INFORME FOLHA
The day after
A receptividade que os líderes da caravana a Brasília acreditaram ter encontrado no Senado virou pó ontem, com a reação liderada pelo senador Esperidião Amin (SC), na Comissão de Assuntos Econômicos, de devolver os pedidos de empréstimos internacionais ‘‘à origem’’, para que se respeite as regras do jogo definido anteriormente. O dia seguinte revelou que os senadores são hábeis em jogo de cintura quando estão na frente do interlocutor, mas também que não se rendem a pressões que não estejam respaldadas em resultados políticos imediatos. A marcha paranaense a Brasília bateu cabeça nos corredores do Senado, mas considerou que o ‘‘arrastão’’ foi frutífero, principalmente com relação às garantias obtidas com ACM. Ontem, o presidente do Senado não comentou a proposta de Amin, aprovada na CAE.
Ivo AkioHonras da casa
O prefeito Salazar Barreiros (PPB) não estava em Cascavel para recepcionar Lerner ontem, mas ligou de Brasília orientando o vice, Eduardo Marassi (PFL), que estendesse ‘tapete vermelho’ ao governador. Para se precaver de especulações pela ausência.
Agrado
Em Santa Tereza do Oeste, ontem, Lerner inaugurou o centro de rodeio construído com recursos do Paraná Urbano. O prefeito Ademir Renosto (PDT) fez um agrado ao governador, dando o nome dele ao centro. Em Cascavel, o prédio da Unioeste inaugurado por Lerner ontem abriga a reitoria desde março de 96, mas ainda falta urbanização externa e reforma das divisórias internas.
Tomate 1
Ao ‘vender’ o potencial de Londrina, o presidente da Codel, Alex Canziani, disse ontem a empresários de fora que a cidade é boa para investimentos porque tem ‘‘baixo’’ índice de sindicalismo, ‘‘um problema nas grandes cidades’’.
Tomate 2
Que os investidores sempre levam em conta o grau de organização sindical na hora de se decidirem, todo mundo sabe, mas Canziani usou esse argumento no discurso que fez, durante assinatura de acordos entre o presidente da Federação das Indústrias da Emília Romagna, Alberto Mantovani, e dez entidades e órgãos da cidade.
Pitangueiras
Cerca de 120 eleitores de Pitangueiras (Norte do Paraná) voltam às urnas em 29 de junho. O TRE anulou ontem o resultado das eleições 96 de três seções eleitorais. Motivo: cerca de 5 mil pessoas ficaram sem votar por não constarem na lista, apesar de estarem em situação regular.
Por dois
A ação foi movida pelo candidato derrotado, Antônio Kolachinski (PSDB). O advogado João Graça acredita que a nova eleição muda o resultado final de Pitangueiras em favor de seu cliente. O atual prefeito (Odécio Ferrarini-PTB) venceu por dois votos.


Pesos e medidas
A mesma reunião da CAE que manteve o bloqueio dos empréstimos ao Paraná aprovou o ofício 38, de 97, do governador Antonio Britto (RS), ‘‘solicitando autorização do Senado Federal para contratar operação de crédito externo junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), no valor de US$ 100 milhões, equivalente a R$ 104,6 milhões em valores de 31 de janeiro’’.
Mesma coisa
Relatado pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) e aprovado pela CAE, o empréstimo ao governo gaúcho se destina ‘‘ao financiamento de parte do projeto de conservação dos recursos naturais e combate à pobreza e o êxodo rural’’. Trata-se da ‘versão gaúcha’ do Paraná 12 meses, emperrado no Senado desde 96.
Detalhe
Os técnicos paranaenses do ‘‘12 Meses’’ subsidiaram os colegas do Rio Grande do Sul, na elaboração do projeto deles, cuja base é combate à pobreza no campo. A dívida mobiliária do RS gira nos R$ 7 bilhões. A do Paraná, nos R$ 390 milhões. Britto protocolou o programa há uma semana no Senado.
Inconformismo
Um dos mais inconformados com a indicação de qual senador deveria abordar para convencer a liberar os empréstimos paranaenses, anteontem, era o líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PDT). ‘‘Peguei a maior carne de pescoço’’, queixava-se no vôo de retorno. Rossoni foi destacado para falar com Gilberto Miranda (PMDB-AM), que joga no time de Requião.
Debulhada
Outra líder de comissão que se deu mal foi a vereadora Nely Almeida, de Curitiba. De origem catarinense, foi destacada para ‘convencer’ Esperidião Amin. Um dos mais argutos integrantes do Senado, Amin deixou Nely Almeida falar. Até se cansar. A resposta viria no dia seguinte.
Abre alas
Bancando o porta-voz de Requião, Ney Suassuna (PMDB-CE) se dirigiu a um dos 50 grupos de paranaenses que se subdividiram pelos corredores do Senado e anunciou: ‘‘Venham aqui que o Requião vai falar com vocês.’’ Quando empresários e políticos se movimentaram, ele emendou: ‘‘Só a imprensa.’’
Cerimonial
‘‘Não usem os termos ‘queixa nem protesto’ na hora de abordarem os senadores. Eles são muito corporativos.’’ Essa foi uma das muitas recomendações de Cássio Taniguchi aos integrantes da comitiva do Paraná, antes do desembarque de quarta-feira, em Brasília. Tinha lá sua razão.Vapt-Vupt
q Os deputados Cleiton Crisóstomo e Durval Amaral ‘ganharam’ prazo até segunda-feira para decidirem se endossam ou não o pedido de CPI das montadoras, na Assembléia Legislativa. Se a resposta for negativa, a executiva do PMDB vai ‘convidá-los’ a escolher nova sigla partidária.
q A prefeita de Antonina, Munira Peluso (PDT) foi a São Paulo avalizar o contrato privado entre a administração do porto de Ghent, Bélgica, e a Terminais Portuários Ponta do Félix, que quer reativar o porto de Antonina.
q Canziani embarca sábado para os EUA onde, durante dez dias, faz contatos empresariais para investimentos em Londrina. O argumento da desorganização sindical segue junto.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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