Compra de votos
A notícia saiu com destaque nos veículos de comunicação do Paraná: ‘‘Estado lidera ranking nacional de compra de votos’’. Segundo a ONG de combate à corrupção Transparência Brasil, que encomendou a pesquisa ao instituto Ibope, mais de 1,3 milhão de eleitores teriam recebido ofertas de compra de votos nas eleições do ano passado. Esse número é quase o equivalente a Curitiba inteira, onde existem 1,7 milhão de habitantes.

Outro mundo
O levantamento da Transparência Brasil é a prova de que boa parte dos políticos não sabe – ou não quer saber, o que é ainda pior – o que significam as palavras democracia, cidadania, ética, decoro...

Desmoralização
Dados do Ibope apontam que 22% de um universo de pessoas pesquisadas no Paraná admitem que receberam oferta para vender o voto em 2006. O que isso significa?

Zombaria
Muito mais que a obstinada luta pelo poder, a pesquisa mostra que o atrevimento dos candidatos atropela a legislação e dá um recado para a Justiça, que executa(ria) a lei. O recado é que os políticos não dão muita importância para a autoridade eleitoral.

Falta de firmeza
A Justiça implica com o uso de bonés mas se mostra impotente para impedir, por exemplo, o uso da máquina oficial, que pode custar milhões. A Justiça é implacável e forte no cumprimento da lei que proíbe o uso de camisetas.

Uso e abuso
No poder Executivo, candidatos à reeleição fizeram uso da máquina. Mas para a Justiça agir nesses casos é preciso que haja uma denúncia formal. Porém, o povo não denuncia porque não acredita; as oposições porque não têm moral e instituições da sociedade organizada não têm interesse.

Moral da história
Falta pulso, falta aplicar a lei. A julgar pela pesquisa do Ibope, nem Executivo, Legislativo ou Judiciário, enfim nenhum dos poderes está disposto a dar exemplo. Parece que estão naquela do quanto pior, melhor.
Programas paternalistas
E o conceito de compra de votos? Não seria hora de discutir o assunto? Programas sociais paternalistas (aqueles que ‘‘viciam’’ o cidadão - quando não o matam de vergonha - como entoava Luiz Gonzaga) não são compra de votos?

Cidadão comum
Como qualquer cidadão comum, o ex-deputado federal José Janene foi ontem à feira da Avenida São Paulo com Rua Alagoas, no centro de Londrina. Depois de comprar alguns produtos, encostou o carrinho em um canto e foi a uma barraca de pastel. Sentou em um pequeno banco, próximo a outras pessoas, comeu um pastel de carne e tomou uma coca-cola em lata. Um feirante, ao ver o ex-deputado, comentou: ‘‘Como será que está o coração dele agora?’’

De olho na prefeitura
O diretório municipal do PDT faz amanhã, às 10 horas, em Londrina, reunião para discutir os rumos do partido na cidade. O partido vai pôr em discussão a estratégia para conquistar a Prefeitura de Londrina na eleição de 2008. O nome mais cotado para disputar o cargo é o do deputado federal, Barbosa Neto, que disputou as duas últimas eleições municipais, chegou ao segundo turno em 2000 mas foi derrotado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT).

Caso Rasera
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou ontem uma liminar no pedido de habeas corpus que tenta tirar da cadeia o policial civil Délcio Augusto Rasera, preso desde setembro acusado de comandar um esquema de escutas telefônicas clandestinas. O processo, no entanto, continua tramitando no STJ até que saia a decisão final.

Falta de atendimento
Para justificar a quebradeira na Câmara de Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), o vereador Pedro Proença (PT), disse que ficou indignado porque não conseguia entrar na Câmara, pois ninguém o ouvia. E se
a moda pega?

Estrago
Para entrar no prédio da Câmara, o vereador arrancou o portão, amarrando-o à sua caminhonete. Depois, quebrou móveis e equipamentos da Casa.

Saúde
O Tribunal de Contas (TC) do Paraná julgou irregulares as contas prestadas pelo Instituto de Saúde do Paraná (ISEP), relativas ao exercício financeiro de 2005. O acórdão 278/07, que rejeita as contas, deve ser publicado nos próximos dias no Atos Oficiais, órgão oficial do TC.

Improcedente 1
A juíza federal da 8ª Vara Cível de Curitiba, Vera Lúcia Feil Ponciano, julgou improcedente a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, que alegou improbidade administrativa por parte do reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior. Segundo o MPF, o reitor teria retardado o encaminhamento de dados requisitados indispensáveis à investigação de notícias de improbidade e ilegalidade praticadas na universidade.

Improcedente 2
Entre as informações solicitadas e que não foram repassadas ao MPF estão esclarecimentos de uso indevido de veículo da universidade e suspeita de acúmulo indevido de cargos por servidor. Depois de analisar as provas documental e testemunhal, a Justiça entendeu que não ficou comprovado dolo ou culpa do reitor no atraso no cumprimento dos ofícios recebidos pela UFPR.

Perguntinha
Aquele que vende o voto é tão culpado quanto quem compra?

Equipe da Folha | [email protected]

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