Desgaste


O governador Jaime Lerner (PFL) e o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), foram os maiores derrotados com a suspensão da sessão que analisava o projeto de iniciativa popular cassando o direito do governo do Estado de vender a Copel. Lerner não conseguiu liquidar a discussão e o desgaste político só tende a se acentuar. Hermas Brandão teve de ceder à pressão do grupo de estudantes que invadiu o plenário. ''Se o Aníbal (Khury) estivesse vivo isso não teria acontecido.'' A frase, de um deputado, dita ontem no momento da invasão, revelou que o atual presidente não goza do apoio integral de seus colegas. Oposição e situação ficaram desgostosas com a condução dos trabalhos. Alguns acharam que faltou firmeza e pulso do presidente. ''Não poderia ter deixado a Assembléia sem segurança. Na madrugada já deveria ter previsto isso. A Assembléia e o governo subestimaram o descontentamento popular'', analisou um parlamentar.

Desprestígio


Os opositores do senador Alvaro Dias (PSDB) avaliam que ele perdeu bastante prestígio ao deixar a Assembléia sem convencer o deputado Luiz Fernandes Litro (PSDB) a votar contra a venda da Copel, na madrugada de ontem.


Em vão


Alvaro chegou de Brasília, , e ficou reunido a sós com Litro por cerca de duas horas, na Assembléia Legislativa. A princípio, os argumentos não foram suficientes, porque Litro continua sendo contado como voto do governo.


Monólogo


Até a invasão, a sessão de ontem foi idêntica a do dia anterior. Somente deputados de oposição usaram a tribuna para detonar a privatização. Os aliados de Lerner mantiveram-se em silêncio.


Pela culatra


Divanir Braz Palma (PST) está na lista negra da mesa executiva da Assembléia. É ele o autor do projeto de lei que institui a cobrança de taxas em universidades da rede pública. O protesto de ontem, que culminou com a tomada do plenário, teve como pretexto a proposta do parlamentar.


Malabarismo


Orlando Pessuti (PMDB) deu uma de Indiana Jones, aquele personagem do filme do mesmo nome que fazia mil piruetas e sequer perdia o chapéu. Sem deixar cair o cigarro da boca e os óculos, Pessuti se envolveu num empurra-empurra e terminou caído no chão junto com mais meia dúzia de deputados, na madrugada de ontem.


Clone


Tal pai tal filho. Guilherme Guerra, filho do secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, parabenizou a ação dos manifestantes ontem, logo após a invasão da Assembléia. Presidente do PFL Jovem, entretanto, defendeu seu direito de lutar pela privatização.


Gogó


Quatro deputados lideram a lista dos roucos na Assembléia: Orlando Pessuti (PMDB) praticamente sem voz , Augustinho Zucchi (PSDB), Algaci Túlio (PTB), e Nereu Moura (PMDB). Moura foi o campeão dos discursos contra a venda da Copel, madrugada afora. Fez dez em menos de 24 horas. Ficou empatado com o tucano Neivo Beraldin.


Refúgio


Depois de passar a noite em claro, os aliados se refugiaram no gabinete do primeiro secretário, Valdir Rossoni (PTB), para descansar. Abrigados entre tapetes persa e ramos de arruda, Ricardo Chab (PTB), Nelson Tureck (PFL) e Carlos Simões (PTB) cochilaram nos sofás do primeiro-secretário.


Mosca azul


Serafina Carrilho (PL) ficou assustada no início da invasão dos estudantes. De olho na campanha eleitoral, minutos depois, mais relaxada, arriscava tirar fotos com a rapaziada. A assessoria de Serafina se viu em apuros para atender os pedidos. Não dos estudantes, mas da deputada.

Invertida


Sérgio Spada (PSDB) achou que sairia ileso, ao aparecer em plenário ontem e anunciar seu voto contra o governo. Não esperava pelo discurso do colega Ângelo Vanhoni (PT) que só faltou lhe chamar de covarde por ter se omitido do primeiro dia de discussões.


Overdose


Nas discussões sobre a venda da Copel, desta vez, os deputados do Paraná se superaram e trabalharam acima da média. Ou não.


Evidência


A movimentação em torno do projeto de privatização da Copel, que tem consumido nos últimos dias a pauta da Assembléia Legislativa, revelou um racha na base aliada do governo. Deputados passaram da condição de ''subservientes'' para ''independentes''.


Pressão


Luiz Carlos Alborghetti (PTB) teve de desligar o celular. O deputado federal José Carlos Martinez, presidente nacional do partido e proprietário da CNT, emissora onde Alborghetti tem um programa policial diário, fez pressão para o deputado mudar de voto e se somar à oposição.


Imagem


Chico Noroeste (PFL) tentou se redimir ao mudar de voto e defender o projeto popular antiprivatização. Memória: Noroeste ficou conhecido recentemente como deputado-raspadinha por ter assinado e rabiscado sua assinatura para instalação de uma CPI para investigar a compra de ações da Sercomtel pela Copel.


Na pele


O senador Alvaro Dias (PSDB) sentiu em parte a dificuldade de não ter a máquina na mão. Não conseguiu demover o deputado de seu partido, José Fernandes Litro da Silva de votar a favor da venda.


Sem-suco


Luciana Rafagnin (PT) ficou sem suco ontem. A sua assessoria saiu para comprar um lanche para a deputada, mas foi impedida de retornar ao plenário. Ordens da mesa executiva, minutos antes do tumulto.


Perguntinha


Os deputados estaduais vão receber algum extra pelas horas trabalhadas a mais?

Vapt-Vupt


O novo reitor da UEL, Pedro Gordan, se surpreendeu anteontem com o telefonema de Lerner parabenizando-o pela nomeação. Sobre a ligação, o reitor disse que foi tão rápida que não teve tempo ''para pedir nenhum tostão''.

O prefeito cassado de Mariluz, padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), saiu da prisão em Curitiba, em cumprimento à decisão judicial que lhe concedeu habeas-corpus. Sua defesa programa para esta semana uma coletiva com o prefeito, que briga para voltar ao poder.

O advogado Newton Moratto, um dos líderes do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina, deve conceder uma entrevista coletiva hoje para explicar por que o Tribunal de Justiça de São Paulo decretou sua prisão. Segundo o advogado de Moratto, Marçal Bchara, a preventiva foi revogada liminarmente pelo TJ paulista.

®FR¯Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais

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