INFORME FOLHA
Decreto polêmico
O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) usou a tribuna da Assembléia Legislativa para fazer protestos contra a publicação em jornais de um decreto do governo do Estado modificando a lei 12.355/98, que versa sobre a privatização da Copel. O deputado considerou a decisão como uma afronta ao Poder Legislativo. ''O decreto do governador tem que ser jogado no lixo. Isso não tem cabimento. É fora de qualquer contexto num Estado que se diz democrático'', disse Moura indignado, ao defender que cabe aos deputados legislar. No decreto, o governador Jaime Lerner (PFL) modifica uma palavra do projeto aprovado pelos parlamentares. O texto que dizia que os recursos da Copel serão aplicados ''primordialmente'' na Paraná Previdência passou para ''obrigatoriamente''. ''Daqui a pouco ele derruba este decreto e destina os recursos para onde bem entender'', criticou o deputado.
'Replay'
Ao anunciar que usará o ICMS da Chrysler em rodovias estaduais, Lerner dá indícios de que pretende reeditar a versão Alvaro Dias de governar. Quando era governador do Paraná, entre 1987 e 1990, Alvaro foi o político que cortou o Estado com estradas ligando municípios do interior.
Penetras
O governador foi obrigado ontem a interromper uma entrevista coletiva para conter os ânimos de um grupo de metalúrgicos, que se fez passar por jornalistas para entrar no Palácio e criticar com perguntas sobre o pólo automotivo.
Verniz
Polidamente, Lerner disse que concordava em receber os sindicalistas para uma conversa, mas em outra ocasião. Em seguida, pediu que não o interrompessem mais.
Chega para lá
O governador lembrou ainda que o Sindicato dos Metalúrgicos não costumava protestar quando o Paraná exportava milhares de trabalhadores para outros Estados, porque não tinha oferta de emprego.
Eterno prefeito
Em qualquer aparição pública onde seja preciso se defender, Lerner tem usado a mesma estratégia: relembrar o passado e falar sobre antigos projetos bem-sucedidos, quando era prefeito de Curitiba. Foi isso que ocorreu novamente ontem, quando foi questionado sobre o desgaste político em decorrência do fechamento da Chrysler.
Memória
''Diziam que o ônibus vermelho (expresso que roda por canaletas especiais em Curitiba) era um matador. Diziam que a CIC (Cidade Industrial de Curitiba) era um enorme campo de golfe'', afirmou.
Reedição
''O que é bom a gente mostra o que é ruim a gente esconde.'' A célebre frase do então ministro Rubens Ricúpero do presidente Itamar Franco (PMDB), captada por antenas parabólicas na campanha eleitoral de 1994, está sendo reeditada.
Camuflagem
O governo do Estado tem dito que apenas 190 trabalhadores ficaram sem emprego por causa do fechamento da Chrysler, omitindo que por trás deles há centenas de empregos indiretos que também acabarão.
Surpresa
Lerner prometeu mais uma ''revolução'' em seu governo. O governador adiantou que nos próximos dias anuncia novidades para a agricultura paranaense. ''Será a nova fronteira agrícola que vai alavancar o setor.'' A idéia é aumentar em um terço a área plantada em todo o Estado.
Mascote
Alvaro Dias insiste em manter um tucano como enfeite na mesa de seu escritório político em Curitiba. Tem esperança ainda de ficar no PSDB.
Brinde
A dissolução do diretório do PSDB no Paraná foi comemorada pelos governistas. Alvaro Dias, que sai enfraquecido com a decisão nacional, é um forte nome para a briga sucessória do ano que vem. O afastamento do grupo alvarista abre brechas para partidos aliados como PFL e PTB tomarem o ninho tucano.
Bico calado
Parte interessada, Lerner não quis comentar a dissolução do PSDB. Também preferiu não falar sobre uma aliança entre PSDB e PFL. ''Por razões éticas não vou me manifestar por enquanto. Esta situação diz respeito ao PSDB e só o partido pode avaliar o que é melhor para si. Não quero influenciar'', declarou.
Distância
Há quem garanta que o grupo que tenta assumir o PSDB de agora em diante liderado pelo presidente da Assembléia, Hermas Brandão, e pelo conselheiro do Tribunal de Contas, Heinz Herwig não pretende convidar Jaime Lerner para assinar ficha.
Barganha
A avaliação que corre nos bastidores é de que o ideal mesmo é que o governador permaneça no partido em que está, o PFL. Nada mais inteligente num período pré-eleitoral, quando são bastante férteis as negociações políticas.
Prato frio
A vingança de Euclides Scalco e José Richa veio com cinco anos de atraso.
Plebiscito
O vereador André Passos (PT) incorporou a proposta do Fórum Popular Contra a Privatização da Copel e apresentou projeto de lei chamando os curitibanos para um plebiscito. O projeto deve ser apreciado nos próximos dias.
Perguntinha
A Chrysler devolverá parte do terreno que recebeu de graça por ter se instalado em Campo Largo?
Vapt-Vupt
A comissão que investiga obras inacabadas, montada pelo Tribunal de Contas há cerca de três meses, volta ao interior do Estado nesta semana. A idéia é saber o porquê do silêncio de pelo menos sete prefeitos, questionados sobre obras em seus municípios.
O deputado federal Abelardo Lupion, vice-presidente regional
do PFL, assumiu ontem a presidência do partido e fica no cargo até o próximo dia 5 de outubro. O atual presidente, ex-governador João Elias Ferraz de Campos, pediu licença para viajar para os Estados Unidos.
As contas de 1992 do ex-governador Roberto Requião (PMDB), e de 1995, de Lerner, foram aprovadas com redação final. Ambas passaram graças a um acordo. Se fossem reprovadas, Requião e Lerner ficariam inelegíveis.
Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais





