INFORME FOLHA
Minutos de pavor
A comitiva de Londrina que viajou ontem de manhã para Curitiba para uma audiência com o governador Jaime Lerner sobre a segurança pública no município viveu um quarto de hora de pânico a uma altura de cinco mil metros, quando o Folker-50 da Rio Sul teve uma pane no motor esquerdo e precisou retornar ao aeroporto de Londrina, 15 minutos após a decolagem. Os integrantes do Fórum Permanente de Segurança ainda embarcaram noutro avião duas horas depois. Entre estressado e aliviado, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Abílio Medeiros, reclamava da falta de concorrência nas rotas aéreas domésticas e do absurdo do preço da passagem em relação às internacionais. ‘‘A passagem é cara, os aviões são velhos e não há manutenção’’, resume.
Recuperando a fé
Passado o pânico, já em terra firme, o delegado adjunto de Londrina, Acácio Azevedo, disse ter tirado uma ‘‘lição positiva’’ da pane do Folker-50 da Rio Sul. Na hora do pânico, ele voltou a rezar. ‘‘Há muito tempo que eu não fazia isso’’, confidenciou.
Melhor os buracos
‘‘No meio da pane, deu uma saudade da Rodovia do Caf钒, contou o presidente da Acil, Abílio Medeiros. Ele admitiu que a figura mais lembrada, depois de passado o susto com o vôo da Rio Sul, foi o prefeito Antonio Belinati, que não entra num avião - porque morre de medo - e tinha se deslocado de Londrina para Curitiba, de carro, já na noite anterior.
Governo paralelo
O poder em Foz do Iguaçu anda deixando El Ni¤o no chinelo. Alegando que a cidade corre o risco de ficar ingovernável com a crise instalada entre o prefeito Harry Daijó (PPB) e o vice, Paulo MacDonal Ghisi (PDT) - demitido do cargo de secretário de Obras - partidos de esquerda estão lançando a idéia do ‘governo paralelo’. Mac Donald disse que topa, talvez pensando em ser esse ‘prefeito’.
Pé firme
Daijó queria viajar no início desta semana, mas foi alertado por assessores para que não arredasse pé da cidade, para ver o bombardeio do vice-prefeito de perto. Ontem, ao contrário do costume, ele acordou cedo e tomou café com merendeiras da prefeitura. O café tomou cinco minutinhos de sua agenda.
‘Promovido’
O prefeito de Foz não demitiu seu homem de confiança, Adilson Rabelo (ex-chefe de Gabinete), em meio à confusão. ‘‘Na verdade, como ele era suplente de vereador, o prefeito lhe deu promoção’’, diz a oposição. Rabelo pediu afastamento e Daijó puxou o vereador Mohamad Barakat (PPB) para a Secretaria do Desenvolvimento Social e, com isso, Rabelo assumiu a vaga Câmara. Trocou um salário de R$ 4,5 mil por um de R$ 4,7 mil mais R$ 5,1 mil a título de ‘‘contratação de assessoria’’.Segredo quebrado
Até o presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene dar a dica, o Palácio Iguaçu informava que o governador Jaime Lerner viajou a Brasília no meio da tarde de ontem para ‘‘uma reunião com o PFL’’. Na verdade, esclareceu Janene, a viagem foi para um encontro com o ex-governador Paulo Maluf. Com a informação correndo, o gabinete do governador se viu obrigado a ‘‘corrigir a rota’’ da pauta.
A pedido
Nos últimos dias, Lerner está mais do que aplicado em garantir que o PPB caminhe a seu lado na eleição de 98. Foi a pedido dele o encontro de ontem com Maluf. O governador não quer nem pensar em ver o PPB de braços dados com Álvaro Dias (PSDB) ou Roberto Requião (PMDB). Nem os estrategistas do governo consideram que a candidatura Ricardo Barros - um aliado de todas as horas - seja para valer.
Raposa
Para Janene, que intermediou o encontro Lerner-Maluf, o líder-mor do PPB ‘garantiu’ que se encontraria com o governador do Paraná, ‘‘mas que a decisão sobre alianças cabe exclusivamente às lideranças do Estado’’. Palavras do presidente regional.
Pura emoção
Pelo menos em relação ao governo federal, de oposição o PPB não tem mais nada. Ontem o partido deu aval incondicional ao ajuste fiscal, num encontro com FHC. José Janene, que estava lá, classificou o encontro de ‘‘emocionante’’. ‘‘O presidente salientou com todas as letras que agora ele reconhece quem são os verdadeiros aliados. O PPB foi o único a oferecer sua solidariedade ao presidente’’, fatura o deputado.
Cabo forte
Ele é líder e guru do PFL, mas não tão dogmático assim: o ex-governador Ney Braga disse ontem que Emília Belinati (PTB) será sua candidata ao Senado em 98. Ney ligou ontem para o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, antecipando que ele e sua mulher, Dona Nice, querem votar na vice-governadora.
Placar
Foi por volta das 14h30 de ontem que Curitiba ‘emplacou’ seu eleitor de número 1.000.000. A jovem Taline Zílio de Souza, de 17 anos, eleitora de FHC e de Lerner no próximo ano, teve o título autorizado pelo presidente do TRE, Vicente Troiano Neto, no centro de atendimento informatizado. Curitiba foi a sétima capital a atingir a marca: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Fortaleza lideram o ranking nacional.Vapt-Vupt
• Dois deputados paranaenses integram uma comissão externa da Câmara que investiga o tráfico de meninas brasileiras para prostituição no Paraguai: Padre Roque (PT) e Djalma de Almeida César (PMDB). Os dois estão no Paraguai desde segunda-feira. Também estão na investigação Dalila Figueiredo (PSDB-SP) e Nilmário Miranda (PT-MG).
• Do apresentador Sérgio Ricardo (que recusa o ‘‘enquadramento’’ como Ratinho Cover), da TV Carimã/Rede Gospel, de Cascavel, candidato não eleito uma vez a vereador e outra a deputado, não admite estar ‘‘desencantado’’ com a política: ‘‘Quem desencantou foi o povo, que não quis mais votar em mim’’.
• Na audiência com os integrantes do Fórum de Segurança de Londrina, Lerner orientou a equipe para que inicie o processo de licitação da cadeia pública da cidade. E promete autografar a obra in loco.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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