Entrelinhas
O discurso do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), antes da eleição para a presidência da Câmara, surpreendeu pelo tom agressivo. Enquanto Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) adotaram a linha de resgate da independência entre os poderes, o líder do PT na Câmara deixou claro que não aceitará brandamente as críticas ao parlamento.
‘‘Quem ataca o parlamento, ataca a democracia’’, comparou, ríspido. Nos bastidores, o aviso foi interpretado como um recado à imprensa e ao Ministério Público (MP).

Transparente
O discurso de Chinaglia surpreendeu também pelo ‘‘gelo’’ a Aldo Rebelo. Apesar de citar Fruet nominalmente, Chinaglia eliminou Rebelo do pronunciamento. Pouco depois, o líder do governo reclamou que os funcionários da Câmara ‘‘ganham mal e têm uma qualidade de vida que precisa ser melhorada’’. Sobre aumento de salário mínimo, nenhuma palavra.

Reconstrução de valores
Fruet, que foi o primeiro a se pronunciar, defendeu a superação da crise moral do Legislativo após sucessivos escândalos. Mas preferiu oferecer-se não como via de oposição ao Executivo, e sim como a de reconstrução dos valores perdidos.

Berlinda
Já Aldo Rebelo lembrou do apoio incondicional a Lula nas cinco vezes em que o petista disputou a presidência e amenizou o que, para muitos, já é um racha na base aliada: ‘‘Não me separo (de Chinaglia) por questões individuais, mas por idéias e conceitos sobre aquela que deve ser a orientação da Casa ao povo brasileiro’’. Ao final, Aldo afirmou que receberia o resultado da votação com ‘‘resignação’’ e
‘‘humildade’’.

Vingança do caseiro
Em meio à renovação que chegou a 46% do plenário, a cerimônia de posse dos deputados registrou uma saia-justa transmitida ao vivo pela TV Câmara: a única vaia da cerimônia, dirigida ao agora deputado, Antonio Palocci. O ex-ministro da Fazenda voltou ao Legislativo, assim como João Paulo Cunha , José Genoino (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PL-SP), citados no esquema do Valerioduto, e Paulo Maluf (PP-SP). Os cinco são colegas de bancada.

Holofotes
Por sinal, a posse ontem revelou a faceta showbusiness que deve rondar a 53ªLegislatura: de um lado, o cantor Frank Aguiar (PTB-SP) garantia alegrar fãs, com a manutenção de shows aos finais de semana, e eleitores, com a promessa de ‘‘marcar ponto’’ em todas as sessões. De outro, o estilista Clodovil Hernandes (PTC-SP) foi a vedete das câmeras fotográficas. Pequenas levas de visitantes paravam para posar ao lado dele.

Claque
Como é de praxe, os deputados estaduais capricharam na torcida para o dia da posse. Familiares, amigos, ‘candidatos’ a amigo e a assessor, o que não faltou foi gente nas galerias para aplaudir os novos parlamentares.

Funções delimitadas
Uma das propostas do novo presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado Nelson Justus (PFL), vai render pano para manga. Justus quer delimitar de maneira clara as responsabilidades de cada cargo na Mesa Executiva. Além do presidente, são três vice-presidentes e cinco secretários.

Secretário multifunção
O cargo de maior destaque é o de primeiro secretário, que fica com boa parte das responsabilidades administrativas da Casa. É também função do cargo descascar abacaxis como a briga pelos gabinetes da Casa. Coube ao deputado Nereu Moura (PMDB), primeiro secretário da última legislatura, instituir um sorteio para acabar com o bate-boca pelos melhores gabinetes.

Contas de 1996
O Tribunal de Contas (TC) do Paraná deve julgar nas próximas semanas um recurso de revista do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida. O TC encontrou problemas nas contas da prefeitura relativas a 1996.

Recomendação
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), presidida pelo empresário Rodrigo Costa Rocha Loures, encampou a candidatura Gustavo Fruet (PSDB) à presidência da Câmara dos Deputados. Em mensagem encaminhada a parlamentares antes da votação, afirma que ‘‘Fruet constitui uma alternativa honrada para a presidência da Casa, neste momento de graves decisões para o Legislativo Nacional’’.

(In) fidelidade empresarial
O filho do presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures (PMDB) elegeu-se deputado federal em 2006 e teve ontem seu primeiro dia de trabalho no Congresso. Eleito com apoio do empresariado, Rocha Loures (filho) não seguiu a recomendação do pai - e da classe patronal. Em nome da fidelidade partidária, deixou de lado a fidelidade às bases, e declarou voto em Aldo Rebelo para a presidência.

Perguntinha
Alguém tem idéia do que pode rolar numa disputa como essa da Câmara Federal?

Equipe da Folha | [email protected]

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