INFORME FOLHA
Greve branca
Ontem foi o segundo dia consecutivo de boicote ao governo na Assembléia Legislativa. Não houve sessão porque só 12 deputados apareceram. A pauta previa votação de projetos de interesse especial do governo: permissão para que a Copel amplie sua área de atuação, participando de consórcios com empresas privadas. O segundo, a criação da Agência de Desenvolvimento do Paraná, menina dos olhos do governador Jaime Lerner. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury, negocia com Lerner, não conseguiu contato, e saiu atirando. ‘‘Quando o Requião era governador, o relacionamento com a Assembléia era bem melhor’’, disse, derramando elogios ao senador. ‘‘Ele prestigiava os companheiros, apesar do autoritarismo’’. ‘‘O Lerner não é autoritário, mas não prestigia’’, resumiu Khury.




Ivo AkioDuelo
O passaporte que o secretário do Trabalho, Joni Varisco, estava aprontando para umas ‘férias sem volta’ vai esperar na gaveta. Franco atirador na linha do senador Roberto Requião, Varisco inicia uma maratona pelos mais longínquos cantos do Paraná. Com uma incumbência: não poupar munição para tentar neutralizar a artilharia do senador, velho inimigo de Lerner.
Campo de batalha
A nova tarefa de Varisco foi atribuição pessoal de Lerner, numa reunião anteontem à noite, no Palácio Iguaçu. Ontem mesmo, Varisco se pôs em marcha, iniciando a declaração de guerra por Cascavel, um campo de batalha atualmente dominado por Requião, nos disparos via mídia.
Bucha-de-canhão
Varisco viajou a Cascavel com a garantia do governador de que não está a perigo na Secretaria que comanda. ‘‘Quem anda espalhando boatos que estou caindo é gente de terceiro escalão do Palácio Iguaçu’’, esbraveja.
Seara alheia
Proposta puxada pelo deputado Duílio Genari (PPB) faz lobby para que o governo construa um aeroporto entre Toledo e Cascavel e mexe com os brios dos cascavelenses. O argumento é que ele chega atrasado - já há verba destinada para o novo aeroporto em Cascavel - e puxa a ‘brasa’ para sua Toledo.
De pé
A 7ª Câmara Cível do Tribunal de Alçada rechaçou por unanimidade a pretensão dos acionistas minoritários da F.V. de Araújo SA, de dissolver a empresa. Do ramo de madeiras e agricultura, a F.V. Araújo é uma das mais tradicionais do setor madeireiro e participação considerável na economia do Estado.
Papel em branco
O relatório de ocorrências do 6º BPM de Cascavel de ontem deu conta que nas últimas 24 horas anteriores, ‘‘não houve prisões, nem apreensões’’. O fato inédito pode ser atribuído à chuva torrencial que se abateu sobre a cidade.Pega-pra-capar
O conteúdo de uma reunião, anteontem à noite, no Palácio Iguaçu, com representantes de partidos aliados na Assembléia vazou valendo. Quem saiu entregando o jogo foi o deputado Luiz Carlos Alborghetti (PTB). Ele revelou, entre outras coisas, que o presidente da Fiep, José Carlos de Carvalho, está cotadíssimo para a presidência do Banestado.
Bandeja
Exigência dos deputados feita ao chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis: queda de Deni Schwartz da Secretaria dos Transportes, abrindo espaço para Heinz Herwig. Ambos são do PSDB, mas os deputados voltam com o velho argumento de que Herwig teve uma atuação muito mais destacada na campanha de Lerner e não foi prestigiado. Schwartz ‘‘não nos ouve’’, tratou de propagar Alborghetti.
Trama
Um perfil ‘‘semelhante’’ ao de Fábio Campana, na Comunicação Social, foi outra investida dos deputados sobre o Palácio Iguaçu. Alegam que o secretário, Jaime Lechinski, ‘‘é pouco agressivo’’ na disseminação das informações para calar o discurso da oposição no interior.
Pela tangente
O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni, evitou confirmar as revelações de Alborghetti. Disse apenas que ‘‘o momento é de desgaste e de terremoto’’. ‘‘Como líder, minha missão é defender os projetos de interesse do governo, mas não posso fechar os olhos para a realidade de meus companheiros’’, admitiu a crise.
Esperança
Rossoni acredita que a ‘‘guerra fria’’ acaba logo, mas para isso, condiciona a participação dos deputados na definição do novo secretariado de Lerner, pelo menos com consultas. ‘‘Não vamos impor nomes, mas gostaríamos de ser ouvidos’’, minimiza a pressão.
Ouvidos moucos
O rol de cabeças pedidas pelos deputados na fatídica reunião não chegou a causar tensão no governo. Giovani Gionédis adiantou alto e bom tom para os parlamentares que eles estão querendo interferir além da conta.
Ruídos
Lerner embarca hoje para a Argentina. Vai presidir reunião do Codesul em Puerto Iguazu. Fica dois dias por lá. Emília Belinati ficou sabendo que assumiria o governo hoje só à tardinha de ontem.
Barulho
Crianças arregimentadas nas escolas para recepcionar Lerner ontem, na Feira Interamericana do Livro, acabaram ‘‘tumultuando o negócio’’.Vapt-Vupt
q O deputado estadual João Techy Filho (PPB) reserva atenção para os relatórios apontando ‘‘dados alarmantes’’ sobre a mortalidade materna em áreas isoladas como Curitiba e Foz do Iguaçu. Com base nos documentos, pediu ao secretário da Saúde, Armando Raggio, uma posição oficial.
q Depois de virar pivô de polêmicas em julgamentos do 2º Tribunal do Júri, o juiz João Kopytowski ganhou umas ‘férias’. O presidente do TJ, Henrique Lenz César o destacou para o 6º Encontro Internacional de Direito da América do Sul, a convite da direção dos Carabineros do Chile. ‘‘Violência, corrupção e drogas’’ é do que vai falar Kopytowski.
q O vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio, virou ponte de articulação para ver rejeitada a proposta de prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). Túlio faz contatos com a bancada federal e prefeitos de todo o Estado.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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