Escaldados

Ao que tudo indica não foi voto de confiança, mas um claro sinal de desânimo e de conformismo. Os deputados da base que dá sustentação política ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa abriram mão de apresentar emendas ao orçamento de 2002 porque sabem que não há dinheiro em caixa sem a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Aparentemente, os deputados não estão mais dispostos a fazer de conta e elaborar com suas bases eleitorais propostas de emendas ao orçamento estadual que raramente saem do papel. Pelo menos tem sido assim nos últimos anos. A escassez de recursos públicos e as prioridades fixadas pelo Poder Executivo, que nem sempre coincidem com as encampadas pelo Poder Legislativo como um todo, comprometem as propostas parlamentares. Os deputados apostavam no leilão para garantir o cumprimento de suas emendas.



Premeditado


O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), abriu as portas do Palácio Iguaçu para os inimigos políticos do governador, no primeiro dia de sua interinidade, para passar a imagem que é independente e não vaquinha de presépio do Poder Executivo. Nada mais estratégico para quem quer ser governador.


Estilos


Ao contrário do ex-presidente Aníbal Khury (PFL), que quando em vida dizia que as suas interinidades seriam ''um governo alegre e descontraído'', Brandão se propôs a ''um governo discreto''.


No interior


Nas primeiras horas como titular do governo, tratou de assumir compromissos em cidades pequenas. Ex-secretário da Agricultura, afastado sem prova alguma sob a suspeita de desvio de verbas manipuladas por sua pasta, Brandão quis se firmar na primeira interinidade como candidato em potencial identificado com o interior, diferente de Lerner, visto como político da Capital.


Assessoria


O governador interino fez questão de levar para o Palácio o ex-secretário da Comunicação Social David Campos, que atualmente responde pela comunicação da Assembléia Legislativa. David, como é mais conhecido, foi afastado do governo em novembro do ano passado, dias depois de consumada a vitória de Cassio nas urnas. O ex-secretário, direta ou indiretamente, avalizou a orientação dos marqueteiros que acharam por bem deixar Lerner longe dos programas eleitorais de Cassio.


Feito aqui


Só mesmo no Paraná. A cúpula do Poder Executivo em viagem ao exterior em momento administrativo delicado, pós-fracasso do leilão de privatização da Copel.


Lipo


O deputado federal do Paraná, Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, está envolvido em mais uma empreitada. Agora, o parlamentar está às voltas com uma comissão externa para averiguar em alguns Estados brasileiros causas de mortes por lipoaspiração.


Lei específica


A idéia é ouvir entidades como os conselhos regionais de Medicina desses Estados e também a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, para propor uma lei específica que normatize os limites e os procedimentos preventivos para tal tipo de cirurgia estética.


No conselho


O desembargador Octávio Valeixo, que se notabilizou pelos seus estudos em relação ao Código Nacional de Trânsito e suas implicações, integra, desde o último dia 5, o Conselho da Magistratura, no lugar de Moacir Guimarães, afastado temporariamente.



Desgaste à vista


O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), mais do que nunca vai ter que se valer da fleuma para enfrentar o estresse. As investigações iniciadas pelo Ministério Público estadual e federal, em busca de um caixa 2 de campanha, tendem a se estender nos próximos meses, o que vai requerer jogo de cintura para governar.


Prato cheio


Cassio tem consciência que além de promotores e procuradores, com quem não mantém relacionamento dos mais amistosos, conta, como agravante, com a antipatia de seus adversários políticos, muitos deles de olho na sucessão de Lerner, na eleição do ano que vem.


Memória


Com o Ministério Público, a briga do prefeito é antiga. Vem desde quando promotores e procuradores passaram a investigar uma parceria firmada entre o poder público municipal e uma cooperativa de trabalhadores chamada Cosmo, sem a observância de dispositivos da Lei de Licitações.


Motivação


Cassio chegou a declarar a jornalistas que integrantes do Ministério Público estavam agindo de forma arbitrária e política, influenciados por correntes políticas ligadas ao PMDB de Roberto Requião.


Tem para todos


Alguns vereadores governistas de Curitiba também não terão terreno fértil nos próximos meses. As investigações do Ministério Público incluem as movimentações financeiras envolvendo parlamentares. Na relação dos que receberam dinheiro, conforme consta no suposto livro-caixa em poder do Ministério Público, estão vereadores como Luiz Ernesto, Mauro Moraes e Jotapê.


Rigor


A orientação dentro do Ministério Público é para rigor e atenção às investigações.


Perguntinha


Por que Hermas Brandão e Élio Rusch não surpreendem e, aproveitando a interinidade como governador e presidente da Assembléia, respectivamente, revogam a lei que autoriza a venda da Copel?

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