INFORME FOLHA
Métodos diversos
O escândalo da compra de votos que mancha o direito de reeleição do presidente FHC escancara a insegurança do governo sobre a garantia de votos da Câmara dos Deputados, quando o assunto entrou em pauta, no final de janeiro. Mas antes de lançar mão de moeda para garantir vitória, o jogo foi com cargos. Há pelo menos três casos relacionados com o Paraná. Um dia antes da votação, o ex-governador Álvaro Dias comandou, em Brasília, o ingresso de um senador (Osmar Dias) e três deputados paranaenses no PSDB. Há 15 dias, assumiu a presidência da Telepar. Há 15 dias, Brazílio Araújo Neto foi destituído da diretoria de Coordenação da Itaipu, abrindo vaga para José Luiz Dias, indicação do deputado federal Werner Wanderer (PFL). Semana passada, Brasília afastou o técnico Célio Bonetti da regional do Sudoeste do Incra, para abrigar Adriana Salvadore, apadrinhada do deputado Nelson Meurer (PPB).Ligações
A leitura que se faz nos meios político e jornalístico da vinculação das nomeações com o desempenho de deputados na votação da reeleição não é mera ilação. A pressão, diga-se, parte dos dois lados: dos políticos que vinculam seu voto com nomeações regionais, e do governo FHC, que nunca rompeu com a filosofia do ‘‘é dando que se recebe’’.
Campo alheio
Enquanto a classe média estava no paraíso - férias na praia -, o governo esgotou suas possibilidades para ver garantida a mudança constitucional para seu projeto de poder duradouro. Até os governadores pedetistas Jaime Lerner (PR) e Dante de Oliveira (MT) foram acionados. Dante Oliveira escancarou e sofreu processo de expulsão. Agiu rápido e partiu para o PSDB.
Entrave
Lerner foi mais comedido. Recebeu a ‘incumbência’ do Planalto de mudar os votos de Ricardo Barros (PFL) e de Fernando Carli (PDT). O governo federal ignorou que o governador era a favor do plebiscito e, depois, do referendo popular. Comedido, Lerner não demoveu Carli de continuar sua linha brizolista sobre o assunto. Quanto a Barros, nem Inocêncio de Oliveira conseguiu ‘desemperrá-lo do ‘não’.
Consequências
A comparação dos resultados obtidos por Álvaro Dias por Jaime Lerner em favor da reeleição pesa agora para o lado do primeiro, quando se avalia a barragem que o governador encontrou pela frente, na sua intenção de partir para o PSDB. O Planalto até estimulou o ingresso, mas não moveu uma palha por Lerner.
Caçada
Enquanto Lerner se coloca numa ‘‘reflexão’’ prolongada, os partidos que já o assediaram começam a se voltar para outras personagens que podem se transformar em trunfos eleitorais em 98. Ontem, a vice-governadora Emília Belinati recebeu o deputado federal Affonso Camargo (PFL), e em seguida, o presidente do PPB regional, Borges da Silveira, no Palácio Iguaçu.
Reserva
Nos dois casos, Emília Belinati recebeu a promessa de candidatura certa ao Senado. O tom das conversas foi o de que, com o racha no PSDB e prováveis disputas entre Lerner, Álvaro e Requião, sai ‘quarta via’ do PFL ou PPB.
Arrastão
Enquanto Emília recebia Affonso Camargo, o presidente do PFL, José Carlos de Carvalho investia sobre Aníbal Khury, na Assembléia.Astral
Lerner voltou a sorrir ontem, no ‘‘Chapéu Pensador’’. Há quem diga que foi resultado de uma longa reunião com secretários e notáveis do Estado sobre política e reforma. Mas há quem garanta que o motivo foi a reunião seguinte. Durante duas horas, o governador conversou com Tereza Souza e Wianey Pinheiro, responsáveis pelos programas de rádio (Tereza) e TV (Pinheiro) que o elegeram governador.
Tangente
A criação de 63 cargos comissionados para assessoria dos 21 vereadores, na sexta-feira, colocou fogo em Foz do Iguaçu e fez ‘chover’ manifestos para que o prefeito Harry Daijó vete a resolução. Ele safou-se: ‘‘Resolução da mesa da Câmara não precisa de análise do executivo.’’
Rapidez
O prédio da Câmara de Foz não comporta mesa e cadeira para os novos assessores. O problema já foi resolvido. O presidente da Casa, Hermes Vetorello, fechou contrato de aluguel de três andares, com 23 salas de um prédio vizinho. Custo dos dois contratos: R$ 110 mil a mais por mês.
Insensatez
A Câmara de Foz ‘avança’ sobre o orçamento 15 dias depois de a Justiça rebaixar os salários dos vereadores de R$ 7,2 mil para os R$ 4,5 mil constitucionais.
Contatos
Alex Canziani se une hoje em Curitiba com o prefeito de Londrina, Antonio Belinati e os dois circulam na área empresarial atrás de conhecimento sobre ‘‘condomínios industriais’’.
Mais um
O juiz togado Fernando Eizo Ono, do TRT do Paraná, foi convocado para o Tribunal Superior do Trabalho, em substituição temporária ao ministro Orlando Teixeira da Costa. Ono é o segungo do Paraná a atuar no TRT. O primeiro foi o ex-presidente regional Ricardo Sampaio.Vapt-Vupt
q Agora é oficial: o jornalista Pedro Arlant Neto, que já passou por esta Folha, por governos, e integrava a equipe de Curitiba da Master Propaganda, acaba de assumir a direção da agência em Brasília. Vai acompanhar de perto as contas do Ministério da Saúde e do Banco do Brasil.
q Plínio de Arruda Sampaio se encontrou com Lerner no final de semana para falar de reforma agrária. Mas o papo se concentrou em arquitetura e urbanismo, com o governador mostrando sua destreza neste assunto.
q O senador Osmar Dias anda munido de uma certidão expedida pelo diretor-geral do TRE, Ivan Gradowski, para ‘‘desmentir informações divulgadas por inconformados’’ - a ala tucana pró-Lerner - de que ainda não tem ficha assinada no PSDB. ‘‘Aceito e entendo a choradeira, mas só com a verdade’’, provoca.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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