Dança no Judiciário

A aposentadoria de Silva Wolf está movimentando os bastidores do Poder Judiciário. O desembargador, que é vice-presidente do Tribunal de Justiça, não poderá concluir o seu mandato em dezembro. Wolf está na iminência de completar 70 anos e a sua compulsória sai agora em abril. O nome mais cotado para cumprir o mandato-tampão é o do desembargador Acacio Cambi. Pelo Regimento Interno, a bola da vez seria Claudio Nunes do Nascimento, o mais antigo dentre os desembargadores. Porém, sua aposentadoria também tornou-se impedimento. Claudio Nunes deixa o Tribunal em junho. Oto Sponholz, o segundo na linha de sucessão, vai declinar da vice para não queimar suas fichas. O desembargador tem projeto de disputar – não necessariamente neste final de ano – a presidência do TJ. Se assumir a função de Silva Wolf fica com sua pretensão inviabilizada por implicações de ordem legal.

Preterido
O ex-presidente do Tribunal de Justiça Henrique Lenz César foi preterido mais uma vez pelo governo. Fontes ligadas a Lerner garantem que, na semana, o desembargador ofereceu-se como candidato à vaga de secretário da Justiça. Porém, não conseguiu emplacar sua colocação. Foi assim também no final de 1998, quando Lenz César deixou o comando do TJ para se aposentar.

Impedimentos
Argumentos para não nomear o desembargador para a pasta não faltam. Logo depois de deixar o Poder Judiciário, Henrique Lenz César filiou-se no PSDB, partido que hoje faz oposição ao governo Lerner apesar das atitudes às vezes titubiantes. Além disso, o atual presidente do TJ, Sydney Zappa, não gostaria nada de ver o desembargador frente à Secretaria da Justiça.

Briga antiga
Zappa e Lenz César passaram a trocar oficialmente farpas depois da mudança de comando, no início do ano passado. O presidente do TJ tornou sem efeito diversas medidas administrativas tomadas pelo seu antecessor. Algumas delas, inclusive, envolvendo nomeações de parentes de Lenz César para cartórios.

Vida mansa
Ao manifestar publicamente seu interesse em assumir o quanto antes cadeira no Tribunal de Contas do Paraná, Heinz Herwig, revelou não apenas o seu cansaço com o dia-a-dia da Secretaria dos Transportes, mas também a sua preocupação em manter-se num vitalício. No TC, o secretário terá vida mansa pelo menos até os 70 anos, quando da aposentadoria compulsória.

Sem padrinho
Se Aníbal Khury estivesse vivo, Herwig nem precisaria correr o risco de disputar a vaga de conselheiro com o deputado Basílio Zanusso (PFL). Seria conduzido ao cargo, nem que fosse a fórceps.

Não muda 1
Apesar de reclamarem dos prejuízos impostos pela abertura econômica – e antes disso pelos sucessivos planos econômicos – os empresários rurais do Paraná mostram-se satisfeitos com suas lideranças e não acenam com mudanças. Recentemente, o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, foi reconduzido ao cargo pelo quarto mandato consecutivo. A Faep está nas mãos de Meneguette há 9 anos.

Não muda 2
Na quinta-feira, em Curitiba, o presidente dos últimos quatro anos da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, também foi reconduzido para mais três anos frente à entidade. E, em Londrina, o nome de Francisco Galli já foi lançado por simpatizantes para mais um mandato à frente da Sociedade Rural do Paraná.

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