Marlene Soares, de 38 anos, do PDT e integrante do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, foi vítima de machismo e truculência da segurança da Assembléia ontem, durante a votação do projeto que impede a venda da estatal. Acusada de estar tumultuando a sessão, ela foi retirada com violência. Quando dava entrevistas, voltou a discutir com os seguranças. Foi calada com uma pérola de machismo rasteiro: ''Vá lavar louça!'', disparou o fortalhão pago com dinheiro público para dar segurança no local. Foram as mulheres, aliás, as maiores ''vítimas'' da segurança. Além de Marlene, Márcia Ferreira, presidente do PDT de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), também foi retirada com violência das galerias. Já fora, ela mostrava, chorando, uma blusa rasgada na operação. Uma repórter da ''Gazeta do Povo'', Jéssica Ellen, confundida com manifestantes, foi atingida por cassetetes da PM.

Ovo nele


O ovo arremessado contra o deputado estadual Duílio Genari (PPB), no sábado em plena Rua XV de Novembro, em Curitiba, não foi só porque o parlamentar vota com o governo, mas porque foi Genari o autor da lei que autorizou, em 1998, o governo a vender a Copel. Ontem, o deputado estava sem jeito. Disse não saber se vai processar o responsável.


Distância


Os três senadores paranaenses que lutam contra a privatização da Copel não mostraram a mesma união na hora de acompanhar a sessão. Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (sem partido) ficaram sentados distantes do ainda tucano Alvaro Dias. Os três acompanharam a sessão na tribuna de honra da Assembléia.


Inimaginável


Parece surreal. Ninguém, em sã consciência, nas eleições de 1994 e de 1998, acreditaria num rompimento político entre Alvaro Dias e o presidente Fernando Henrique, que dividiram palanque. As declarações de Alvaro, de que o presidente nacional do PSDB, José Aníbal, é massa de manobra de FHC, foram surpreendentes.


Aval


Jose Aníbal disse ontem que não é ''serviçal de FHC''. Afirmou estar convicto de seus atos e que o presidente está apenas avalizando suas decisões.


Menos tempo


A oposição achou que o Dieese foi bondoso ao avaliar que o dinheiro arrecadado com a Copel dura até três anos. Para os adversários de Lerner, o dinheiro acaba em menos tempo. Até a campanha eleitoral do ano que vem, que elege o sucessor de Jaime Lerner.


Pendência


Não bastasse o nervosismo da votação do projeto da Copel na Assembléia, o deputado Marcos Isfer (PPS) teve ontem outra má notícia para seu bolso. A Justiça Federal publicou citação e intimação para execução de título extrajudicial contra a Fisa Construções e Agropecuária, empresa pertencente à sua família.


Ultimato


A juíza federal Graziela Soares da 8 Vara, determinou que ele e os demais envolvidos paguem R$ 456,8 mil para a Caixa Econômica num prazo de 24 horas. Caso contrário serão arrestados imóveis que foram hipotecados ao banco.


Ataque


''O destino do Paraná está nas mãos de um deputado chamado Litro que nada mais é do que dono de bordel.'' Frase do deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, em discurso inflamado, feito de cima do caminhão de som que estava em frente à Assembléia.


Outro lado


Luiz Fernandes Litro tem negócios na região de Dois Vizinhos. Depois de um princípio de infarto, ele anunciou que votaria com o governo em prol da privatização da Copel.


Imersão


Lerner passou o domingo reunido com deputados aliados no Hotel Mata Atlântica, no trecho do Litoral do Estado que liga Alexandra a Matinhos. Respirando ar puro e reafirmando o propósito do governo em privatizar a Copel. Cerca de 15 deputados jantaram com o governador.


Plebiscito


O plebiscito que impediu a venda da Sercomtel Celular, em Londrina, enterrou o sonho do prefeito Nedson Micheleti (PT) de levantar obras que marcassem sua administração. Sem obras, a oposição só se fortalece.


Dispensa


A consulta de domingo ainda pode ter provocado um efeito colateral inusitado. O advogado Sérvio Borges da Silva, que atuou no Movimento pela Moralização e engrossou o grupo do ''Não'' contrário à privatização da Celular foi dispensado da Pastoral Carcerária, da Igreja Católica, onde atuava como voluntário há um ano.


Bronca


Silva enviou carta ao arcebispo de Londrina, D. Albano Cavalin, dizendo que foi vítima de perseguição política porque votou contra a privatização. Mas D. Albano, que se manifestou favorável à venda da Celular, não soube da bronca. Motivo: está em viagem pela África há uma semana e só deve voltar ao Brasil no dia 28.


Troca


Francisco Roberto, presidente da Sercomtel, recebeu uma proposta inusitada durante o debate da TV Cidade, no sábado. Um dos contrários à venda da empresa, médico e empresário Severo Canziani Filho, dono confesso de uma linha celular de outra empresa, disse que se recebesse um convite pessoal de Francisco Roberto, trocaria de companhia.


Precipitação


Ontem, às 8 horas, a primeira coisa que o presidente fez foi ligar para o médico, oferecendo o serviço. Severo aceitou, como havia prometido, dizendo que mais tarde mandaria um funcionário fazer a troca. Horas depois, todavia, Severo voltou atrás, confessando ser precipitada a decisão.


Perguntinha


Vapt-Vupt


Teve gostinho de vingança para o Movimento Sem Terra (MST). O acesso à Praça Nossa Senhora de Salete, cercada há um ano e meio por grades, depois da invasão dos sem-terra no Centro Cívico, voltou a ter acesso liberado, em partes. Os manifestantes derrubaram um pedaço da estrutura montada pelo governo para coibir manifestações.

Os jornalistas que acompanharam a sessão tiveram muito trabalho para se locomover dentro do comitê de imprensa. E uma ordem da mesa-executiva piorou ainda mais a situação. Os fotógrafos e cinegrafistas ficaram proibidos de circular pelo plenário. A entrada só seria permitida quando começasse a votação.

O fotógrafo da Folha, José Suassuna, quase foi agredido ontem. Não pela PM, mas por estudantes. Com pedras na mão, eles exigiam que o profissional parasse de fotografar a manifestação e entregasse o filme.

Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais

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