INFORME FOLHA
Banho-maria
Não é de hoje que o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, arrebanha integrantes do PTB para acompanhar ou antecipar-se ao governador Jaime Lerner num novo partido. Dono de uma liderança determinante sobre seu grupo no Estado, ontem Khury confirmou que sai do PTB e fica sem partido por uns tempos, até se alojar em nova sigla, desde que seja a mesma de Lerner. Ele atribui a pressa em desligar-se do PTB a um constrangimento nas relações com o presidente nacional do partido, senador José Eduardo. Garantiu um pretexto, já que há meses vem dizendo que vai para o PFL. Também não admite, mas só não adere hoje ao PFL por cautela: não quer ser supreendido por um anúncio de Lerner de que sua opção será outra. Khury sabe que, por se tratar do governador, nada se pode antecipar. Não fosse isso, o quadro político partidário do Paraná já estaria claro.Abordagens
Desde que voltou do exterior, Aníbal Khury tem se ocupado de convencer petebistas a abandonar a sigla junto com ele. Ontem, um dos assediados foi o prefeito em exercício de Londrina, Alex Canziani. A conversa foi longa, mas Canziani diz que não pensa em sair.
Dois flancos
Entre ontem e hoje, Alex Canziani está em viagens a Curitiba e São Paulo. Assessorado por técnicos da Fazenda, ele esteve ontem com o secretário da Indústria e Comércio, Nelson Justus, e depois com o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. No primeiro encontro, tratou de sondar novos investimentos industriais para Londrina. No segundo, de alternativas de recursos para o município.
Vendo o peixe
A agenda de Canziani em São Paulo, hoje, prevê ‘‘encontro com empresários interessados em se estabelecer em Londrina’’. Mas nenhum nome de empresa foi antecipado.
Pendura
O deputado Carlos Simões - derrotado nas eleições de Curitiba - continua exigindo do seu partido, o PSDB, que assuma pelo menos parte das dívidas da campanha. O irmão de Carlos, João Simões, saldou em junho uma parcela de R$ 300 mil com produção de TV e rádio. João Simões estaria vendendo bens para não queimar o nome na praça. A cúpula estadual do PSDB não quer saber da dívida.
Homenagem
O ministro do Superior Tribunal de Justiça Milton Luiz Pereira será homenmageado amanhã, em Campo Mourão. Ex-prefeito do município (64/67), Pereira foi o criador do Departamento Municipal de Saúde e Assistência Social, razão da homenagem em meio à programação do ‘‘Protegendo a Vida’’ na cidade.
Desvio 1
Já houve um precedente no Rio Grande do Sul: a direção do banco Meridional voltou a ser multada pela Delegacia do Trabalho do Paraná no último final de semana, por submeter os funcionários a ‘‘desvio de função’’. Os funcionários de oito agências de Curitiba foram convocados para realizar faxina completa nos locais de trabalho - da limpeza dos armários aos banheiros.
Desvio 2
A direção do Meridional inclui a faxina como parte do programa ‘‘5 S’’ de Qualidade e Produtividade do banco. O sindicato da categoria denunciou à DRT e o órgão multou o banco. Sob o argumento de que esse tipo de exigência fere a legislação que rege a atividade bancária.Mais sondagens
Agora a sondagem é em Ponta Grossa. Por encomenda de um jornal local, a Perfil Pesquisas ouviu 600 pessoas este mês para saber como se comportariam nas urnas, se as eleições para governador fossem agora. Lerner saiu na frente, com 39%; Álvaro Dias é o segundo, com 24,5%, próximo de Roberto Requião, com 23%. Luiz Eduardo Cheida teria 4,5%.
Performances
A pesquisa de Ponta Grossa apontou Requião em melhor situação do que Álvaro, na hipótese de um dos dois disputar segundo turno com Lerner. Na simulação Lerner-Álvaro, o primeiro ganharia com 48% dos votos. Álvaro ficaria com 38,5%. Entre Lerner e Requião, o governador ganharia com 45%, contra 40,5% do senador.
Curiosidade
Se a disputa ficasse entre Álvaro e Requião, haveria um empate técnico, com vantagem para o senador: ele teria 43%, contra 41% de Álvaro. Ponta Grossa é administrada por Jocelito Canto, tucano aliado do presidente da Telepar.
Atraso 1
Indisfarçável o mal-estar durante o Fórum de Prefeitos do Mercosul, no final da semana, em Cascavel. Os participantes esperaram uma hora e 20 minutos pela chegada do governador Jaime Lerner, no auditório da prefeitura. Brasileiros, paraguaios e uruguaios uniram-se na chiadeira.
Atraso 2
O governador da província argentina de Misiones, Federico Ramón Puerta, até quis ir embora. Quando Lerner chegou, ele e prefeitos argentinos não foram recebê-lo. ‘‘Não estamos acostumados com isso’’, disse Puerta a um interlocutor. O prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros, recebeu Lerner sozinho.
Justificativa
O Cerimonial do Palácio Iguaçu informou ontem que Lerner era apenas um palestrante convidado para o encontro de Cascavel e que sua chegada estava previamente acertada para o horário em que ocorreu. O governador estava em Foz do Iguaçu.
Sem cerimônia
O governador Ramón Puerta pediu licença e se retirou, depois de participar durante meia-hora de um programa sobre o Mercosul na TV Tarobá, sexta-feira à noite. Sob a alegação de que a hora tardava e tinha um compromisso inadiável na cidade.
Perguntinha
Quantas vezes já se leu nos jornais que o presidente ‘‘ficou irritado’’ com declarações (entrevistas, gafes, críticas, atitudes...) do ministro Sérgio Motta?Vapt-Vupt
q A Perfil também fez pesquisa para a eleição presidencial em Ponta Grossa. Não houve novidades: FHC ganharia com 42%; Lula viria em segundo, com 24,5%; Sarney em terceiro, com 10,5%; Itamar teria 9,5% e Maluf, 5,5%.
q O presidente regional do PPB, José Janene, atiça a situação. Disse ontem que ‘‘as conversas com Álvaro e Requião estão bastante adiantadas’’. E confirma o óbvio: ‘‘Eles têm dado ao partido mais atenção do que o governador Jaime Lerner.’’ Quando falava de prováveis alianças para 98.
q A influente secretária do governador Jaime Lerner, Duda Camargo, está entre os modelos que desfilam hoje à noite na Kony’s, de Curitiba, no encerramento da ‘‘Campanha do Agasalho’’. Outro escalado para se ‘exibir’ na passarela é o porta-voz do governador, jornalista Hudson José.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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