INFORME FOLHA
Sercomtel no pacote
O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, apelou por duas vezes ao presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, para que a empresa de telefonia de Londrina ‘detone’ seu processo de privatização junto com o programa da Telebrás, de venda do comando das empresas estatais, num pacote único. A tendência da direção da empresa de Londrina é concordar com a proposta. A abordagem de Motta foi em Foz do Iguaçu, onde o ministro comanda o Semint 97 - o megaseminário do setor. As privatizações no sistema Telebrás têm cronograma para 30 de junho de 98, mas devem atrasar. Até lá, a Sercomtel completa a avaliação de capital que iniciou, cuja licitação está sendo disputada por instituições do porte da Salomon Brothers e Deutch Bank.
Pão e circo
Na passagem pelas cidades, os líderes sem-terra têm pedido ajuda dos prefeitos em alimentos, abrigo e transporte. Ontem, em Londrina, Antonio Belinati recebeu um pedido adicional: ingressos para o jogo da noite, entre Londrina e Náutico. Belinati arrumou 300 ingressos e ainda colocou à disposição quatro ônibus para transportá-los ao Estádio do Café. Sem-terra, mas com-jogo!
Paletó e gravata
‘‘É um presente de Londrina ao MST, por não termos invasão aqui’’, justificou Belinati. E tratou de emendar: ‘‘A única invasão que admitimos é de investidores internacionais interessados em montar indústrias na cidade.’’
Agulhas
Depois de afirmar que não há prefeito que possa se queixar da ausência de obras do governo em seus municípios, Lerner anunciou tratamento heterodoxo. Daqui para a frente trata dos problemas na base da ‘‘acupuntura’’.
Flor da idade
Campo Mourão completa 50 anos na sexta-feira. E comemora com carneiro no buraco, é claro.
Dia impróprio
O secretário de Administração de Londrina, Moysés Leônidas, diz que não foi bem um ‘‘não’’ que deu em resposta ao convite para a reunião que discutiria a segurança do Zerão. ‘‘Fiz até um favor ao ponderar com os organizadores que hoje (ontem) era dia de jogo do Londrina. Não recusei convite nenhum, mas pela leviandade, não compareço se for chamado.’’ Ele só promete que ‘‘o problema será resolvido’’.
Bagre ensaboado
Osmar Dias (PSDB) fez questão de espalhar para os jornais o que, para ele, ‘‘é prova da falsidade’’ do secretário Giovani Gionédis, da Fazenda. ‘‘Eu quero aqui de público coloar uma defesa ao senador Osmar Dias, que, embora de oposição, sempre pautou por esse princípio da imparcialidade...’’, disse Gionédis, ao iniciar exposição na CAE, ontem, em Brasília.Aliança
Um dos pontos que ficou evidente no programa gratuito que Requião ocupou integralmente na segunda-feira foi que o PT já canta a música dele. Além de Roberto Baggio, do MST, desfilaram fazendo perguntas ao senador vários líderes sindicais, dois deles candidatos a cargos legislativos pelo PT em eleições passadas.
Duplo interesse
Como o programa do PMDB foi transmitido apenas para o Estado, Requião aproveitou para se apresentar como candidato ao governo. Se o programa fosse nacional, o discurso mudaria: nesse campo ele joga com a presidência da República.
Só na certa
Antes de Requião abrir sua metralhadora giratória contra o governo nas telinhas, a avaliação do Palácio Iguaçu era a de que o chefe da Casa Civil, Rafael Greca, só estaria disponível para o contra-ataque de repercussão se o senador não elegesse determinados secretários como alvo. Requião foi genérico e já na manhã de ontem, Greca estava se dispondo a entrevistas.
Previsível
‘‘É discurso político que vai se arrastar até a campanha eleitoral.’’ Da governadora em exercício, Emília Belinati, sobre o ‘‘programa-entrevista’’ de Requião, na TV.
Apuração
Emília Belinati determinou ontem à direção do IAP um estudo apurado sobre o desmatamento executado na Fazenda Giacometi & Marodin. Ela quer comprovação de que a mata foi destruída pelos sem-terra acampados na área. Emília também teve tempo de comemorar com funcionários do Iapar a aprovação do quadro próprio dos técnicos do órgão de pesquisa agrícola, que tem sede em Londrina.
Costureiro
Lula conversou ontem em São Paulo com o ex-presidente do PT do Paraná Jorge Samek. O líder-mór acompanha de perto as costuras para uma aliança com Requião. A hipótese Álvaro Dias para o Senado entrou também na avaliação. Na ala mais pragmática do PT já se fala abertamente que, se necessário, engole-se até este sapo.

Marcha-à-ré
Depois de pontear na imprensa liderando a campanha para transferência das garagens de ônibus urbanos de Curitiba para áreas onde as madrugadas dos vizinhos não se traduzam em pesadelo, o funcionário da Assembléia Legislativa Sérgio Maravalhas foi ‘gentilmente’ convidado pela direção geral da Casa a assinar sua carta de demissão. Será que alguém na Casa mantém ligação direta com empresários do setor? Vapt-Vupt
• O deputado estadual João Techy (PPB) integrou ontem um grupo de empresários que se encontrará com o governador na Ucrânia. Correm atrás de intercâmbios nas áreas de Agricultura e Saúde e, quem sabe, de investimentos na região Centro-Sul do Estado.
• Não deve haver chapa única ao diretório do PMDB de Cascavel. As alas do ex-prefeito Fidelcino Tolentino e do deputado Hermes ‘‘Frangão’’ Parcianello apostam no ‘desentendimento’.
• Prefeitos do Litoral do Estado não querem nem ouvir falar em ano escolar iniciando antes do Carnaval de 98, como quer o secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig. Uma comissão foi ontem à Assembléia pedir reforço no bloco dos descontentes. Não querem correr o risco de ver as praias vazias - e consequentemente o comércio - nos quatro dias de folia.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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