INFORME FOLHA
Pouco lastro
No mercado financeiro circula a informação de que Carlos Valente está sendo substituído na presidência da Banestado Corretora por causa de uma operação de compra de títulos do Estado de Santa Catarina no dia 6 de agosto. A Banestado Corretora comprou 20 milhões de títulos públicos em poder da Divalpar, que horas antes os havia adquirido do governo de Santa Catarina. O ágio pago pela Banestado Corretora teria sido de 0,10%. Se a compra tivesse sido feita diretamente do governo catarinense, o desconto seria de 0,50%. Segundo informações que chegaram aos ouvidos do senador Roberto Requião (PMDB), a operação encareceu o pacote de ações em R$ 7,5 milhões. O volume adquirido também extrapolou o limite autorizado pelo comando do banco.
Troco
Ao ler a matéria publicada ontem na página 6 desta Folha, onde Rafael Greca ‘empurrava’ Emília Belinati a disputar a vaga de vice, o prefeito de Londrina, Antonio Belinati, agiu rápido. Pegou o telefone e mandou confeccionar uma faixa enorme com os dizeres: ‘‘Emília para o Senado’’. ‘‘Eu nunca vi um pintor fazer uma faixa de campanha tão rápido’’, disse ontem um secretário da prefeitura na festa de filiação de Emília ao PTB.
Perigo vizinho
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) manteve por um ano e meio um barracão com resíduos tóxicos, com risco de explosão - lixo industrial trazido de outros Estados - num barracão vizinho a Curitiba. Vale lembrar que a equipe que comanda a Secretaria do Meio Ambiente do Estado é a mesma que emplacou o marketing da ‘‘Curitiba, capital ecológica’’, que tanto consagrou Lerner.
Sem-teto
O secretário da Habitação, Rafael Dely, reagiu com ironia à contestação da pesquisa da Cohapar, feita pelo coordenador do Movimento de Luta pela Moradia, Manoel Proença. ‘‘Faltou teto par ao desastrado vôo do coordenador’’, comentou Dely. ‘‘É preciso seriedade quando se trata com números: 800 mil famílias sem-teto, como quer o senhor Proença, representam 3,6 milhões de pessoas, ou 40% da população do Paraná, o que é um absurdo’’, aponta.
Equilíbrio
Lerner tachou de absurdas as ações armadas de fazendeiros e sem-terra no campo. Disse saber estar desagradando ‘‘os dois lados’’, mas que atitudes fora da negociação ‘‘são sinônimo de conflito e nós continuamos atrás do diálogo’’, reafirmou.
Sem-força
Neco Garcia espalhou para todo mundo que Maria de Oliveira está de saída da superintendência do Incra. ‘‘Estive com ela ontem (anteontem). Ela está fazendo um belíssimo trabalho, mas foi promovida para Brasília’’, garantia Garcia. Em Curitiba, mais tarde, o presidente do Incra, Milton Selligman, não confirmou.Ironia fina
‘‘O Greca diz que eu deveria ir para a vice; o Aníbal Khury sugere que eu concorra ao Senado, e eu me sinto muito honrada com as defesas dos dois para dois cargos tão importantes. De qualquer forma, é muito cedo para decisões’’. Da vice-governadora Emília Belinati, ontem, no ‘‘Bom Dia Paranᒒ, da Globo.
Calma, Rafael
‘‘Se a Emília for candidata ao Senado, o Rafael (Greca) pode aguardar mais um pouco. Ele está novo, tem só 37 anos e uma bela carreira política pela frente’’. Comentário do presidente estadual do PFL, José Carlos Carvalho, ontem em Londrina.
Espetinho corrido
‘‘Ficamos felizes que o PTB seja um partido rico em nomes. Temos espetinho corrido: gente boa para o Senado, governo, Câmara dos Deputados e Assembléia’’, disse o presidente do PTB, Nelson Justus, entre uma mordida de salgado e um gole de refrigerante, num barzinho do shopping onde foi realizada a filiação de Emília.
Suspense
Justus estava empolgado e disse que Emília é ‘‘prioridade no partido’’. Sobre o futuro da vice (repeteco da aliança com Lerner em 98 ou Senado), ele tangenciou: ‘‘A decisão deve passar por uma reflexão conjunta entre ela, o partido e o governador’’.
Política e fé
Começou em festa e terminou com oração a filiação de Emília Belinati ao PTB. Flores, banda de música, faixas e coro pró-candidatura dela ao Senado compuseram a cena. Os organizadores da festa encheram centenas de bexigas nas cores do PTB (preta, vermelha e branca), que caíram do teto sobre a vice, depois de ela assinar a ficha trabalhista.
Novo visual
Emília Belinati mudou o visual para a festa de ontem. Cortou os cabelos e reafirmou elegância vestindo blazer e calças compridas. Ela foi recepcionar o governador Jaime Lerner no aeroporto e só depois seguiu com ele para o Com-Tour Shopping Center, local da festa.
Só risos
Lerner passou a sorrir até embarcar no avião de retorno a Curitiba, depois de ouvir de Emília Belinati um agradecimento público ‘‘por estar sempre sorrindo’’. Normalmente, em desembarques em Londrina, o governador costumava ficar sério e, não poucas vezes, até ríspido.
Com o povão
Nem no palanque de autoridades subiu o prefeito Antonio Belinati (PDT). Ele capitaniou a festa para Emília, mas ficou no meio do povo, como gosta.Vapt-Vupt
• Ciro Gomes ligou ontem para o ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno (PSDB). Fazendo convite explícito para que o tucano abandone as fileiras de FHC e abrace o socialismo do PSB. Com direito à vaga de candidato ao governo do Paraná em 98. Bueno ficou com coceiras.
• O ingresso de Emília Belinati no PTB estimulou a adesão de mais mulheres. A empresária de Curitiba Vera Abage foi uma das primeiras a assinar a ficha no partido.
• Sintoma de disputa à frente: o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), não engordou a comitiva a Londrina para a festa de Emília Belinati no PTB. Nem o presidente da Assembléia, Aníbal Khury. O primeiro quer o Senado, o segundo articula no nome do secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), à vice de Lerner em 98.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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