Informe Folha
INFORME FOLHA
Samba do crioulo doido
Em política quase sempre a lógica é vítima do casuísmo. Os partidos de esquerda se preparam para enfrentar com todas as armas possíveis e imagináveis a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas no Paraná, ignorando o que se passa no resto do país, a esquerda namora o PSDB de Álvaro Dias, em tese o representante do neoliberalismo encarnado em FHC. Além de cômico, vai ser trágico assistir ao horário eleitoral da TV. Em âmbito nacional, as esquerdas batendo firme na política do PSDB. No local, afagos e trocas de gentilezas. Mas neste samba do crioulo doido sobra outro absurdo: o PSB do governador de Pernambuco Miguel Arraes coligado com o PFL do governador Jaime Lerner.
Foguetório
O Palácio Iguaçu prepara hoje recepção especial para o governador Jaime Lerner. Ele desembarca às 10 horas no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, de volta da sua viagem aos Estados Unidos e Japão. O secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann, organiza o foguetório para festejar os três convênios externos firmados pelo governo no exterior.
Movimentação
A chegada de Lerner será marcada pela movimentação dos partidos que dão sustentação ao governo e que estão de olho na sucessão de Hermas Brandão, na Agricultura. Os aliados querem interferir na indicação, que se depender de Lerner será técnica. O PTB deseja manter a pasta sob o seu domínio e conta, para isso, com o apoio do PFL de Aníbal Khury.
Pendurada
A exoneração de Brandão, que deixou o governo na segunda-feira, levará a assinatura de Lerner. A formalização do documento é aguardada com expectativa pelos adversários internos do ex-secretário, que acabaram se fortalecendo com o episódio. A governadora em exercício, Emília Belinati, deixou a missão para o governador. Ela preferiu não assumir o ônus da demissão.
Cotados
O presidente do Banestado, Neco Garcia, e o vice-presidente da Cooperativa de Cascavel, Ibraim Fayad, são os nomes mais lembrados para a função. Garcia já se antecipou e disse que é covardia trocar de posto na iminência de iniciar o processo de saneamento do banco. Fayad é comedido. Diz que não entende de política, que é amigo pessoal do governador e que até agora não foi procurado.
Empecilho
Fayad trabalhou 32 anos para o antigo Bamerindus. Assumiu o comando da Coopavel entre 85 e 95. A sondagem do meu nome para assumir a Agricultura no Estado não passa, por enquanto, da generosidade de amigos, declara. Apesar do peso da amizade, o nome de Fayad pode ser visto com ressalva pelo governador. Brandão estaria por trás das costuras que apontam a sua indicação.Trombada
Os deputados Luiz Claudio Romanelli e Caíto Quintana nem parecem que integram a mesma bancada, a do PMDB, na Assembléia. Os dois se digladiam nos últimos dias para criticar o programa de duplicação das rodovias e a cobrança de pedágio, planejados pelo governo Lerner. Quintana queria dar com exclusividade o furo, mas foi pego de surpresa anteontem pela agilidade de Romanelli.
Convergência
Paternidade à parte, os peemedebistas convergem na tese de que o pedágio, a ser cobrado a partir de maio de 98, é uma exploração e não solucionará os problemas das rodovias do Paraná. Quintana e Romanelli estão de cabelo em pé com os custos de cobrança. Eles citam como exemplo o trajeto que liga Foz do Iguaçu a Paranaguá. O motorista de carro a passeio pagará R$ 26,50 em pedágio.
Jeitinho
O prefeito Antonio Belinati (PDT) conseguiu arrumar um jeitinho de unir o útil ao agradável, quando nomeou a socióloga Dora Barnabé para a Secretaria Especial da Mulher. O fator político pesou. Dora Barnabé é esposa de Marcos Barnabé, presidente da comissão provisória do PSB. O filho do prefeito, Antônio Carlos Belinati, é o vice e disputa uma das cadeiras da Assembléia.
Fim da festa
A Assembléia Legislativa praticamente encerrou o período extraordinário, ontem. Os deputados já podem gozar o recesso parlamentar em suas bases eleitorais. O Executivo sinaliza que não há mais o que se discutir com urgência. Os maiores assuntos como o saneamento do Banestado e a autorização para a venda de ações da Sanepar já foram liberados em plenário.
Retorno
O prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto, não está disposto a apressar a sua filiação. Sem partido há cerca de um mês - ele deixou o PSDB - Canto sinalizava ontem a possibilidade de retornar ao PSC, partido que o elegeu deputado estadual em 94. O fundador do PSC no Paraná, Antonio Macedo, vive me convidando. Por que não?, cogitava.
Índio
O presidente da Funai, Sulivan Silvestre de Oliveira, deixou Guarapuava ontem esperando que os representantes indígenas de 17 reservas indiquem um nome para substituir o atual administrador da Casa do Índio, em Curitiba, Sérgio Campos. A vontade dos índios é que a regional da Funai em Curitiba fosse extinta. Eles alegam que na região há poucos índios e muitos gastos. Para Oliveira, o problema está na má administração.Vapt-Vupt
A política agressiva de incentivos adotada pelo município de Londrina, e que atrai US$ 350 milhões, é destacada pela última edição da revista Amanhã. A reportagem destaca os investimentos da indústria coreana de pneus Kumho, Beta Sul e da fábrica de embalagens Dixie Toga.
A coreana Kumho confirmou o projeto de instalação da fábrica em Londrina, mesmo depois da forte queda das bolsas de valores e a crise asiática. Produzindo 30 milhões de pneus por ano, a Kumho quer concretizar o projeto de estar entre os cinco grandes do setor até a virada do século.
O presidente do PPB José Janene e o pré-candidato ao governo do Paraná, deputado federal Ricardo Barros, aproveitaram a pauta fraca em Brasília para colocar a conversa em dia. Eles preparam um plano de ação para a consolidação dos candidatos majoritários, inclusive de Toni Garcia ao Senado.
José Fernando (interino), de Curitiba, com Redação e sucursais





