Atitude covarde


Continua rendendo a sessão ''Moulin Rouge'' do Crystal Plaza do último sábado. O governador Jaime Lerner (PFL) ligou ontem para a Folha para dar a sua versão da saia-justa. Lerner classificou a palavra de ordem manifestada por um curitibano, contra a privatização da Copel, de ''atitude covarde de alguém que gritou no escuro''. Lerner interpretou o murmúrio, que soou como uma vaia, como uma manifestação em seu favor. ''Ele falou alguma coisa sobre a Copel que eu nem entendi e em seguida foi vaiado'', afirmou Lerner, que estava acompanhado da mulher, a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner. O governador disse ainda que está de bem com o povo de Curitiba e deu a entender que protestos, como o de Arapongas, ocorrido na semana passada, são orquestrados pelos seus adversários. ''Estou conversando com o povo e explicando as razões da privatização'', observou.


Convencimento


''Esses dias convenci até um rapaz que cuidava de uma barraquinha que coletava assinaturas contra a venda da Copel'', declarou o governador. No seu entendimento, os paranaenses, quando há um diálogo, convencem-se da necessidade da privatização.


Alerta


O Palácio Iguaçu deveria ficar em estado de alerta. A oposição ficou ouriçada com o interesse manifestado pela direção da Cemig, a companhia de energia de Minas Gerais, de procurar um sócio para comprar ações da Copel.


Sondagem


Emissários do senador Roberto Requião devem intensificar nas próximas horas os contatos com o governador de Minas e colega de Requião no PMDB, Itamar Franco. É que o governador mineiro liberou os US$ 35 mil necessários para ter o acesso ao data-room da estatal paranaense.


Detalhes


No data-room estão todas as informações detalhadas da Copel, para que os interessados em comprá-la saibam como está a saúde financeira da companhia. Detalhes técnicos, num momento político acirrado como esse, têm peso de ouro para a oposição, que tenta a todo custo barrar o processo de privatização.


Memória


Recentemente, Itamar esteve em Curitiba e manifestou-se contra a venda da Copel. Foi num evento organizado pela Associação Comercial do Paraná (ACP).


Local neutro


A oposição não tem dúvidas. O leilão da Copel, marcado para 31 de outubro, vai ser na Bolsa do Rio de Janeiro. O governo não quer correr o risco de novas manifestações como a recente invasão do plenário da Assembléia por um grupo de mil estudantes.


Pesar


Lerner manifestou pesar pela morte, anteontem, de João José de Arruda Neto, diretor-superintendente da Rede Paranaense de Comunicação, a Globo no Paraná. Arruda Neto é cunhado do senador Roberto Requião (PMDB). Desde o início do ano, passava por tratamento para curar um câncer no esôfago.


Chapa


Os professores Carlos Moreira Júnior (diretor do setor de Saúde) e Aldair Rizzi (diretor do setor de Ciências Sociais Aplicadas) lançam suas candidaturas e inauguram amanhã o comitê de campanha à reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR).


Posições


Moreira é o candidato a reitor e Aldair a vice. Eles são da oposição ao grupo do atual reitor, Carlos Antunes.

Tapas e beijos


O líder do governo na Assembléia, Durval Amaral (PFL), estava todo alegre abraçando ontem o peemedebista Caíto Quintana, um dos integrantes da oposição. Nem parece que os dois quase se enfalfinharam, na semana passada, por causa do projeto popular que impedia a venda da Copel. Quem viu, achou que os dois fizeram as pazes. Ou não.


Edital


O edital de licitação da Prisão Provisória de Curitiba (PPC), no Bairro do Ahú, deverá ser publicado hoje. A proposta é entregar o terreno de 70 mil metros quadrados para a iniciativa privada com o direito de exploração de todo o prédio e exigir a construção de três unidades penitenciárias em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.


Prazo-limite


O edital de licitação que está sendo preparado prevê uma permuta. A PPC tem atualmente capacidade para 800 vagas. As novas construções juntas terão capacidade para 1,2 mil detentos. A vencedora da licitação tem prazo máximo de um ano para terminar a obra.


Notificado


O empresário Valter Orsi, que teve participação efetiva no Movimento pela Moralização na Administração de Londrina, recebeu notificação judicial dando conta que está sendo processado por danos morais pelo ex-secretário da Fazenda na administração de Antonio Belinati Luiz César Guedes. Ele pede indenização de 40 salários mínimos.


Motivo


A razão da ação é uma entrevista dada por Orsi, na qual ele cita oito nomes, entre eles o de Guedes, como candidato a uma vaga nas cadeias de Londrina. A entrevista foi concedida no dia do lançamento da campanha ''Cadeia Neles''.


Ligações


Detalhe: Guedes está sendo representado pelo escritório de advogados de Wilson Sella, atual presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e um dos secretários mais fortes do prefeito Nedson Micheleti (PT), que recebeu apoio do Movimento pela Moralização no segundo turno das eleições.


Perguntinha


Alvaro e Requião se acertam para 2002?

Vapt-Vupt


Sobre a prisão de Silvino Jorge Migliorini, o PT do Paraná tem a esclarecer que vai aguardar sua defesa para se manifestar e que já designou um advogado para acompanhar o caso. O PT informa ainda que Migliorini não é presidente do partido no município, mas candidato a presidente.

Algaci Túlio (PTB) não foi o único deputado-radialista do Paraná a votar contra o projeto popular que tentou cassar o direito do governo Lerner de privatizar a Copel. Renato Gaúcho também se colocou contra o governo do Estado.

A Corregedoria da Assembléia ouve na segunda-feira, às 10 horas, Nelson Turek (PFL), sobre as denúncias de compra de votos no caso Copel. Turek já avisou que não vendeu seu voto em favor do governo, e apenas luta por recursos para sua base eleitoral, que é Campo Mourão.

Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais

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