Tudo igual
O ministro Sérgio Motta, das Comunicações, veio ao Paraná e voltou para Brasília deixando para trás a mesma indefinição que se arrasta há mais de um mês, quanto à aceitação do governador Jaime Lerner no PSDB. Autor de muitas ‘encrencas’ para o governo de FHC nas relações políticas, o que Serjão fez por aqui foi bancar o conciliador, mantendo-se no muro. Quem levou pontos, na ‘batalha’ que se trava foi mesmo Álvaro Dias. Ele não viu sua festa dividida. O ministro repetiu o que o ex-governador já vem dizendo: ‘‘O ingresso é assunto para o diretório.’’ Lerner chegou atrasado ao palanque armado para Álvaro na Telepar, passou o tempo todo tenso, recebeu afagos de Sérgio Motta, mas a situação de indefinição está mantida.





Ivo AkioEmbaralhada
O futuro partidário de Lerner está virando um pesadelo de dúvidas. Agora, ele não tem apenas duas, mas três fichas na mão para se decidir. Além do imbróglio que se transformou seu namoro com o PSDB e do convite do PFL, o PTB também está chamando o governador para seu lado.
Torre
A reunião de sábado da ala do PT de Londrina ligada ao deputado Nedson Micheletti e ao ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida definiu que o grupo vai para a disputa da convenção municipal. Também anuncia oposição sistemática ao prefeito Antonio Belinati (PDT). A ala ‘adversária’, do deputado Paulo Bernardo, continua apoiando a administração. Com intervenção ou não, nada muda no PT de Londrina.
Em Brasília
O secretário da Fazenda de Londrina, Luís César Guedes, foi ontem a Brasília. Viajou em busca de um aval do Banco Central para a prefeitura abrir crédito junto a instituições financeiras.
Dívidas antigas
Nessa primeira investida, o secretário quer garantir crédito de R$ 5 milhões. O dinheiro será usado para acertar a folha de pagamento do funcionalismo e quitar contas com fornecedores, algumas que vêm inclusive da administração Cheida.
Dedos cruzados
A expectativa é de que o Banco Central aprove o pedido de Londrina, já que a prefeitura tem capacidade de endividamento. ‘‘Com fluxo de caixa, não ficamos à mercê de quem quiser vender para nós. Podemos fazer preço junto aos fornecedores no processo de compra’’, diz um funcionário da Secretaria da Fazenda.
Blá-blá-blá
Os vereadores de Londrina vão poder falar à vontade nos celulares. Ontem, a Sercomtel instalou ali uma microcélula com capacidade para atender 60 aparelhos digitais ou analógicos. A necessidade da instalação foi apontada por uma análise de ocupação feita pela empresa. O estudo mostrou saturação da central na região. O excesso de uso, é claro, vem da Câmara e da Prefeitura.




Pichação
A ‘guerra’ da ala tucana que não quer Lerner no partido foi estampada em Curitiba. O percurso do ministro Sérgio Motta - do aeroporto de São José dos Pinhais ao prédio da Telepar - estava tomado ontem de faixas e outdoors dizendo que ‘‘O povo do Paraná está com Fernando Henrique, Sérgio Motta e Álvaro Dias’’ e ‘‘Obrigado ministro por escolher Álvaro’’.
Batendo cabeça
Levou 45 minutos para que o secretário da Segurança, Cândido de Oliveira, descesse ao pátio do Palácio Iguaçu e avisasse a prefeitos, deputados e subordinados que a solenidade de entrega de 25 camburões do IML estava adiada para a tarde porque Lerner iria à posse de Álvaro. O Palácio tinha agendado a entrega para as 11h, meia-hora antes da festa na Telepar.
Positivo
O chefe de Gabinete do governador, Gerson Guelman, fez uma avaliação positiva da ida do governador à Telepar. ‘‘Desde a semana passada, estava prevista a presença dele lá e o governador voltou tranquilo e satisfeito’’, garantiu.
Técnico
‘‘Saúdo o governador Jaime Lerner, velho batalhador e companheiro de lutas urbanísticas’’. Foi o elogiu que Sérgio Motta dirigiu ao governador, ao ser informado que Lerner chegava ao palanque de Álvaro Dias.
Trator
Sérgio Motta só assumiu sua personalidade de ‘trombador’, ontem, em Curitiba, ao perder a oportunidade de criticar os juristas que bloqueiam a privatização da Vale do Rio Doce. Neste caso, nem encrenca com FHC arranjou porque o presidente foi o primeiro a atacar as ações.
Oxigênio
Um raro momento de descontração na posse na Telepar foi quando Sérgio Motta blefou que FHC ‘‘nasceu no Paraná ou quer ser o governador daqui, de tantos investimentos que manda para o Estado’’. ‘‘Mas fiquem tranquilos, não há perigo disso’’, apressou-se o próprio Motta, dirigindo-se a Álvaro e a Lerner.
Obstáculo
O senador Osmar Dias já avisou que se Lerner entrar no PSDB, vai criar todo o tipo de obstáculo para sua candidatura à reeleição. ‘‘Se o Álvaro não for, colocarei o meu nome como candidato na convenção do partido’’, ameaçou.
Ponta do lápis
A articulação que previa uma caranava de 120 prefeitos ao Palácio Iguaçu levando um abaixo-assinado para que Lerner diga ‘sim’ ao PSDB teria naufragado porque a lista de adesões não passou de cinco.



Vapt-Vupt
q E o ‘trator’ Serjão não atropelou ninguém em sua passagem por Curitiba. Esteve mais para uma cegonha pacificadora de ninho, cercando-se de cuidados para não fazer estragos.
q Rubens Bueno não foi à posse do companheiro tucano na presidência da Telepar. Tinha dois motivos para a ausência: primeiro, que o cargo era para ser seu. Segundo, que hoje integra a ala tucana pró-Lerner.
q Nem Jesus Cristo, com todo o seu poder divino para o Milagre dos Pães, conseguiria multiplicar alguns salários mínimos em uma conta de R$ 255 milhões, como aconteceu com a indenização que um juiz mandou o Banco do Brasil pagar, no Maranhão, a um cliente desrespeitado com a devolução injusta de um cheque seu.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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