Virou rotina
A invasão do plenário da Assembléia Legislativa, comandada por professores arrebanhados pela APP-Sindicato na noite de anteontem, revela que mais uma vez o Poder Legislativo pagou por uma briga que tem o Poder Executivo como protagonista. Ao convalidar o desejo do governo do Estado, de postergar a análise de projeto alterando as regras para a eleição de diretores nas escolas da rede pública, deputados da base governista, em vez de deslocarem as discussões para o Palácio Iguaçu, criaram novo constrangimento para o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB). Apesar de tranquila, a invasão expôs as fragilidades do Poder Legislativo, que, por horas ficou refém dos professores. Assim também foi há um mês quando estudantes tomaram à força o plenário da Casa como um protesto contra a privatização da Copel. O governo, mais uma vez, sai ileso. À Assembléia coube pagar o pato.
Vexame
A grande preocupação do deputado estadual Algaci Túlio (PTB) ontem era o vexame que a Assembléia poderia passar se a invasão dos professores, ocorrida na noite de segunda-feira, continuasse até ontem à tarde, quando estava prevista uma sessão solene para homenagear a candidata ao Prêmio Nobel da Paz, Zilda Arns.
Apelo
Túlio, autor do projeto que concedeu título de cidadã honorária do Paraná a Zilda Arns, apelou aos professores para que eles se retirassem do plenário durante o evento.
Clima tenso
O presidente da APP, Romeu Miranda, disse ao deputado que os professores só iriam desocupar a Assembléia se as reivindicações da categoria fossem atendidas pelo governo. Durante conversa reservada, o presidente da APP chegou a dizer que o plenário não seria liberado ''nem para Zilda Arns nem para o Papa''.
Alívio
Para alívio de Túlio, a sessão transcorreu normalmente. Os professores cederam ao apelo e saíram do plenário durante alguns minutos ontem.
Hostilidade 1
Na sexta-feira à noite, o deputado estadual Custódio da Silva foi prestigiar a filiação do Sergio Butka ao PPS, na periferia de Curitiba. Havia cerca de cinco mil pessoas. Como estava se sentindo em casa, Custódio pediu para falar aos companheiros. Foi hostilizado o tempo inteiro.
Hostilidade 2
Enquanto dizia que era o único deputado com carteira assinada, que era trabalhador como eles, a platéia, aos berros, cobrava de Custódio da Silva o fato de ele ter sido substituído por Nelson Justus (PTB), facilitando assim a convalidação da venda da Copel.
Portaria 1
O juiz federal substituto Leonardo Castanho Mendes, da 6ª Vara Federal de Curitiba, não concedeu liminar à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná e à Associação dos Advogados Trabalhistas do Paraná, que tentaram na Justiça anular a portaria nº 7, editada pela direção da Justiça do Trabalho e pela Coordenadoria da Secretaria Integrada de Execuções de Curitiba.
Portaria 2
A portaria prevê que os processos não podem ser consultados por quem não seja parte integrante da ação, procurador ou advogado. A retirada de processos para fotocópia é permitida por uma hora.
Portaria 3
O juiz Castanho Mendes não verificou, entretanto, ameaça ao direito dos advogados, uma vez que o acesso aos autos não foi vedado e sim condicionado à apresentação formal de requisição de consulta.
Depenado
O ex-deputado Luiz Cláudio Romanelli foi assaltado neste fim de semana, em Curitiba. Ele estava na frente da casa da sua mãe, no bairro Alto da XV, quando foi abordado por ladrões que levaram, além do carro, dinheiro, talão de cheques e telefone celular.
Voando penas
Os alvaristas que formaram a resistência do novo PSDB estão encaminhando pedidos de impugnação das filiações dos deputados Hermas Brandão, Nelson Tureck, Ricardo Maia, e do secretário da Agricultura, Leonel Poloni.
Verba 1
Um projeto de lei do vereador de Sarandi (7 km de Maringá), Cleiton Damaceno do Carmo (PT), prevendo a revogação da lei que criou verba de gabinete para os 15 vereadores do município, estava na pauta da Câmara de ontem à noite.
Verba 2
A verba foi aprovada cerca de 15 dias depois que os vereadores de Maringá haviam criado e aprovado tal recurso para custear as despesas do Poder Legislativo, em abril deste ano. Em Sarandi a verba aprovada foi de R$ 1,2 mil mensal para cada vereador, além do salário de R$ 2,4 mil.
Verba 3
Ao contrário de Maringá, entretando, nenhum dos vereadores de Sarandi chegou a utilizar tal verba, já que o presidente da Câmara Municipal, José Aparecido da Silva (PT), suspendeu o repasse do dinheiro até que houvesse parecer do Tribunal de Contas.
Verba 4
Conforme Damaceno do Carmo, a lei não faz mais sentido porque existe um parecer preliminar do TC contra a verba. Até ontem à tarde, segundo ele, seis vereadores já haviam assinado como co-autores do projeto de revogação da verba de gabinete.
Sob análise
A direção estadual do PT analisa a possibilidade de entrar na Justiça contra o governo do Estado pela dilação, por mais cinco anos, do pagamento de ICMS às montadoras instaladas na Região Metropolitana de Curitiba. Os petistas acham que não foi bom negócio a concessão.
Perguntinha
Até quando a Assembléia Legislativa pretende absorver o ônus assumido diariamente pela bancada governista?

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