INFORME FOLHA
Efeito cascata
A queda de Toleb Baleche da direção da Polícia Civil do Paraná não chega a surpreender na medida em que se sucedem fatos comprometedores para a imagem da segurança pública. Londrina decreta estado de emergência pela insegurança nas cadeias; o posto do Banestado da Assembléia é assaltado; um investigador de Curitiba assassina um empresário para roubar, e um estudante de Biologia é morto também em Curitiba numa batida em ponto de drogas. Em meio à reestruturação do secretariado, com tantos fatos a sustentar, alguém de cúpula tinha de cair. Caiu o delegado geral e nessa queda-de-braço sai fortalecido o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira. Os dois sempre andaram às turras e na troca de secretariado, Baleche teria perdido seus pontos de apoio no remanejamento de cargos executado no governo.Pé de apoio
No momento de crise política mais aguda na área de Segurança, o secretário Cândido de Oliveira chegou a ser ameaçado de queda e, em contrapartida, Toleb Baleche deslanchava junto ao poder. Ele estaria encontrando sustentação no chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, no de Gabinete do governador, Gerson Guelmann e no presidente da Assembléia, Aníbal Khury. Quando as peças de xadrez da equipe foram mexidas, Baleche acabou dançando.
Recompensado
O duelo que Cândido de Oliveira travou com o prefeito Antonio Belinati no final da semana passada em Londrina deve ter agradado em muito o Palácio Iguaçu. Agradou tanto que ele até ganhou como prêmio a cabeça do delegado geral, há muito cobiçada.
Parceria
Na avaliação de alguns delegados que viam o circo pegar fogo (leia-se a briga interna entre o secretário e o diretor geral) a distância, a saída de Baleche mexe para melhor no quadro da polícia do Paraná. O raciocínio é que enquanto os dois ficavam ‘‘se bicando’’, nada acontecia. Agora Oliveira garantiria condições de gerenciar a complicada área com respaldo de um aliado seu na cúpula da PC.
Culpa do Canto
‘‘Não se deve atribuir a outrem a responsabilidade pelo evidente fracasso até agora experimentado pelos condutores da política municipal na atração de novas indústrias para Ponta Grossa.’’ Do deputado estadual Plauto Miró (PFL), ao apontar o prefeito e seu adversário local Jocelito Canto (PSDB) pela derrota na briga pela instalação da fábrica da Siemens com Irati.
As laranjas
O empresário Beto Carrero almoçou ontem na chácara do prefeito Antonio Belinati (PDT), e, de quebra, levou duas sacolas de laranja produzidas na própria chácara. Detalhe: uma das sacolas era sobra da campanha do ano passado do então candidato a prefeito Belinati.
Sem esconder 1
A vice-governadora Emília Belinati comemorou seu aniversário ontem, em Londrina. Emília disse que não tem nenhum constrangimento em revelar a idade. ‘‘Por que haveria de ter?’’, revelou, ao anunciar ‘‘52 anos bem vividos, graças a Deus’’. Seis deles foram dedicados à política.
Sem esconder 2
Emília confirma que pensa mesmo em disputar uma vaga ao Senado. ‘‘Ainda tem muita coisa para acontecer, mas é uma possibilidade bem interessante que dá para encarar. Tenho ouvido essa ‘voz’ por onde passo’’, justificou.Cabeça quente
Derrubado do comando da Polícia Civil, o delegado Toleb Baleche saiu do circuito e viajou a Foz do Iguaçu, para esfriar a cabeça ao som das cataratas. A secretária eletrônica de seu celular ainda não foi atualizada. Ontem, continuava sugerindo recados ao ‘‘delegado geral’’ da PC.
Carta na manga
Escalado para orador oficial da Câmara de Deputados durante a sessão solene em homenagem ao imperador Akihito, do Japão, Antonio Ueno (PFL-PR) já está com o discurso pronto. O deputado falará em português e já encaminhou o texto para conhecimento da Embaixada do Japão, como o protocolo exige.
No Senado
Jader Barbalho (PMDB-PA) fará as honras ao casal de imperadores japoneses em nome do Senado. Seu discurso está recebendo os últimos retoques. Em português, mais que óbvio.
Assédio
O ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, quer estender seu poder político ao Paraná e vem assediando nos últimos meses um empresário de Londrina, também de origem libanesa, para filiar-se ao PPB e candidatar-se a deputado estadual. O empresário é seu afilhado de casamento.
Brechó
O vereador Borges dos Reis (PSDB), de Curitiba, cobra da prefeitura um espaço público para os colecionadores realizarem seus negócios e trocas. Diz que o volume de gente que mantém esse hobby na cidade - que vão de colecionadores de caramujo aos que detêm quadros de pintores famosos - justifica um ‘‘Mercado das Pulgas’’ como o de Paris.
Canal aberto
Também é de Borges dos Reis a proposta de tornar exigência pública a instalação de equipamentos de comunicação em ônibus urbanos. Ele diz que um rádio ligado a uma central pode evitar danos no patrimônio público por torcidas de futebol, comunicar assaltos, congestionamentos e panes mecânicas na frota que atende a população.Vapt-Vupt
q ‘‘Com certeza, os senadores Roberto Requião e Osmar Dias estão dizendo ‘não’ ao governador Jaime Lerner já pensando nas próximas eleições, mas com certeza, também, estão dizendo ‘não’ a vocês, ao povo do Paraná.’’ De Fani Lerner, ao inaugurar uma creche em Reserva, esta semana.
q Está se verificando dentro do governo do Estado um ‘‘jogo de empurra’’ para justificar os ‘furos’ que começam a aparecer na lista de 397 prefeitos que teriam assinado manifesto de repúdio a Requião, em função do boicote dos recursos federais ao Paraná, pelo Senado.
q O número de prefeitos que teriam ficado do lado do Palácio Iguaçu surpreendeu pela unanimidade que o governador Jaime Lerner teria garantido contra Requião, em ano de preparação para as próximas eleições.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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