INFORME FOLHA
Pesquisas na rua
Na semana passada foi a Vox Populi, ontem o Instituto Datafolha. A corrida eleitoral de 98 começa a envolver a atenção da população e políticos na fechada do ano de 97. No Paraná, o resultado divulgado pelo Datafolha revela que em três anos o governo Jaime Lerner (PFL) ainda não se consolidou. A popularidade dele e a do ex-governador e presidente da Telepar, Álvaro Dias (PSDB), são idênticas: 35%. O resultado não é favorável ao governo e complica ainda mais quando se atenta para o índice do terceiro colocado, o senador Roberto Requião (PMDB), que aparece com 22%. Até prova em contrário, Requião e Álvaro são parceiros de uma aliança, que pode alcançar ainda Luiz Eduardo Cheida (PT), que teve 2%. Pelo menos até aqui, a oposição está vencendo o jogo.Rumo fechado
Antes de o PMDB fechar posição sobre candidatura própria ou apoio a FHC, Requião e Álvaro Dias mantêm-se na expectativa para 98. Vencendo a teoria da candidatura própria, Requião será o candidato presidencial e Álvaro sai para o governo do Paraná, sem contestações.
Futurologia
Requião sai para presidente mesmo sem chances de vitória - com endosso de Sarney e Quércia -, desde que a ala ‘independente’ convença a governista a se bandear para a oposição, tarefa das mais difíceis. A intenção é fazer do senador uma liderança nacional para ver se vinga só em 2002.
Espinhos
A dúvida crucial no grupo que aposta na união Álvaro-Requião é saber como fica Álvaro Dias em relação a Fernando Henrique Cardoso. O presidente da Telepar já disse inúmeras vezes que será fiel à reeleição de FHC.
Alternativa
Vencendo a tese do apoio do PMDB a Fernando Henrique, começa a prevalecer a estratégia de Álvaro: entre ele e Requião, sai para governador quem estiver melhor colocado nas pesquisas lá por março. A se manter os índices atuais, dá Álvaro.
Risco
Como Requião não sairia candidato a nada se prevalecer a hipótese de Álvaro candidato, o dilema é escolher um nome forte para a vaga do Senado, na chapa. Uma proposta já aventada pelo presidente da Telepar é lançar o irmão do senador Requião, Maurício Requião (PMDB). Há quem não veja em Maurício chance de reeleição à Câmara dos Deputados.
Amarras
Por certo, a proposta de Álvaro Dias (de Maurício Requião para o Senado) esconde mais do que a questão da densidade eleitoral: seria a garantia de que o senador Requião se empenharia na campanha para eleger o irmão -, coisa que as avaliações pós-derrota de Álvaro para Lerner, em 94, não detectaram. Requião faturou o Senado com a popularidade de quem tinha acabado de ser governo e não amassou barro pelo candidato do grupo, acusam as análises.
Retiro
A maioria dos secretários de Estado, entre eles Giovani Gionédis (Fazenda), Miguel Salomão (Planejamento), Rafael Greca (Casa Civil), Ramiro Warhraftig (Educação) e Armando Raggio (Saúde), passaram os respectivos comandos para os diretores gerais e saíram de férias. Alguns descansam por um mês, mas quem olha para as eleições de 98 volta antes.Jogral
O PPB do Paraná anda se ‘esmerando’ nos clips de propaganda política na TV. O que está no ar atualmente, com mensagens de final de ano, parece um jogral de colégio. A conversa ensaiada é entre os deputados Ricardo Barros (pré-candidato ao governo), o presidente regional, José Janene, e o pré-candidato ao Senado, Toni Garcia.
Candidatíssimo
Se Emília Belinati conquista a candidatura oficial ao Senado, as vacâncias de Lerner serão preenchidas pelo presidente do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz César. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), não assume o posto porque vai buscar sua nona candidatura a estadual.
Primeira mulher
Prefeitos, vices e vereadores de 21 municípios do Norte Pioneiro aproveitam o final de ano para marcar o slogan ‘Emília Belinati, primeira senadora pelo Paraná’. Eles dizem reconhecer nela ‘‘uma autoridade que está sempre com o gabinete aberto para os representantes do interior, principalmente dos pequenos municípios’’.
Gincana
O deputado estadual Renato Adur (PMDB) deixou a família em Caldas da Imperatriz (SC), caiu no congestionamento da BR-101 até Florianópolis e quase perdeu o vôo das 8h15 até Curitiba. Tinha garantido presença na sessão extraordinária de ontem, da Assembléia Legislativa, e cumpriu a promessa.
Relâmpago
À sessão da Assembléia de ontem compareceram 23 deputados e a pauta deixou a desejar: durou parcos quatro minutos. Votou-se a prorrogação da viagem de Lerner ao exterior até 10 de janeiro e duas alienações de lotes pertencentes ao Estado: um em Tibagi e outro em Boa Ventura.
Agenda 98
A agenda do primeiro dia útil de 98 da governadora em exercício, Emília Belinati, já está anotada. O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, desembarca em Curitiba para assinar convênios.Vapt-Vupt
• O reitor da UEL, Jackson Proença, vive a dúvida de sair candidato a deputado ou à reeleição para reitor. De partido ele já mudou há algum tempo: deixou o PDT pelo PTB, com ficha abonada pelo secretário Hermas Brandão, da Agricultura.
• Cheio de problemas administrativos pela frente, o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (sem partido), tirou estes dias de pouca atividade para fazer o que mais gosta. Está arriscando uma boa pescaria no recanto do Rio Botuquara, nos Campos Gerais.
• A indefinição do PSDB de São Paulo é tamanha que o Instituto DataFolha testou a popularidade de quatro deles, na pesquisa que a ‘‘Folha de S. Paulo’’ divulgou ontem. José Serra, Sérgio Motta e Paulo Renato Souza apresentaram desempenho sofrível. Só Mário Covas mantém chances de reeleição, mas continua jurando que não é candidato.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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