Informe Folha








Sem controle
O governador Jaime Lerner (PFL) não conseguiu segurar a língua dos colegas e impedir que a famigerada guerra fiscal entre os Estados fosse um dos temas da 5ª Conferência Nacional dos Governadores, ontem em Curitiba. Lerner bem que tentou, mas o governador do Acre, Jorge Viana (PT), colocou por água abaixo a orientação do governador paranaense. Foi por conta de uma intervenção de Viana que Mário Covas (PSDB), de São Paulo; e César Borges (PFL), da Bahia, engalfinharam-se na reunião. Covas estava disposto a não tocar no assunto, desde que não fosse provocado. Ele disse, na sua nervosa fala aos governadores, que a guerra fiscal não passa de eufemismo, que beneficia somente empresários chantagistas. César Borges devolveu, acusando Covas de descumprir a legislação ao criar medidas que, segundo o governo paulista, são de salvaguarda. O bate-boca não era esperado.



Para animar
Lerner fez uma brincadeirinha para descontrair o clima carregado de guerra fiscal e agradar ao governador do Rio Grande do Norte, Garibaldo Alves Filho (PMDB), que estava de aniversário. No almoço oferecido no Chapéu Pensador, foi entregue um bolo para o aniversariante com os dizeres: ‘‘Bolo fiscal’’.
Karaokê
Aliás, Garibaldo Alves era só empolgação. Na noite de quinta-feira, depois do recital de música popular no Canal da Música, o governador do Rio Grande do Norte, todo animado, pedia informações a Marcos Isfer (PFL), o secretário do Governo da Prefeitura de Curitiba. O governador queria endereços de locais para cantar e dançar.
Próximo encontro
A próxima reunião dos governadores será no Rio de Janeiro, daqui a dois meses. O compromisso foi firmado ontem, ao final da conferência encerrada por Lerner.
Contra
José Orcínio Miranda, o Zeca do PT, passou por Curitiba detonando a disputa de oferecimento de incentivos travada entre governadores. ‘‘O Mato Grosso do Sul é um dos Estados absurdamente vítimas dessa guerra fiscal irracional. Sou contra esses tipos de incentivos’’, assinalou ele. Zeca veio acompanhado de seu atual secretário de Finanças, o ex-deputado federal do Paraná Paulo Bernardo.
Tiro dirigido
Anthony Garotinho (PDT), o governador do Rio de Janeiro, criticou Leonel Brizola. ‘‘Tenho o maior respeito por ele, mas temos divergências muito profundas. A minha crítica nunca foi para diminuir o partido nem para diminuir o Brizola. Acontece que ao longo dos anos o partido está encolhendo. Uma série de equívocos foram cometidos e é preciso mudar para o partido se renovar e crescer’’, disse.
Perguntinha
Na próxima conferência, guerra fiscal entra oficialmente na pauta dos governadores?

Efeito dominó
Sentindo-se provocado, Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, também entrou no debate, dando o seu ponto de vista sobre a guerra fiscal. ‘‘Todos concordam que o atual modelo não é bom. Precisamos de um desenvolvimento paralelo, levando em conta as diversidades do nosso País’’.
Silêncio
Lerner foi o único que cumpriu a promessa e não abriu a boca para falar de guerra fiscal. Concluída a troca de farpas, o governador pediu aos colegas atenção exclusiva para o texto do documento contendo as reivindicações dos Estados que será entregue ao presidente Fernando Henrique.
Mesmo teto
Mário Covas e César Borges ficaram hospedados no mesmo hotel durante a estada dos governadores em Curitiba. Quartos em andares diferentes. Tudo tem um limite.
Verniz
‘‘Como você está elegante.’’ Primeiras palavras ditas por Covas ao encontrar Lerner, no café da manhã, do Chapéu Pensador, o gabinete ecológico do governo na subestação da Copel. Elogios nada comparáveis à troca de agressões feitas semanas atrás, quando Covas disse que Lerner só falava ‘‘asneira’’ e Lerner devolveu chamando Covas de ‘‘chorão’’.
Bah tchê!
Acostumado com a arquitetura dos pampas gaúchos e com a simplicidade do PT, Olívio Dutra, o primeiro a chegar para o café da manhã, levou um susto com o gabinete ecológico do governador do Paraná. Perguntou: ‘‘Que é isso?’’ Lerner respondeu, orgulhoso: ‘‘É aqui que trabalho de manhã!’’
Transporte
Lerner pediu emprestado um ônibus-ligeirinho das empresas que fazem o transporte urbano em Curitiba para transportar os 20 governadores e dois representantes do Chapéu Pensador até o Parque Barigui, onde foi realizada a conferência.
Biocolor
A loiríssima Lúcia Camargo, secretária estadual da Cultura, recepcionou os governadores no concerto de música popular, programado pelo governo para animar os primeiros a desembarcar em Curitiba.
Autocrítica
Covas manteve a sinceridade. Disse ontem, minutos depois do encontro, que a conferência foi ‘‘muito simpática’’. ‘‘O difícil é fazer reunião de cinco horas com pessoas que gostam de ouvir a si próprios’’, disse o governador de São Paulo, incluindo-se. Na chegada, soltou os cachorros em cima dos jornalistas que o questionaram sobre guerra fiscal. Covas não quis rebater as acusações de César Borges que o acusou, na noite anterior, de promover o ‘‘terrorismo fiscal’’.

Vapt-Vupt
• A APP-Sindicato tentou estragar a festa do Palácio Iguaçu, mas foi vencida pelo cansaço. Um grupo com 20 manifestantes parou em frente ao salão de atos do Barigui ontem para protestar contra o pagamento escalonado de férias, adotado pelo governo Lerner.
• A demora da reunião e uma conversa com o secretário-chefe da Casa Civil, Tato Taborda, entretanto, fez com que os manifestantes desistissem do protesto. Mas antes de deixar o parque, a APP tentou uma última cartada para fazer com que as faixas, criticando Lerner, fossem vistas pelos governadores.
• Dois manifestantes tentaram pegar os pedalinhos do lago do Barigui, para afixar as faixas em local visível. A estratégia não deu certo. Os pedalinhos só estão disponíveis depois das 14 horas. Nesse horário, a reunião chegava ao fim.
De Curitiba, com redação e sucursais

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