Manobra

Uma manobra da bancada que dá sustentação política ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL), na Câmara de Vereadores de Curitiba, jogou para escanteio o vereador André Passos (PT), da comissão que pretende discutir a implantação de um Código de Ética no Legislativo municipal. Filho do ex-deputado federal Edésio Passos (PT), André, um dos idealizadores do código, seria o relator da comissão, que deve ter na presidência o vereador Jotapê (PSB). Com as recentes denúncias de caixa 2 na campanha de Cassio pela reeleição, no ano passado, e o envolvimento de vários vereadores da base aliada no suposto esquema de entradas e saídas financeiras sem a anuência e controle da Justiça Eleitoral do Paraná, a bancada governista conseguiu emplacar o nome de Julieta Reis (PFL) no lugar destinado a André Passos.

Protesto


A União da Juventude Socialista (UJS) pretende fazer um protesto amanhã pela manhã contra a corrupção na política. A intenção é chamar a atenção da população curitibana para as denúncias de irregularidades na campanha eleitoral do ano passado, quando o PFL teria deixado de declarar R$ 29,8 milhões na prestação de contas ao TRE.


Movimento


O fim da corrupção na política também foi tema de reunião à noite em Curitiba. Partidos de oposição como PT, PMDB e PDT começaram a discutir a criação de um movimento da sociedade civil pela moralidade na política, similar ao de Londrina, que foi o responsável pela cassação de Antonio Belinati (PL).


Peixe grande


O destino dos sete gerentes e donos de postos de combustíveis de Londrina, acusados de formação de cartel e constrangimento ilegal, foragidos da Justiça, seria o Mato Grosso. Informação obtida pela polícia de Londrina nas operações de busca, ontem, é que a maioria teria ido pescar. Detalhe: a época é de piracema.


Na trave


O pedido de informações do deputado Nereu Moura (PMDB), sobre o processo de licitação que escolheu a empresa Larami para gerenciar o sistema de videoloterias do Estado, foi rejeitado ontem pelo plenário da Assembléia, por 18 votos contra 14.


Promessa


A liderança prometeu, mesmo assim, encaminhar as informações ao deputado. Moura suspeita de irregularidades. O governo sustenta que o projeto foi correto e legal. Também foi rejeitado o requerimento do deputado, que pedia informações sobre as viagens de Lerner ao exterior.


'New look'


O líder do governo, Durval Amaral (PFL), voltou ao plenário de novo visual. Cortou o cabelo e caprichou no terno, para apresentar a mais nova ofensiva contra a oposição: a CPI da Previdência. O alvo é o senador Roberto Requião (PMDB). Detalhe: Amaral já foi secretário de Requião.


Linha de frente


Apesar de ser funcionário do Estado, lotado na Secretaria da Agricultura, o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Carlos Roberto Bittencourt, é um dos mais ferrenhos opositores do atual governo. Licenciado por ora, lidera manifestações contra a privatização da Copel.


Memória


O Senge faz parte do Fórum Popular Contra a Venda da Copel. No governo Alvaro Dias (PDT), Bittencourt sofreu perseguições por parte do então secretário da Agricultura, o irmão de Alvaro e hoje senador, Osmar Dias (PDT). Osmar comandou uma operação ''caça às bruxas'' para neutralizar quem não lia a cartilha oficial do governo. Ironia do destino ou não, hoje Bittencourt e Osmar têm discursos similares quando o tema é Copel.

Ops!


Não faltou animação no encontro estadual do PT, realizado durante o final de semana em Praia de Leste, no Litoral do Paraná. Foi preciso buscar cerveja em Caiobá para que ninguém ficasse a seco. Teve petista empolgado tomando banho de mar na madrugada.


Na platéia


Já que a privatização da Copel está suspensa mesmo, o secretário de Planejamento, Miguel Salomão, resolveu matar saudades de seu tempo como delegado regional do Banco Central em Curitiba, nos idos de 1985. Dias atrás passou a manhã assistindo as palestras do seminário ''Banco Central e Cidadania'', promovido pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central.


Contra-senso


Depois de ficar uma hora quietinho ouvindo o diretor de Normas do Bacen, Salomão foi o primeiro a participar do debate. Primeiro, contou um ''causo'' dos seus tempos à frente do BC. Em seguida, falou de privatização, competitividade e alinhavou a pergunta: ''Em um setor competitivo como o bancário, não é um contra-senso o BC ter que baixar tantas normas para regulamentar o setor?''


Repique


Já o representante dos funcionários, Luiz Antonio Ramos, fez a pergunta inversa: ''Quem é que vai fiscalizar o cumprimento do Código de Defesa dos Clientes Bancários, editado recentemente pelo BC, já que foi fechado o setor de fiscalização em Curitiba?''


Alto custo


Funcionários do BC afirmam que estão em Curitiba cerca de 60 fiscais vindos de Belo Horizonte e Porto Alegre para vistoria de rotina em um banco e um consórcio locais. Com diária de R$ 110,00 além de passagens aéreas, cada funcionário custaria ao BC cerca de R$ 4 mil por mês.


Números


Ou seja, são R$ 240 mil, bem mais do que seria necessário para pagar os empregados que deixaram o quadro de pessoal nos últimos três anos. De 216, a regional de Curitiba passou para 118 funcionários.


Perguntinha


Além de Cassio Taniguchi, Francisco Paladino Jr cuidou das finanças de mais algum político de peso?

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