Contra-ataque

A bancada de oposição na Assembléia Legislativa diz ter descoberto a vingança prometida pela base governista, por conta dos discursos inflamados contra a privatização da Copel que têm arranhado a imagem política dos aliados. Trata-se da criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) ou Comissões Especiais de Investigação (CEIs) para investigar o acidente envolvendo o sobrinho de Roberto Requião (PMDB), João José de Arruda Júnior, e a compra superfaturada de helicópteros no governo do senador. Alvaro Dias (PDT) seria alvo de uma CPI sobre o endividamente do Badep (Banco de Desenvolvimento do Paraná). O banco de fomento foi extinto em 1990, durante sua gestão. Para os governistas, criar CPIs e CEIs não é tarefa das mais difíceis. Apesar de acirradas as discussões em torno da Copel, o governo ainda detém a maioria em plenário, o que daria suporte ao ataque.




Pá de cal


Analistas políticos garantem que o desgaste sofrido com o sai ou não sai do leilão da Copel sepultou o projeto político do governador Jaime Lerner, de sair candidato a presidente pelo PFL. Razão pela qual o comando nacional do partido está apostando todas as suas fichas na governadora do Maranhão, Roseana Sarney.


Sonho antigo


Amigos chegados ao governador sabem que Lerner sonha em despontar nacionalmente há anos, antes mesmo de lançar-se candidato ao governo, em 1994, quando concorreu ao cargo pela primeira vez.


Variantes


Mas a decisão do presidente nacional, senador Jorge Bornhausen, de entregar o programa do PFL para a filha do ex-presidente da República José Sarney (PMDB), foi o sinal que faltava para cair a ficha. Somente uma reviravolta no caso Copel e uma queda na popularidade de Roseana poderiam reacender as esperanças no Palácio Iguaçu.


Manifestação


O presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB), torce para que o Tribunal de Justiça casse rapidamente a liminar que anulou a sessão plenária do dia 20 de agosto que derrubou o projeto popular barrando a privatização da Copel. Caso contrário, o caos estará instaurado.


Pressão


A oposição e setores governistas descontentes com a condução do governo no caso Copel prometem pressionar a mesa executiva a reabrir as discussões. Na última quarta-feira, um dia depois de conhecida a polêmica decisão do desembargador Clotário Portugal Neto, os parlamentares já estavam alvoroçados.


Dividendos


Eles querem retomar o tema, com o objetivo claro de tentar amarrar o leilão, ainda sem data definida. Porém, o projeto popular não está vinculado à realização do leilão. Os dividendos, neste caso, seriam apenas de ordem política.


Em queda


Uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ponta Grossa com 2,1 mil servidores mostra que muitos estão decepcionados com o governo Péricles Holleben de Mello (PT).


Troca de voto


Na época da eleição, no ano passado, 78% dos servidores disseram que votariam nele. Ao responder a mesma pergunta na semana passada, apenas 40% dos servidores continuaram dizendo que ainda votariam em Péricles para prefeito de Ponta Grossa.


Razões


Os principais motivos apontados pelos servidores para essa inversão no quadro são a falta de contato direto entre o prefeito e funcionalismo e a demora em tomar decisões.



Vô coruja


Lerner não resistiu e embarcou na última quinta-feira rumo à residência da filha mais moça Andrea, nos Estados Unidos. O governador estava ansioso com o nascimento de seu segundo neto, o primeiro filho de Andrea. A escapada para Nova York termina domingo. Na segunda-feira, Lerner está com agenda cheia.


Bateria


O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, passa o feriadão de molho, recuperando as energias perdidas com o leilão da Copel, que acabou sendo suspenso na última hora. Muito mais que Rafael Greca (Comunicação Social) e Alceni Guerra (Casa Civil), o secretário defendeu o governo Lerner com unhas e dentes.


Custo alto


O preço pago por Campêlo foi o desgaste. Na segunda-feira, ele retoma a papelada da Copel para garantir que no dia 6, terça-feira, expire o novo prazo para o depósito de possíveis interessadas na Copel. Só a partir disso é que o leilão poderá ser agendado. O governo garante que sai até dia 12.


Reajuste


Em tempos de crise financeira, o prefeito de Paranaguá, Mário Roque, anunciou semana passada aumento salarial de 12,3% aos servidores municipais e de 20,7% aos professores da rede pública. O prefeito não quer comprar briga com o quadro de funcionários.


Inchaço


Nos últimos quatro anos, o funcionalismo municipal em Paranaguá, no Litoral dos Estado, quase triplicou, passando de 1.380 servidores públicos para cerca de 3,2 mil. O salário médio pago pela prefeitura é de R$ 700,00.


Fundef


Está na boca do forno o relatório do Tribunal de Contas do Paraná das auditorias realizadas em 54 municípios do Paraná, suspeitos de desviar recursos do Fundef, programa do governo federal que prevê recursos para o magistério.


Perguntinha


O governo Fernando Henrique Cardoso entra na jogada e libera dinheiro para viabilizar o leilão da Copel?

mockup