INFORME FOLHA
Noiva
Ney Braga chegou ao restaurante de Santa Felicidade, sexta-feira à noite, para a festa de comemoração de seus 80 anos, às 19h45. Ficou esperando dentro do carro até 21 horas, para entrar só quando o governador Jaime Lerner chegasse. Lerner atrasou porque voltava do Noroeste do Estado, onde tinha enfrentado agenda puxada, incluindo uma conversa quente com a direção da Sociedade Rural de Maringá, que lhe cobrou ação mais rígida na desocupação de invasões pelo Movimento Sem-Terra. Fany Lerner, que também passou a sexta-feira no Interior - entregando obras na região Oeste - não acompanhou o governador ao jantar. Só quando Lerner chegou, na correria, é que Ney Braga deixou o carro e entrou no salão para ser homenageado por cerca de mil pessoas, a maioria políticos que projetou. Entre eles também alguns adversários.Ausentes
O jantar pró-Ney reuniu mil pessoas no Madalosso, segundo avaliação da JJ Comunicações - agência organizadora da festa. Entre eles, nove ex-goverandores. As ausências mais evidentes foram as dos ex-governadores Roberto Requião e Jaime Canet Júnior.
Bastidores
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, também não foi à festa de Ney. Talvez para marcar que foi sobre o neysmo no poder do Paraná que ele ficou um período fora da política, cassado sob acusação de corrupção, durante o regime militar.
Emoção
Ney Braga se deteve em abraços com todos os ex-goverandores presentes, mas chorou emocionado num abraço com José Richa. Ao fundo, a música ‘‘Amigo’’, de Roberto Carlos.
Memória
Foi Richa quem ‘tirou’ o mando político do grupo de Ney Braga, quando assumiu o governo em 82, na primeira eleição direta para governadores, na transição da ditadura para o regime democrático. Naquela eleição, Ney foi derrotado ao Senado, com uma respeitável diferença de votos, por Álvaro Dias, que dobrava com Richa.
Faro
Álvaro Dias não perdeu a oportunidade de salientar sua presença no jantar pró-Ney. Chegou cedo e ficou à disposição de repórteres e câmeras de TV para qualquer declaração política e sobre o homenageado. Disse, inclusive, que o PTB ‘‘é bem-vindo para uma aliança com o PSDB’’, em 98.
Honra
A mesa do homenageado foi composta por Ney e Nice Braga, Lerner, Cássio e Marina Taniguchi, e Emília e Antonio Belinati.
Poesia
‘‘Tudo vale a pena quando a alma não é pequena’’. Foi com este verso de Fernando Pessoa que o governador Jaime Lerner encerrou seu discurso, na homenagem em nome dos amigos de Ney.
Conciliação
‘‘Eu tenho aqui um monte de adversáiros políticos, mas que, sobretudo, são meus amigos.’’ De Ney Braga, ao agradecer pela festa.
Ensinamento
O palanque eletrônico tem uma força arregimentadora de votos inquestionável, ‘‘mas os políticos de hoje têm de levar em conta que o corpo-a-corpo ainda é fundamental’’. Conselho de Ney Braga aos novos políticos, na entrevista de quinta-feira. Ele disse que faz o corpo-a-corpo ‘‘até hoje’’.Sem recheio
Depois do mexe-remexe no relatório da CPI dos Precatórios, o resultado está cheirando a pizza. E o pior: pizza sem recheio.
Carneirada
Mas o senador Roberto Requião tenta provar o contrário. Tanto que ontem, reuniu os jornalistas que grudaram nele há meses atrás das ‘notícias bombásticas’’, para um almoço cujo cardápio não tinha pizza, mas carneiro. Não se sabe se foi carneiro no buraco, à moda de Campo Mourão.
Sem emplacar
Há algum tempo, Lerner convocou separadamente os presidentes dos clubes de futebol paranaenses que participam de jogos nacionais para um pedido único: que fizessem o marketing dos Jogos Mundiais da Natureza nas camisetas dos times durante as partidas. Quando dizia que esperava ‘adesão voluntária’, recebia risos amarelos. Ninguém topou. Amigos, amigos, negócios à parte.
Sufoco
A Telepar está investindo R$ 5 milhões em estrutura de telefonia para os Jogos Mundiais da Natureza, em Foz do Iguaçu. Mas entrenta toda sorte de dificuldades e correria para deixar tudo pronto em função do atraso ocorrido no cronograma das obras definido pelo governo do Estado.
Duas causas
A onda de greves de PMs que se abateu sobre os estados brasileiros denuncia ‘‘falta de solução para o problema dos salários ou falta de autoridade dos governantes’’. É o que pensa o senador José Eduardo (PTB), para quem Lerner ‘‘se saiu muito bem deste episódio’’, ao ter a visão antecipada de pagar um salário melhor para a PM do Paraná, comparativamente aos Estados que enfrentam a rebelião nas ruas.
Elasticidade
O deputado estadual Plauto Miró (PFL) está comprando uma briga com a burocracia do Porto de Paranaguá. Ele não entende por que a Inspetoria da Receita Federal no terminal, ao adotar a norma de desembaraço aduaneiro de exportação e importação, encolheu o serviço apenas para os dias úteis. A medida embaraça a vida dos usuários do porto, causando prejuízos.
Pesar
O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, viajou a São Paulo na noite de sexta-feira, tão logo soube da morte de sua mãe, Masako Taniguchi, imigrante japonesa que estava com 86 anos. O sepultamento foi ontem à tarde. Ela e o marido - Masaji Taniguchi, já falecido - migraram para o Brasil na década de 30 e se estabeleceram em lavouras de café no interior de São Paulo.Vapt-Vupt
q Paulo Pimentel, que se lançou a uma briga política das mais aguerridas com Ney Braga durante o último período do neyismo, não deixou de comparecer à festa dos 80 anos de Ney. Mas ficou só meia hora.
q Figura que não costuma perder a oportunidade de brilhar, o chefe da Casa Civil e ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, também não estava entre os que cantaram parabéns a Ney Braga.
q Os que esperavam ver a festa dos 80 anos de Ney se transformar num acontecimento político do PFL, com declarações de filiação de Jaime Lerner, Cássio Taniguchi e outros nomes de peso, saíram frustrados. Foi um encontro suprapartidário, onde do que menos se falou foi de partido, ideologias, comprometimentos, brigas e sucessos do passado recente.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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