INFORME FOLHA
Bom negócio
Há setores que não consideram o fechamento da Chrysler uma derrota para o governo estadual, pelo menos sob o ponto de vista político. A direção da montadora, instalada em Campo Largo, município da Região Metropolitana de Curitiba, já se comprometeu a devolver os incentivos fiscais oferecidos pelo governo do Estado, algo em torno R$ 110 milhões. Em ano pré-eleitoral e num Estado onde as finanças não vão bem há muito tempo, dinheiro extra é sempre bem-vindo. Ainda mais se o governo cumprir a promessa e aplicar boa parte do dinheiro em estradas, melhorando o fluxo no interior. Os prefeitos estão ávidos, à espera da liberação de recursos financeiros. No entendimento dos aliados, se o governo estadual souber dosar os repasses, poderá colher dividendos políticos e até manter-se no poder, fazendo o sucessor de Jaime Lerner (PFL) nas eleições do ano que vem.
Retorno
A partir desta semana, a Assembléia Legislativa tenta retomar o ritmo de votações. Com a volta da bancada aliada ao plenário, o presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB), pretende colocar na pauta o novo plano de saúde dos servidores estaduais e as contas pendentes do governador Jaime Lerner (PFL) e do ex-governador Roberto Requião (PMDB).
Cronograma
O plano de saúde tramita nas comissões permanentes, e já foi tema de diversas reuniões entre o secretário da Administração, Ricardo Smijtink, o relator da matéria, deputado Fernando Ribas Carli (PPB), e sindicalistas. A expectativa é que seja votado este mês.
Questionamento
O Sindicato dos Servidores da Saúde (SindSaúde) considera inconstitucional o novo plano de saúde, e está contestando pontos da mensagem elaborada pelo Palácio Iguaçu. Setores do sindicalismo avaliam que o plano é ilegal porque destina os recursos públicos apenas para um setor, no caso o funcionalismo estadual. Os servidores consideram ainda os preços muito altos.
Resposta
O Palácio Iguaçu rebate, alegando que os valores estão abaixo dos planos privados. Também aguarda na fila de votações o abono de R$ 100 que o governo resolveu conceder aos policiais militares.
Na mira
Na volta do feriado, o corregedor da Assembléia, Caíto Quintana (PMDB), vai encontrar uma pilha de papéis na sua mesa. O deputado tem que agendar os depoimentos dos deputados governistas acusados de vender o voto para apoiar a venda da Copel.
Lista
Deverão ser ouvidos Moysés Leônidas (PSB) e Luiz Fernandes Litro (PSDB). Nelson Turek (PFL) já prestou depoimento e negou que tenha negociado o voto com o governo.
Sonho
Já admitindo que a venda da Copel é irreversível, a bancada de oposição promete cobrar investimentos do governo do Estado. O petista Irineu Colombo quer que o Executivo use os recursos em forma de reajuste para os professores e policiais militares.
Plebiscito
O projeto de André Passos, vereador do PT em Curitiba, prevê para 21 de outubro a realização de plebiscito para ouvir a opinião da população sobre a privatização da Copel, idealizada pelo governo. Dez dias antes da data programada para o leilão da estatal na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, como consta no edital de privatização já protocolado pelo secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert.
Trama
Os aliados do ex-governador José Richa e do diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, passam o final de semana conspirando em favor de Hermas Brandão, cotado para ser o interventor do PSDB no Paraná e com um pé fora do PTB do deputado federal José Carlos Martinez.
Definição
O nome do interventor, que tem como principal missão expulsar os aliados de Alvaro Dias do ninho, será conhecido amanhã, conforme prometeu o presidente nacional do partido e arquiinimigo de Alvaro, deputado paulista José Aníbal.
Investigação
A Procuradoria do Município de Curitiba instaurou processo administrativo contra Maria Eni Schimazaki, ex-presidente do IPMC, o instituto que cuida da previdência dos servidores municipais. A prefeitura quer saber se houve proveito pessoal do cargo e falta de zelo do patrimônio público durante sua gestão.
Efeito tardio
O processo administrativo vem dois anos depois do desligamento de Maria Eni, quando uma comissão especial montada pela Câmara Municipal, e coordenada pelo vereador Tadeu Veneri (PT), levantou as primeiras suspeitas.
Voto secreto
Entra na ordem do dia desta segunda-feira, para recebimento de emendas, o projeto que altera o regimento interno da Câmara de Curitiba, acabando com o voto secreto dos vereadores da Capital.
Desculpa
O vereador Ney Leprevost (sem partido) é um dos ávidos defensores da proposta. Segundo ele, é desculpa dizer que, com o voto aberto, os vereadores ficam mais suscetíveis ao lobby e pressão de grupos politicamente organizados. ''Os vereadores, assim como prefeito, têm de assumir os seus atos'', prega o vereador curitibano.
Perguntinha
Se Hermas Brandão for o interventor do PSDB no Paraná, Emília Belinati assina ficha de filiação no PSDB?
Vapt-Vupt
O Tribunal de Contas continua na linha-dura com os prefeitos do interior. Mais cinco prefeituras tiveram suas prestações de contas, relativas a 2000, desaprovadas pelos conselheiros. São elas: Pinhal de São Bento, Itapejara do Oeste, Mallet, Mandaguaçú e Rio Branco do Ivaí. Os pareceres passam agora pelo crivo das câmaras municipais.
As 46 varas federais da Justiça Federal do Paraná passarão por uma inspeção a partir de 1º de outubro próximo. A informação, com o cronograma das vistorias, comandadas pela Corregedoria, está no site da Justiça Federal.
Durante as inspeções, não há expediente de atendimento externo nas varas federais, ficando suspensos os prazos processuais. As audiências também ficam suspensas, de acordo com a legislação em vigor. O Ministério Público e a OAB podem indicar representantes para acompanhar o trabalho.
Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais





