Porto livre
Curitiba completa hoje 304 anos de existência em clima de ‘globalização’. Os estrangeiros estão chegando e ‘tomando’ conta da capital do Paraná. A três anos da virada do século, a cidade mostra uma nova cara na convivência de seus habitantes, cuja cultura já foi centrada na imigração européia do início do século. A maior mudança, no entanto, aconteceu às vésperas do aniversário: os ingleses do Hong Kong and Shangai Bank Corporation (HSBC) assumem o controle da maior força econômica do Paraná nos últimos anos, o Bamerindus. Há poucos meses, foi o grupo Prosdócimo que perdeu o domínio da Refripar para a indústria sueca Electrolux. Executivos da francesa Renault, da americana Chrysler e da alemã Volkswagen/Audi começam a desembarcar na cidade. Se há uma revolução, preconizada pelo governador Jaime Lerner, é esta.




Ivo AkioVai, não vai
O presidente nacional do PSDB, Teotônio Vilela Filho, garantiu em entrevista a um jornal de Curitiba que o goverandor Jaime Lerner não está sendo aguardado no ninho tucano. Afirma também que o Planalto não articula diretamente nada neste sentido. E que não há previsão de encontro entre Lerner e FHC.
Boato
Não é só Teotônio Vilela Filho quem tenta tranquilizar alguns tucanos ouriçados do Paraná. Na semana passada, o senador José Serra jurou a mesma coisa para o ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno. Ninguém informa, porém, se o trator Sérgio Motta foi consultado.
Transtorno
A população de Curitiba pode ir se preparando. A prefeitura e a Sanepar começam em breve a esburacar o calçadão da Rua XV para executar obras de esgoto no centro da cidade. Muitos restaurantes da ‘ecológica’ Rua das Flores jogam esgoto direto no canal do rio Ivo.
Superficial
A equipe do prefeito Cássio Taniguchi está elaborando projeto para modificar a lei de zoneamento e uso do solo de Curitiba. As mudanças não serão tão profundas quanto às reivindicadas pelo PT, que defende um novo plano diretor para a cidade.
Teste
O projeto de alteração da lei de zoneamento pode ser o primeiro grande teste de Taniguchi na Câmara Municipal de Curitiba. Por enquanto, o prefeito não está enfrentando problemas com os vereadores até mesmo pelo fato de não ter encaminhado qualquer mensagem polêmica ao Legislativo em três meses de adminsitração.
Boas-novas
O presidente da Febraban e do Conselho de Administração do Bamerindus, Maurício Schulman, teve um motivo inquestionável para se afastar de cena no processo de intervenção do Bamerindus: está acompanhando, em São Paulo, a filha Cila Schulman, que esperava o nascimento do primeiro filho neste feriadão.


Fluência
Os primeiros sinais emitidos pela equipe do Banco Central no coração financeiro do Bamerindus dão conta de que a análise da documentação será rápida. Em função da organização e da transparência dos registros que estão encontrando por lá. A organização daqui não foi a mesma encontrada pelos técnicos no Econômico e no Nacional.
Revelações 1
Ligando-se o conteúdo da entrevista do senador José Eduardo Vieira à Folha - edição de ontem - com as informações de bastidores da coluna de Sonia Racy, do ‘‘Estadão’’ de ontem, capta-se a razão de o senador estar inconformado com o desfecho do caso Bamerindus.
Revelações 2
A colunista do ‘‘Estadão’’ revela que o presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, não ouviu uma terceira proposta de solução para a crise do banco, em mãos do senador José Eduardo. A alternativa unia o quarto maior banco americano, o National Bank, o IFC e o Banco Liberal, mais Bamerindus, com vantagens.
Revelações 3
O consórcio oferecia uma linha de crédito imediata de US$ 400 milhões para o Bamerindus, destinada ao financiamento do déficit, sem reserva da parte lucrativa do banco. A proposta, conforme Sonia Racy, não tinha os defeitos da apresentada pelo UBS e Graphus, por prever capitalização e não o ‘‘presente’’ que o Banco Central deu ao Hong Kong & Shangai Bank.
Revelações 4
O HSBC teria recebido apenas a parte boa do Bamerindus. O contrato do banco inglês estaria prevendo capitalização do banco com aporte de US$ 1 bilhão - pagos com brady bonds pelo valor de face - e isenção de pagamento de IR por cinco anos.
Surpresa
A coluna de Sonia Racy também revela que a mesma surpresa da notícia de intervenção do Bamerindus que teve o senador José Eduardo também tiveram os membros do consórcio UBS e Graphus. Assim que a decisão do BC se espalhou, os executivos teriam entendido por que o HSBC se recusou a participar do consórcio que previa financiamento dos débitos: a proposta do BC foi melhor.
Ponto de vista
José Eduardo Vieira confirma que discute com os advogados a intenção de questionar a indisponibilidade de seus bens. Lembra que está afastado do comando do Bamerindus desde 90. O questionamento neste ponto é sobre se o embargo alcança bens de acionistas ou apenas dos diretores.


Vapt-Vupt
q Marketing: Rubinho Barrichello é o novo garoto-propaganda dos comerciais do HSBC-Bamerindus. Vale lembrar que o ex-Nacional investia na imagem com Ayrton Senna.
q Credibilidade: O presidente do novo HSBC-Bamerindus, Michael Geoghegan, foi à missa de Sexta-Feira Santa, na Catedral Metropolitana de Curitiba. Os jornalistas também foram.
q Idioma: O que os jornalistas estranharam é que o executivo inglês acompanhou a missa da Catedral seguindo o roteiro em português. Ele não fala a língua oficial do Brasil.
q Movimento: o HSBC despachou para o Brasil 50 executivos para tocar a transição do Bamerindus. Na quarta-feira, eles esperavam a decisão do Banco Central hospedados num hotel de São Paulo. Na quinta-feira, deslocaram-se para Curitiba.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais

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