Questionamento
O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) vai encaminhar hoje ao procurador-geral da Justiça, Marco Antônio Teixeira, representação contra o governador Jaime Lerner (PFL). Moura quer que o Ministério Público investigue a validade das viagens do chefe do Executivo paranaense ao exterior. De acordo com o deputado, a população tem o direito de saber quais os reais objetivos das 40 viagens que Lerner já fez ao exterior desde que assumiu o governo pela primeira vez. ‘‘Quanto foi gasto, de onde veio o dinheiro, quais os benefícios dessas viagens para o Estado?’’, questionou Moura. O deputado disse ainda que já apresentou vários requerimentos com pedidos de informações à Assembléia, mas todos foram rejeitados pela bancada governista, que tem maioria na Casa. O chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, disse que qualquer Estado brasileiro gostaria de ter Lerner como governador e que as viagens ao exterior trazem benefícios ao Paraná.




Cola

Lerner ficou furioso. Soube que o ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis, que já foi seu aliado de primeira hora, municiava e fomentava ontem deputados a questionarem o processo de privatização da Copel, durante audiência pública montada pelo governo.

‘Expert’

Gionédis conhece como ninguém os meandros de todo o processo, inclusive os seus pontos nevrálgicos. Foi ele quem tomou as primeiras decisões rumo à privatização.

Gafe

A coordenadora dos trabalhos, na audiência da Copel ontem, Márcia Carla Pereira Ribeiro, se referiu duas vezes a Gionédis como presidente do PCC, organização criminosa que promove rebeliões em todo o País. Queria dizer PSC, Partido Social Cristão.

Platéia

Sobrou para os comissionados, mais uma vez. Eles lotavam o auditório do Conglomerado Banestado, onde foi realizada a audiência da Copel. Foram convocados extra-oficialmente pelo governo.

Comparativo

O presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, comparou a Copel a um carro do ano. ‘‘Temos de vender agora. Se deixarmos para o ano que vem, o valor vai depreciar’’, assinalou.

Lambe-lambe

Piadinha que circulou no Centro Cívico, ontem em Curitiba. Lerner já tem o que fazer depois de concluído o seu mandato em dezembro do ano que vem, caso encerre a sua carreira política. A empolgação em registrar as imagens do primeiro-ministro inglês Tony Blair em Foz do Iguaçu revelou sua veia de retratista.

Campanha única

A Força Sindical do Paraná está defendendo uma campanha salarial unificada, visando, entre outras coisas, reajuste salarial de 1,5%. A decisão foi fechada numa reunião realizada entre representantes das Federações dos Trabalhadores Metalúrgicos, da Alimentação, da Indústria, do Turismo e da Saúde, e do Sindicato das Secretárias, dos Hoteleiros, dos Metalúrgicos e Comerciários.

Recuo

O vereador Ney Leprevost desistiu ontem de assinar sua ficha no PMDB. Seu ingresso era dado como certo por lideranças do partido. Uma discussão com os vereadores peemedebistas Paulo Salamuni e Marcelo Almeida, durante a sessão da Câmara que debateu a adoção do voto aberto, fez Leprevost mudar de idéia.

Futuro

Leprevost disse que está mais propenso a aderir ao PSB, o partido do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Mas garante que analisa outros três convites.




Hangar

O deputado federal Odílio Balbinoti (PSDB) é o primeiro proprietário de avião particular a construir hangar no novo aeroporto de Maringá. As obras começaram ontem e vão proteger o bimotor de Balbinoti. A maioria dos mais de 30 donos de aeronaves de Maringá não optou pelo novo aeroporto, levando os aparelhos para outras pistas da região.

Rotatividade

O radialista Frambel Carvalho é o terceiro diretor de imprensa da Prefeitura de Maringá em sete meses de governo do prefeito José Claudio (PT). Ele assumiu a vaga da jornalista Regina Daefiol, que ficou dois meses no cargo. O primeiro diretor da área foi o apresentador Raí Nascimento.

Aparte

Roberto Requião apartando Osmar Dias no Senado comparou escândalo do Banestado com escândalo de Jader Barbalho, sobre a questão dos precatórios. ‘‘A venda da Copel vai acabar com os vendedores na Penitenciária de Piraquara.’’ Fez um alerta: ‘‘Os que comprarem a Copel agora, de uma quadrilha, vão ter que devolvê-la ao Paraná.’’ ‘‘Será que o Paraná vai ter que esperar tudo isso por um escândalo muito maior que é o do Banestado’’?

Sem espaço

A vontade manifestada pelo senador Alvaro Dias, de não arredar o pé do PSDB, é mais uma prova de que o tucano encontra sérias dificuldades para acomodar-se em outra sigla de peso. PTB, PPS e PT já manifestaram rejeição. O PMDB quer Alvaro, mas para posição subalterna, que não ofusque Requião.

Festa

Para a ala xiíta do PT, a passagem de Lula pelo interior Paraná não poderia ter sido melhor. Primeiro porque Lula negou o convite de Osmar Dias para ingressar no partido. Depois, porque o sindicalista defendeu candidato próprio ao governo, o que põe em xeque a tese da ala moderada.

Muito cedo

O deputado Ângelo Vanhoni disse que ainda é muito cedo para ser tratado como candidato à sucessão de Jaime Lerner. Prefere falar sobre o assunto mais para frente quando os quadros nacional e estadual estiverem mais claros.

Risco

O vai-e-vem do prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati (atualmente sem partido político), da casa para a cadeia, e da cadeia para casa, vai acabar rendendo-lhe o título de o ‘‘Lalau das Araucárias’’.

Perguntinha

Como pode um minuto de ligação para os Estados Unidos custar alguns centavos – como o consumidor está vendo na tevê, na guerra de preços das teles –, e uma singela consulta ao serviço de informações custar o absurdo de R$ 1,80 (Telepar Brasil Telecom)?




Vapt-Vupt

• O ex-prefeito de São Jerônimo da Serra Gilberto Pinheiro Melo (sem partido) informou ontem que já apresentou recurso junto ao Tribunal de Contas do Paraná contra parecer que reprovou as contas de sua administração, em 1994.
• De acordo com o ex-prefeito de São Jerônimo, as irregularidades encontradas pelos conselheiros do Tribunal não passam, conforme seu entendimento, de falhas formais, e as obras citadas no parecer final foram realizadas.
• Gilberto Melo esclareceu que, na época, a prefeitura firmou convênio com o governo do Estado para construção de módulos sanitários (espécie de banheiros para famílias de baixa renda) no valor de R$ 24 mil – ou R$ 70 mil atualizados. Ainda de acordo ele, a obra atendeu a cerca de 30 famílias. ‘‘Estou seguro de que o tribunal vai reavaliar esse parecer.’’
Leandro Donatti, de Curitiba, com Redação e sucursais

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