Mazelas do poder
O apoio que o senador Roberto Requião recebeu de colegas senadores contra a cassação pelo TRE do Paraná não é de estranhar. Muitos integrantes do Senado já foram governadores e sabem que os motivos da cassação do senador paranaense são prosaicos, ainda mais se comparados com os 2,3 milhões de votos que ele recebeu na última eleição. Na prática do poder, os governantes se valem da máquina pública como propriedade sua. A cassação de Requião pelo TRE - se desprovida da influência de um embate recente com o Judiciário - só passa para a história como um ato exemplar, não necessariamente seguido pelos que assumem o poder no País, nos Estados e nos municípios.

Sem timoneiro
Requião já descartou a hipótese de fazer uma mobilização como a de 92, após a decisão do TSE suspendendo sua cassação como governador. O coordenador do movimento na época, Mário Pereira, hoje está na oposição ao senador.

Tiroteio

Pereira diz que a cassação de Requião foi por ‘‘corrupção’’. O senador rebate: ‘‘Para quem sabe ler, a acusação é de uso da máquina. Fiz, se não o mais sério governo, pelo menos tão sério quanto o mais sério deles’’.

Sem quórum

Amigos de Requião fazem troça com a hipótese de nova mobilização. Sem o poder, dizem, seria difícil reunir mais que meia dúzia. ‘‘Um daria a desculpa que está com o filho doente, outro que tem viagem marcada e assim por diante’’, resume Caíto Quintana.

Confiança

A despreocupação mostra a confiança que o grupo tem no TSE. Os requianistas acham que a decisão do TRE será derrubada em Brasília.

Furioso

O chefe de gabinete de Lerner, Gerson Guelmann, está irado com o prefeito Luiz Eduardo Cheida. Ele nega que tenha pressionado Cheida a apoiar Belinati para obter recursos do governo para Londrina - como o Informe publicou ontem. ‘‘Jamais falei com ele a sós em minha vida’’, emenda.

Foi outro

O chefe de gabinete de Cheida, Agnaldo Kupper, disse que houve equívoco de nomes. ‘‘A pressão foi do chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, no Palácio Iguaçu, há cinco meses, quando Cheida foi discutir recursos do Paraná Urbano para Londrina. De qualquer forma, partiu de uma pessoa ligada ao governador.’’

Mais eleição

As eleições municipais no Paraná não terminaram com o segundo turno em Londrina. O TRE ainda tem de definir a data da eleição de Irati, que teve a votação de 3 de outubro anulada pelo TSE. Quem espera para saber se pode ou não concorrer é o deputado Toti Colaço (PMDB), que ganhou, mas não levou.

Figa

Quem faz figa para garantir a manutenção de Toti Colaço no páreo é o deputado federal Paulo Cordeiro (PTB). O PTB integrou a coligação pró-Colaço e Cordeiro diz ter garantia de Lerner de que a ‘‘turma do Curtume’’ não vai desembarcar em Irati para trabalhar pelos adversários.Pequeno Polegar


O prefeito Rafael Greca e e a primeira-dama Margarita Sansone se superaram ontem, na largada da distribuição de presentes de Natal para crianças carentes. Além de conduzirem a festa com grande animação, no Memorial de Curitiba, os dois requisitaram almofadas para ficar confortavelmente de joelhos, na altura da garotada.

Clientelismo 1

O deputado federal Paulo Bernardo (PT) está criticando o Orçamento Participativo, uma das ‘meninas dos olhos’ do prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), com quem está rompido. Bernardo defendeu o programa no primeiro turno em Londrina. Agora, diz que ‘‘não funcionou bem e acabou truncado porque muitas decisões tomadas não foram cumpridas e ele se transformou numa prática clientelista.’’

Clientelismo 2

‘‘É importante melhorá-lo’’, diz Bernardo, que além do Orçamento Participativo incluiu quatro itens de sua campanha nos planos de Antonio Belinati. Bernardo lembra que uma lei aprovada pelos vereadores Alex Canziani (PTB) e Francisco Roberto (PT) instituiu, ano passado, o programa de renda mínima. ‘‘Mas até hoje não saiu do papel’’, alfinetou.

Cheida, não

O ‘lançamento’ da pré-candidatura do prefeito Luiz Eduardo Cheida ao governo do Estado na sexta-feira, quando ele foi votar no Senac, já encontrou resistência no próprio PT. Bernardo reagiu com ironia ao lançamento da pré-candidatura de Cheida. ‘‘Também posso me lançar candidato à presidência da Câmara.’’

Sem peso

Para Bernardo, o PT não tem condição de eleger um governador de Estado. ‘‘Não tem peso político’’, diz. Ele defende uma política ‘‘ampla’’ de alianças. ‘‘Agora, é claro, não vai ser com o PSDB. Acho que a maior lógica é uma aliança com o PDT. Provavelmente também vamos sair juntos para a presidência, contra o PSDB.’’
Vapt-Vupt

q Uma das primeiras pessoas a chegar ao escritório de Nilso Sguarezzi para comemorar a vitória do advogado no julgamento do TRE que cassou o mandato de Requião foi o ex-governador e presidente do PMDB, Mário Pereira.
q O filho de Mário Pereira, Luiz Fernando Pereira, foi constituído por Sguarezzi como advogado incumbido da cobrança dos R$ 100 mil de honorários de sucumbência, que o TRE aplicou contra Requião. Se conseguir cobrar, 20% ficam na família Pereira.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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