Informe Folha








O preço do exagero
O sigilo obsequioso com que Lerner tentou envolver sua viagem à França deu margem para ruídos de comunicação entre os subalternos. A informação de que viajaria para a França na companhia da secretária da Administração, Maria Elisa Paciornick, é um exemplo de que esconder informações que deveriam ser públicas nem sempre é a melhor estratégia. Maria Elisa não vai junto com Lerner para Paris, agora no final do mês, como informou fonte à ‘Folha’ no final de semana. A secretária vai para a França, mas para outro compromisso que, por motivos de agenda, já deveria ter ocorrido em dezembro do ano passado: a discussão de um convênio de cooperação na região de Ile de France. Lerner embarca semana que vem para tratar do anúncio de um investimento com a Renault. As viagens coincidiriam, mas a pedido de Lerner, Maria Elisa vai esperá-lo voltar de Paris, para embarcar no dia 30.



Quarentena
Os políticos que passaram o final de ano nos Estados Unidos e na Europa devem ficar atentos. Podem estar incubando o vírus da gripe de Sydney. Para não correr riscos, recomenda o bom senso que Lerner tome as precauções e se vacine antes de embarcar para Paris.
De molho
A reunião para definir o texto da circular que obriga os secretários de Estado a convidar com certa antecedência deputados e prefeitos às inaugurações oficiais, marcada para ontem com o chefe da Casa Civil Tato Taborda, teve de ser cancelada. O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), pegou forte gripe e não pode se locomover de Bituruna a Curitiba.
Calibre
O grau de influência na equipe de Lerner pode ser mensurado pela frota particular. Enquanto Omar Akel, da Mineropar, rodava com uma surrada Quantum prata, Giovani Gionédis, da Fazenda, circulava pelo Centro Cívico com um Audi A6, último modelo.
Semântica
Não chamem de ‘‘fantasmas’’ os servidores da Assembléia que recebem dos cofres públicos sem trabalhar, porque o presidente da Casa, Nelson Justus (PTB), tem chilique. O deputado prefere ser mais diplomático, como manda a boa etiqueta, e chamar os espertinhos que estão dilapidando o patrimônio público de ‘‘funcionários prescindíveis’’.
Modelo
A proposta de PDV idealizada por Maria Elisa Paciornik, a secretária da Administração, está sendo usada apenas como um modelo para o PDV preparado por Justus. O PDV da secretária, colocado na geladeira por ordem do governador, não pagava um salário por ano trabalhado, mas reduzia os salários dos servidores públicos inscritos no programa de forma gradual.
Perguntinha
Em vez de oferecer PDV, com vantagens como o pagamento de salário integral por ano não trabalhado, não seria mais correto instaurar processos administrativos e tentar demitir por justa causa os ‘‘fantasmas’’ da Assembléia?

Estilo próprio
O segredo é característica marcante no estilo de Lerner. O governador fica fulo quando alguma informação que ele considera relevante vaza por secretários ou assessores próximos. Muitas vezes, um exagero que só leva ao desgaste. Nenhuma viagem para a França, em pleno mês de janeiro, passaria despercebida.
Na Europa
Quem está de férias na Europa há dias e que deve se encontrar com Lerner em Paris, para as negociações do governo com a Renault, é o secretário da Indústria e do Comércio, Eduardo Sciarra.
Só flores
Alvaro Dias (PSDB) vai maneirar no discurso anti-Fernando Henrique. Solicitação do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), a pedido do Planalto, atendida de pronto pelo senador do Paraná que, mesmo diante do recuo, promete fazer críticas ao governo federal quando considerar oportuno. Tristeza geral no Palácio. Com Alvaro na oposição, Lerner gozaria, teoricamente, de mais prestígio com o presidente.
Petrobras
Alvaro não tem dúvidas que partiram do governo as cópias de um documento mostrando que o senador, quando governador do Paraná, em 1987, promoveu a venda de todas as ações do Estado junto à Petrobras. ‘‘Depois que a gente assume um discurso mais crítico (ao governo do Estado), eles ficam reclamando. Isso só nos estimula a fazer críticas.’’
Prioridade
O senador disse que vendeu os papéis – hoje ele é contra que o governo federal o faça – para cobrir furos no Banestado. ‘‘Era melhor capitalizar o banco que guardar os papéis na gaveta. A quantia de ações que o Estado tinha (4,8 milhões dentre ações ordinárias e preferenciais) era insignificante’’, pondera Alvaro.
Internado
O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) passou mal em Camboriú, Santa Catarina, e teve de ser transportado às pressas para o Hospital Evangélico, em Curitiba, onde está internado e deve receber alta ainda hoje. O deputado apresentava quadro de infecção.
Garçom, guaraná!
Rafael Greca não fez cerimônia no almoço que teve ainda Lerner, Cassio Taniguchi e a comissão da Fifa que vistoriou a Arena do Atlético em Curitiba. O ministro dispensou o legítimo Mouton Cadete Rothschild francês para beber guaraná, sob a alegação de que vinho não caía bem com o calor e que opção por guaraná era a mais ecologicamente correta, além de afrodisíaca. Urs Kneubuhler e Yousef Al Sekal, delegados da Suíça e da Arábia, respectivamente, renderam-se aos argumentos.

Vapt-Vupt
• O defensor da bomba atômica está de volta. Jamil Nakad, juiz aposentado e empresário do setor hoteleiro de Foz do Iguaçu, anunciou-se ontem como pré-candidato do PRTB à Prefeitura de Curitiba. Já tem a bênção, desde dezembro, do presidente cassado Fernando Collor.
• Tem fumaça. O PSL dos deputados Geraldo Cartário e de Edno Guimarães distribuiu nota oficial ontem informando que não está descartada uma dobradinha entre Beto Richa, do PTB, e Luiz Carlos Martins, do PSL, para a sucessão de Cassio Taniguchi (PFL), em outubro próximo.
• Dia 31 de janeiro é o último dia para os 399 prefeitos do Paraná e as mais de 11 mil entidades sociais existentes no Estado prestarem contas de seus convênios, auxílios e subvenções, feitos com recursos públicos, ao TC.
De Curitiba, com redação e sucursais

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