INFORME FOLHA
Acomodação
O prefeito Péricles de Holleben Mello (PT), de Ponta Grossa, anunciou no início da noite de quinta-feira que a prefeitura vai comprar a área que foi invadida há cerca de duas semanas por famílias sem-teto. A invasão, que começou com cinco famílias, hoje tem 595 disputando os terrenos. A área comprada pela prefeitura tem 200 mil metros quadrados e será dividida em 400 lotes. ''Muitas famílias que participaram da invasão já possuem lotes e, portanto, das 595 famílias, selecionaremos 400 que ganharão os lotes no local'', prometeu o prefeito. O impasse para resolver a questão estava na discussão do preço da área. A proprietária do terreno, Beatriz de Araújo, pedia R$ 1,00 o metro quadrado e a prefeitura oferecia R$ 0,55. Os dois lados cederam e a negociação foi fechada por R$ 0,80. Portanto, a prefeitura vai pagar R$ 160 mil pela área, em seis parcelas. A primeira e maior (R$ 60 mil), será paga no dia 5 de fevereiro e as demais nos meses subsequentes.
Apelo
As famílias que ganharão os lotes vão pagar parcelas de R$ 20,00 por mês, mas o total de prestações ainda não está definido. Péricles também pediu para que os ocupantes não comecem a construir antes que a prefeitura faça a abertura das ruas no novo loteamento. Ele prometeu que este serviço deve ser iniciado em 20 dias, tempo necessário para que técnicos da prefeitura elaborem projeto.
Última vez
Esta foi a segunda invasão de área urbana ocorrida este ano em Ponta Grossa. Para evitar que esse tipo de atitude seja valorizada, o prefeito anunciou que não vai mais intermediar conflitos do gênero. ''Se houver outra invasão será problema dos ocupantes, do proprietário e da Justiça. A prefeitura não vai mais comprar áreas para acabar com as invasões'', afirmou.
Promessa
Mas como o prefeito reconhece que existe um problema habitacional sério na cidade, anunciou que a partir desta segunda será feito um amplo cadastro de todas as famílias, com renda de até cinco mínimos por mês, que necessitam de moradia. Com esse cadastro na mão, Péricles promete agilizar a entrega de lotes urbanizados no município.
Reafirmação
O Fórum Contra a Privatização da Copel, comandado pelo ex-deputado Nelton Friedrich (PDT), reforçou ontem a posição do movimento contra a privatização da Copel. Nelton ressaltou ainda que a idéia de a União tornar-se uma sócia do governo do Paraná não compromete o controle acionário da empresa, que continuaria sob a tutela do Estado.
Temor
Friedrich não quer abrir margem para que as pessoas pensem em federalização. Pela proposta do fórum, o governo estadual continuaria com 31% do total de ações, garantindo o mando da estatal.
Arrependimento
Se arrependimento matasse, a Assembléia do Paraná contaria com 27 deputados estaduais a menos. A suspensão do leilão e a possibilidade de cancelamento do processo de venda estão tirando o sono de boa parte dos deputados, pelo menos a que pensa na reeleição. Sem dinheiro e desgastados politicamente, enfrentam resistências das bases no interior.
Gasolina
Tem raposa velha na política do Paraná estimulando o empresário Joel Malucelli a lançar-se candidato ao governo do Estado nas eleições do ano que vem. Empresário bem-sucedido e no atual cenário político sem qualquer chance de vencer uma disputa majoritária, Malucelli integra a ala alvarista que se mantém no ninho, mesmo depois de consumada a transferência do senador Alvaro Dias para o PDT de Leonel Brizola.
Lobista
O deputado federal Luciano Pizzatto (PFL) é apontado como lobista da importação de pneus usados, em matéria de página da Folha de S.Paulo, ontem. O deputado paranaense, de acordo com a reportagem, trabalha nos bastidores para aprovar uma lei federal, facilitando a transação.
Beneficiário
Pizzatto aparece 13 vezes na agenda do lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, apreendida pela Polícia Federal no dia 8 de outubro. O deputado estaria a serviço do empresário Francisco Simeão Rodrigues Neto, dono de uma empresa chamada BS Colway Remoldagem de Pneus Ltda, de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba.
Afastamento
A importação de pneus já derrubou Luiz Antônio Nunes de Mello, mais conhecido como Manaus e afilhado político de Pizzatto na superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do Paraná.
Política ambiental
Manaus foi exonerado pelo Ibama nacional, por favorecer Francisco Simeão e conceder autorizações para importações ilegais. O Ibama, que apura o caso no Paraná, acha a importação de pneus usados ecologicamente incorreta.
Não procede
À Folha de S.Paulo, tanto Luciano Pizzatto quanto Simeão negaram lobby em favor do setor. Ambos disseram, conforme a reportagem, que apenas teriam defendido idéia na qual acreditavam.
Mau gosto
De péssimo gosto, beirando ao ridículo, a idéia de um proprietário de cemitério de animais em Curitiba, de realizar ontem pela manhã, Dia dos Finados, o enterro de um cachorro. Por mais que as pessoas gostem dos bichinhos, não dá para misturar as coisas.
Perguntinha
Manaus ainda volta para a superintendência do Ibama no Paraná, como se nada tivesse acontecido?





