INFORME FOLHA
Compasso de espera
O projeto de iniciativa popular que impede a venda da Copel entra na fase decisiva. Oposição e situação passam os momentos derradeiros à base de calmantes, na expectativa da votação, marcada pelo presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), para a terça-feira, dia 14. Brandão disse que assumiu o compromisso público de votar o projeto antes do dia 15 deste mês quando recebeu o projeto, no dia 11 de junho. Na segunda-feira, deve ser aprovada a transformação do plenário em comissão geral para terça e quarta-feira, acelerando a tramitação da matéria. O pedido já foi feito pelo líder do governo, Durval Amaral (PFL). A comissão geral desobriga a matéria de passar pelas comissões permanentes. Oposição e situação sustentam que terão a maioria em plenário para fazer valer seus interesses. Ao que tudo indica, os telefones dos 54 deputados passam o final de semana congestionados.
Memória
É o primeiro projeto popular que será votado pela Assembléia. Tem 120,9 mil assinaturas, colhidas em mais de 200 municípios. Desde o início dos trabalhos do Legislativo este ano, dia 15 de fevereiro, a venda da Copel dominou os debates. A oposição adotou o combate à privatização como principal bandeira.
Défict
O governo alega que os recursos são necessários para estancar o déficit previdenciário de R$ 100 milhões mensais. Na busca por apoio, a oposição acusou o Palácio Iguaçu de ''comprar o voto'' de deputados, o que foi negado pelo governo. O governo admitiu a barganha apenas parcialmente.
Sugestivo
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, disse que foi comunicado aos deputados que as obras que os mesmos querem viabilizar em seus municípios, por exemplo, dependem de recursos da Copel.
Desgaste
Até sexta-feira, alguns deputados se declaravam indecisos. O governo sabe o desgaste que o processo de privatização traz, aumentando a impopularidade de Lerner. Pesquisa encomendada pelo governo detectou que 77% dos entrevistados são contra a venda.
Mistério
Nada indicava que o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, seria afastado do cargo, um dia antes de consumada a sua demissão. Pelo contrário, o secretário da Ciência, Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig, sinalizava que o reitor estava firme.
Troca
O deputado estadual Moysés Leônidas (PSB) surpreendeu ao enviar ofício a Lerner sugerindo a troca do comando da Polícia Civil em Londrina. Leônidas alegou aumento de criminalidade e reclamações dos londrinenses.
Boa-fé
Apesar da histórica falta de estrutura da polícia em Londrina, o trabalho do delegado-chefe, Gilson Garret Algauer, tem sido respeitado por boa parte das entidades que acompanham o problema na violência em Londrina incluindo o próprio Conselho Comunitário de Segurança. Mesmo assim, o deputado garante que a motivação da troca não é política.
Outdoor
Em março, Leônidas procurou a imprensa para falar de uma ''pesquisa popular'' que estava promovendo sobre a venda da Copel. Pagou outdoor na cidade, com a própria foto estampada, para divulgar a iniciativa. Também não faltaram panfletos no Calçadão.
Cadê?
Na época, Leônidas garantiu que seu voto seria balizado pelo resultado da consulta. Mas depois que a maioria arrasadora dos participantes se manifestaram contrários à venda da estatal de energia, o deputado sumiu do mapa e não falou mais sobre o assunto.
Escaldada
A deputada estadual Serafina Carrilho (PL) não aguentou a pressão e mudou o seu voto na briga em torno da privatização da Copel. Serafina entendeu que votar a favor dificulta ainda mais o seu plano de reeleger-se em 2002.
Namoro avançado
O namoro PMDB-PT, com vistas às eleições 2002, parece bem avançado. Foi o que deu para sentir no banquete oferecido anteontem pelo deputado estadual Caíto Quintana (PMDB) para desembargadores, cartorários e políticos em geral, em sua residência em Curitiba. Ângelo Vanhoni (PT) sentou-se à mesa.
Ausência
O presidente da Assembléia (e dono de cartório) Hermas Brandão (PTB), não compareceu ao jantar. A ausência foi intepretada como um sinal de que o deputado não está querendo dar brechas para cartorários questionarem anteprojeto do Poder Judiciário, que cria novos cartórios em Curitiba e interior do Estado.
Alvo
A informação é do Tribunal de Contas. Londrina está na mira das auditorias que o TC está realizando para investigar denúncias sobre desvios de recursos do Fundef. A auditoria nas contas da prefeitura acontece entre os próximos dias 20 e 24, período em que estarão sendo examinadas também as contas de Arapongas.
Em baixa
Pesquisa realizada em julho pela Boucinhas & Campos Consultores Associados quis saber dos empresários brasileiros se o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conseguiria eleger sucessor em 2002. Para 85% deles, FHC não emplaca sucessor.
Argumentos
Dentre os motivos, 33% acham que isso não será possível em função de indícios de irregularidades cometidas por pessoas ligadas ao governo. Em segundo lugar, com 32%, ficou a crise energética. Em seguida estão a má condução da política econômica (18%) e a falta de investimentos na área social (17%).
Perguntinha
O governo já tem compradores das áreas potencialmente turísticas que estão sendo desmembradas do lote de privatização da Copel?
Vapt-Vupt
q Acontece amanhã o 4º Simpósio Internacional de Gestão do Conhecimento e Gestão de Documentos. O ex-secretário da Previdência Renato Follador Junior é o coordenador dos trabalhos. O seminário será no auditório da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), em Curitiba.
q O comandante do 5º Batalhão da (BPM) de Londrina, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, deve ser afastado do cargo, rumo à reserva. A informação foi repassada à Folha por um grupo de mulheres de PMs que realizaram anteontem protestos no aniversário dos 147 anos da PM.
q Segundo elas, Máximo Fim teria tirado mais 30 dias de licença médica, enquanto aguarda a determinação de entrar para a reserva. Foi contra o tenente-coronel que policiais viraram as costas num protesto por melhores salários.
®FR¯Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais





