Informe Folha
INFORME FOLHA
Saída discreta
Uma nota da Comunicação Social do governo confirmou ontem que o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, fica na função até 4 de janeiro. Já no dia 5, ele reassume a condição de deputado estadual e, inclusive, retoma sua campanha pró-reeleição. A nota oficial informa que Brandão pediu desligamento, quando, na verdade, foi pressionado a fazê-lo pelo próprio governador Jaime Lerner, em função do episódio - ainda não esclarecido - de desvio de recursos agrícolas em Faxinal, Norte do Estado. O secretário tem garantido que as acusações são absurdas, mas o clima no governo se tornou irrespirável, até porque o episódio virou bode expiatório para fritar suas pretensões de buscar a vice de Lerner. A investigação do Ministério Público virou trunfo dos que o queriam fora do páreo para fortalecer as próprias pretensões.
Raiva e Saliva
Raiva e Saliva não é o nome de uma dupla caipira, como sugere. Nem personagens do desenho animado. Foi como o governador identificou ontem Roberto Requião e Osmar e Álvaro Dias. O raiva é Requião, e saliva, os irmãos Dias, conforme o próprio Lerner, no discurso da ADVB.
Jingle Bell
Álvaro Dias não mereceu a ironia de Lerner, quando entregou obras na região de Foz do Iguaçu, ontem. Neste final de ano eu só falo da Telepar e do Natal, disse a repórteres, quando questionado sobre a dívida do governo para com a estatal de telecomunicações e a sucessão estadual.
Ilações
Como estou em atividade na empresa, procuro evitar que as pessoas façam ilações a respeito dos nossos objetivos. Prefiro não misturar as bolas, afirmou o ex-governador. Mas Álvaro não perdeu a oportunidade de se apresentar como um bom administrador, ao dizer que a Telepar fecha o ano com lucro, ao mesmo tempo em que desenvolve um dos maiores programas de invetimentos da história.
Tombo 1
A moda está pegando. Depois que o presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Adalberto Pereira (PFL), permaneceu no cargo por força de uma liminar, o exemplo se repete. Em Jataizinho, Norte do Estado, o presidente da Câmara, Marcos Alexandre Domingues (PSDB), conseguiu evitar a eleição com um parecer jurídico.
Tombo 2
Domingues descobriu que a mudança da regra feita em 92 - quando o mandato do presidente foi encurtado de dois para um ano -, simplesmente não consta em ata. A mudança não foi votada nem discutida. Estava tudo irregular, diz. Os vereadores adversários de Domingues bem que espernearam, mas de nada adiantou. Em represália, Domingues proibiu os adversários até de usarem o telefone da Câmara.Vão ser tratados a pão e água, avisou.Sinais
O presidente do Banestado, Manoel Cid Garcia, não participou do café-da-manhã com que a ADVB brindou o governador ontem. Sua ausência foi interpretada como sinal de mudança para a Agricultura. Mas também corre o comentário de que Lerner assumiu compromisso de trocar Brandão por um nome do mesmo grupo - liderado por Aníbal Khury -, o que deixaria Garcia em desvantagem.
Puxando cordão
A saída de Hermas Brandão foi apresssada, mas puxa o cordão da reforma do secretariado, que se delineia a partir da primeira semana de janeiro.
De volta
A vice-governadora Emília Belinati desembarcou ontem em Londrina, de retorno da viagem a países asiáticos. Trouxe na bagagem muita expectativa de negócios para o Paraná, principalmente do Japão, que devem ganhar solidez só depois de afastada a crise financeira dos Tigres, que faz tremer a economia de todo o mundo.
Água fresca
O prefeito Antonio Belinati pediu autorização à Câmara para emprestar R$ 80 milhões do Sercomtel. O combativo Sindicato dos Telefônicos (Sintel) não esboçou qualquer reação. Quando o ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida fez o mesmo pedido, só faltou ser apedrejado não só pelos telefônicos como pelos petistas. Segundo um ex-dirigente petista de Londrina, o PT mudou e parece só querer sombra, água fresca e cargos.
Muy amigo
O ex-presidente da Comurb, de Londrina, Cléber Tóffoli foi, mais uma vez, colocado como principal responsável pela contratação irregular de mais de 200 funcionários. Antonio Carlos Belinati, de 22 anos, diretor financeiro da Comurb e filho do prefeito Antonio Belinati, disse em depoimento à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público que nada sabia com relação às contratações. Tóffoli continua segurando o rojão sozinho. Ninguém sabe até quando.
Isolamento
Há fatos que ocorrem no Estado e chocam a população e que não respingam no governo, ainda que ele seja o centro da questão. A área de segurança, com raras exceções, é o exemplo mais gritante. Ontem não houve uma única manifestação do governador sobre o assassinato do empresário Júlio César Marino, do grupo J. Marino, detentor da marca Cotam/Itamaraty. Nem os empresários que se reuniram na ADVB para homenagear Lerner fizeram qualquer referência ao assunto.Vapt-Vupt
A matéria da revista Veja que avalia a situação financeira do Paraná ganhou as ruas do Estado inteiro. O material foi reproduzido e a panfletagem é intensa. Como por exemplo ontem, na Boca Maldita de Curitiba.
A onda de boataria de mudança também na área de Comunicação do governo cresce e revela, pelo menos, que há intensa articulação para uma mexida. O secretário de Comunicação de Cássio Taniguchi, David Campos, teria sido sondado por uma corrente palaciana. Mas descartado no ato.
Assessores de Álvaro Dias garantem que o motivo da ação que o ex-governador move contra o presidente da Câmara de Campo Mourão, Edson Battilani (também tucano), não se deve a um bate-boca sobre fundação do PSDB, mas a uma entrevista de Battilani a uma rádio local, em que ele dirigiu todo tipo de xingamento ao presidente da Telepar. Álvaro Dias nunca disse que fundou o PSDB, rebate um assessor.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais





