai entrar na Justiça contra o governo do Estado por suposto uso da máquina pública para pagamento de pesquisa eleitoral.
Fulo
O prefeito de Ribeirão Claro e presidente da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro, Mario Augusto Pereira (PFL), está indignado com o Programa de Atendimento Básico (PAB), que passará a funcionar em todo o país no mês que vem. Através do PAB, cada município receberá anualmente R$ 10,00 por habitante para serviços de saúde.
Mixaria
Mário Augusto critica a escassez de recursos e a forma como o programa foi apresentado pelo presidente FHC. Dez reais por ano representam 83 centavos por mês por habitante. ‘‘Só para transportar doentes de câncer até Londrina gastamos muito mais’’, desabafa, contabilizando 53 pacientes nesta situação.
Bronca
A mensagem do governo do Estado que altera os critérios de distribuição do ICMS ecológico vai provocar polêmica na Assembléia. Principalmente entre os deputados que criaram novos municípios e os que se sentiram prejudicados com os desmembramentos de outros.Surpresa
A capa de ‘‘O Estado de São Paulo’’, edição de ontem, dá no que pensar. A chamada ‘‘Paraná dará US$ 1,5 bilhão à Renault’’ apontava o senador Osmar Dias (PSDB) como o ‘pai’ do vazamento do protocolo firmado entre governo e Renault. O senador também tinha o documento apresentado por Luiz Cláudio Romanelli à imprensa.
Recuperando
Diante da rapidez e da ‘atravessada’ de Romanelli, que na terça-feira já exibia uma cópia da documentação pelos corredores da Assembléia, Osmar deu entrevista à reportagem do Estadão em Brasília, simultaneamente à do deputado no Paraná.
Pente-fino
O Palácio Iguaçu já iniciou, nos bastidores, uma ‘operação pente-fino’ para detectar o foco de vazamento do protocolo. A orientação é averiguar quem poderia ter passado a farta documentação para Romanelli e Osmar Dias. Há no governo quem acredite que o caso não passou de vingança.
Dominó
Primeiro foi o ex-secretário da Agricultura Hermas Brandão (PTB), que era apontado como forte candidato a vice na chapa do governador, no lugar de Emília Belinati (PTB). Agora, é o chefe da Casa Civil e pré-candidato ao Senado, pelo PFL, Rafael Greca, que passa por turbulências no governo Lerner.
Conformado
O deputado estadual Plauto Miró Guimarães (PFL) já está se acostumando à idéia de dividir as regalias de ser aliado do governo com o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (sem partido), seu adversário político. Na semana passada, o deputado integrou uma comitiva de Luiz Carlos Zuk (PDT) e de Djalma de Almeida Cesar (PMDB), que se reuniu para uma conversa com o prefeito, no gabinete.
Procura-se
A recusa do ex-senador José Richa em aceitar o convite para coordenar o comitê pró-Fernando Henrique no Paraná, causou frustração entre os aliados do governador Jaime Lerner. Há dois dias, os aliados intensificaram os contatos à procura de um substituto para a função.
Reforço
Richa disse ontem que a sua decisão não tem volta. E promete anunciar logo desligamento do PSDB. O ex-senador esclarece que o seu estremecimento com o ex-governador Álvaro Dias não foi por conta da rejeição de Lerner no ninho. ‘‘Mas pela forma ditatorial e desrespeitosa como o processo foi conduzido. Para apoiar o presidente, não preciso estar filiado’’, justifica.Vapt-Vupt
•Lerner esteve ontem em Cascavel e foi recebido por uma multidão no aeroporto, a maioria gente do PFL, capitaneada pelo prefeito em exercício, Eduardo Marassi. Em dois baiRros houve até foguetório.
•Lerner e Marassi conversaram a portas fechadas, a pedido de Marassi. O PPB do prefeito Salazar Barreiros pode estar contra Lerner na campanha. Marassi é mais ‘chegado’ ao governador que Salazar, que tem fortes vínculos com Álvaro e Osmar Dias e Roberto Requião.
•Greca não larga do velho chapéu amarrotado. Ontem, em Cascavel, ele disse que é por causa da sinusite, mas admitiu que se o sol continuar pegando forte, o chapéu pode ser boa peça de campanha.
José Fernando(interino), de Curitiba, com Redação e sucursais

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