INFORME FOLHA
Tendão de Aquiles
O vice-presidente estadual do PFL, deputado federal Abelardo Lupion, não conseguiu arrebanhar pefelistas para uma reunião na sede do partido ontem em Curitiba, como prometeu no último sábado durante evento político patrocinado pelo prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi. Seus dirigentes preferem tratar do tema caixa 2 nos bastidores, à boca pequena, como estratégia para administrar a crise instaurada. O presidente estadual do PFL, ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, passou o dia em Curitiba, sentindo do perto os reflexos das investigações instauradas pelo Ministério Público na busca de contabilidade paralela. Os pefelistas estão preocupados com o escândalo. A sobrevivência da sigla depende dos desdobramentos do episódio. Cassio vinha sendo anunciado pelo comando do PFL no Estado como o candidato mais forte para a sucesssão de Jaime Lerner, em 2002.
De fininho
Cassio entrou e saiu sem praticamente ser visto da Assembléia Legislativa, ontem pela manhã. Foi participar da posse do Conselho dos Ministros Evangélicos do Paraná, no Plenarinho da Casa. A presença do prefeito no evento causou surpresa entre os funcionários da Assembléia.
Sem quórum
O governo não conseguiu votar a mensagem que transforma os delegados calça-curta em agentes administrativos. Desta vez, o boicote da situação não foi o maior motivo que emperrou a votação, apesar da ausência de diversos aliados. A oposição decidiu se retirar.
Filho único
Não foi só na Assembléia que a sessão legislativa foi cancelada. O líder da oposição na Câmara de Curitiba, Paulo Salamuni (PMDB) encontrou um plenário vazio quando preparava-se para fazer um discurso sobre caixa 2.
Novo recurso
O PT entrou ontem com mais um recurso na Justiça Eleitoral para tentar reverter a sentença do juiz da 1ª Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, que considerou as contas da campanha de Cassio boas. O recurso não difere muito do que já foi apresentado pelo promotor eleitoral Valclir Natalino, e será julgado pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral.
Repúdio
A vereadora Elza Correia (PMDB) está propondo um voto de repúdio ao governador pelas críticas feitas ao prefeito Nedson Micheleti (PT), na semana passada. Nedson foi barrado pela PM e não participou da inauguração da Casa de Custódia de Londrina.
Memória
Além da ausência na solenidade, Lerner também atacou o apoio do prefeito aos servidores da UEL, em greve há 70 dias. O governador disse que não usou nariz de palhaço quando Nedson esteve no Palácio Iguaçu para receber R$ 1 milhão, destinado a programas sociais do governo.
De olho
Osmar Dias (PDT) prometeu acompanhar de perto as investigações sobre o caixa 2. Em pronuciamento na tribuna do Senado, disse que a população espera punição exemplar, se as denúncias se confirmarem. Ele elogiou o trabalho do Ministério Público.
Na trave
A maioria dos recursos ajuizados pelo deputado federal Padre Roque Zimermann (PT-PR) contra as eleições para o diretório estadual foi indeferida durante reunião do diretório nacional do PT, realizada nos dias 24 e 25.
Totalização
Segundo o secretário nacional de Organização do PT, Silvio Pereira, o partido ainda não contabilizou os votos finais após a apreciação dos recursos, mas garantiu que o resultado confirma André Vargas na presidência do PT.
Sashimi
''Vamos comer um sashimi Taniguchi?'' Ironia do senador Roberto Requião aos correligionários do PMDB durante o encontro do partido no final de semana em Maringá.
Origem
Requião disse que é necessário descobrir a origem do dinheiro utilizado na campanha do prefeito. ''Será do pedágio, da venda do Banestado ou foi a mesma coisa que aconteceu em Maringá e Londrina, onde campanhas milionárias tentaram esconder a corrupção nos cofres públicos?''
Sem medo
Sobrou ainda para o senador Alvaro Dias (PDT). Requião disse que o fato de Alvaro ter parte da família em Maringá não representa ''perigo algum'' para a sua candidatura ao governo. ''Em Maringá, é o Alvaro quem está em perigo'', afirmou Requião, lembrando que ganhou na proporção de 3 por 1 do então candidato Jaime Lerner, ao governo do Estado, na eleição de 1998.
Indisposição
Requião lembrou que o acordo branco feito entre Alvaro e Lerner, bem como o apoio incondicional do senador à reeleição do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto, no ano passado, colocaram em xeque a preferência da família Dias na região Noroeste.
Ameaça
O PMDB diz ter documentos, gravações e peças de contabilidade que revelariam desencaixes para fins eleitorais feitos pelo consórcio Dominó, no valor de U$ 6 milhões.
O consórcio Dominó é aquele que comprou ações da Sanepar. O PMDB promete não ser leviano, segundo Requião. O material vai ser encaminhado para uma perícia técnica, para averiguar a veracidade ou não das fitas e documentos. Se o material for verdadeiro, será encaminhado ao Ministério Público.
Perguntinha
Quem está bancando os honorários dos advogados na defesa das empresas envolvidas no caixa 2?





