INFORME FOLHA
Coração de repórter
O chefe de reportagem da sucursal de Brasília de uma grande rede de televisão procurava desesperadamente, ontem, uma foto do deputado federal José Janene (PP-PR) almoçando em churrascaria de Londrina. Ele queria mostrar a seguinte contradição: Uma pessoa com prováveis problemas cardíacos comendo carne vermelha? Pode? - questionou.
Coração esperto
Poder, pode, resta saber se ele cometeu essa imprudência. Janene se aposenta com salário integral de deputado, alegando problemas no coração, o que é real. A primeira atitude de quem tem doenças semelhantes é cortar calorias, incluindo aí as carnes vermelhas. A TV queria mostrar que o deputado não faz essas restrições.
Coração sem juízo
A menos que a medicina, revolucionária, tenha mudado os seus conceitos, o deputado, como todo mortal, teria que regular ou cortar na carne as delícias de um suculento churrasco. Mas cada coração escolhe o cardápio que deseja.
Corações generosos
Janene, merecidamente ou não, consegue (dentro da lei) sua aposentadoria, como os jornais noticiaram. Mas aí está presente o outro lado dos corações de Brasília. Foram homens de corações generosos, como Aldo Rebelo (PCdoB-SP), por exemplo, que ajudaram Janene na sua aposentadoria integral.
Fiep 1
O Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), através do Instituto Euvaldo Lodi, ingressou como assistente (litisconsorte) na ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público (MP) do Paraná contra o espólio do ex-presidente da Federação José Carlos Gomes de Carvalho. Segundo a Fiep hoje presidida pelo empresário Rodrigo da Rocha Loures , o IEL tem interesse direto na ação, uma vez que pretende o ressarcimento de aproximadamente R$ 36 milhões desviados da instituição durante a gestão de Carvalho.
Fiep 2
O ingresso do Sistema Fiep na ação foi autorizado pela juíza de direito substituta da 3ªVara da Fazenda Pública, Fabiane Pieruccini, que determinou esta semana a indisponibilidade do espólio do ex-presidente da Fiep, seus herdeiros e também de Ubiratan de Lara, ex-superintendente do IEL e André Luiz Sottomaior, ex-funcionário do Citpar.
PT
O PT não tem que exigir mais nada. Do ex-deputado estadual e diretor comercial da Sanepar Natálio Stica (PT), sobre as indicações para os ministérios, ao comentar a notícia de que o presidente Lula deve deixar a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy fora da Esplanada. Na opinião de Stica, apesar das pressões que recebe de todos os lados, o presidente não deveria ter pressa para compor o novo ministério.
Há vagas?
Já o presidente estadual do PT, deputado federal André Vargas, acredita que, no meio de toda especulação, Marta ainda tem chances de emplacar um ministério. Vargas foi nomeado ontem, em Brasília, relator da Medida Provisória 335/06 que trata da regularização das ocupações em áreas da União. A MP cria ajustes na atual legislação de modo a facilitar a regularização fundiária, de interesse social, inclusive de programas habitacionais.
Centro Cívico zen
Os dias pós-Carnaval têm sido de tranqüilidade na política paranaense. A troca de farpas entre o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito Beto Richa (PSDB) arrefeceu, a Assembléia Legislativa ainda não retomou as sessões e o Tribunal de Contas cancelou a sessão plenária de ontem. Clima zen, pelo menos por enquanto.
Marketing 1
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) implicou com a nova campanha publicitária do Banco do Brasil. Alvaro ainda não recebeu do Ministério da Fazenda as informações técnicas solicitadas sobre a troca de letreiros do banco em todo o País. No início deste ano o banco lançou uma nova campanha, substituindo os letreiros de Banco do Brasil por nomes de pessoas, como Banco do Bruno.
Marketing 2
Além do caráter discutível da medida do ponto de vista do marketing, é essencial saber qual o custo e outras informações sobre esta troca que parece extremamente inconveniente ao banco, argumentou o senador, na justificativa do requerimento encaminhado à Fazenda. Os documentos solicitados pelo senador são cópia do processo, pareceres jurídicos e financeiros que embasaram a troca dos letreiros do banco e a cópia do contrato com a agência de publicidade responsável pelo projeto. As respostas devem chegar ao gabinete do senador nas próximas semanas.
Cassados
Ao comentar a matéria sobre a cassação de 421 políticos no País por compra de votos, um leitor da FOLHA reclamou da corrupção na Justiça, alegando que muitos abusam de sua influência e acabam absolvidos.
Paradoxo
A informação sobre os 421 cassados faz parte de um relatório divulgado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e abrange os acusados de compra de votos nas eleições de 2000, 2002 e 2004. Desse total, apenas sete são do Paraná. Número tímido se levada em conta a pesquisa divulgada no mês passado pela ONG Transparência Brasil, em que 22% dos mais de sete milhões de eleitores paranaenses admitiram ter recebido alguma oferta para vender o voto.
Perguntinha
O clima ameno na política local é prenúncio de tempestade?





