Informe Folha
Informe Folha
Discrepância
O governo federal gastou neste ano duas vezes mais pagando juros da dívida pública do que com saúde e educação. O levantamento da Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados dá conta que as verbas para as duas áreas até 31 de outubro somaram R$ 31,2 bilhões. As despesas com o pagamento de juros da dívida pública foram de até R$ 70 bilhões. As verbas autorizadas para a saúde até o final de outubro chegaram a R$ 19,8 bilhões, e as destinadas à educação, outros R$ 11,4 bilhões. A conta de gastos com juros da dívida foi levantada pelo Dieese. Integrante da Comissão de Educação da Câmara, o deputado Padre Roque (PT-PR) diz que com esse desequilíbrio de cifras, governo mostra que não tem compromisso com a população. É mais uma prova do descaso do governo, aponta.
Paraguaçu
O prefeito de Carlópolis, Adir Ciofi (PTB), afastado do cargo pela Câmara por improbidade administrativa, continua insistindo ser vítima de revanchismo. O pessoal é contra mim. Coloquei, por exemplo, cinco funcionários para fazer a limpeza do cemitério e hoje ele é um cartão de visitas da região, defende-se. Ele é acusado de ter contratado 35 funcionários ilegalmente, além de desviar recursos públicos. Os vereadores listaram 23 irregularidades que teriam sido cometidas por ele.
Estaca zero
Retornando amanhã de Buenos Aires, o governador Jaime Lerner terá de retomar a negociação com os professores estaduais sobre o novo plano de cargos e salários. Sete professores e um funcionário da Educação continuam a greve de fome neste final de semana, em Curitiba. A governadora em exercício, Emília Belinati, não conseguiu convencer a liderança da APP e os grevistas a interromperem os protestos.
Vale a pesquisa
A APP-Sindicato também não aceitou a proposta de retorno dos descontos em folha das contribuições dos professores até dezembro. A entidade agora vai ter de esperar a pesquisa que o governo está fazendo junto à categoria, para levantar se há interesse ou não dos professores nos descontos mensais da taxa.
Limpa
A Prefeitura de Curitiba começa nesta segunda-feira uma operação de despoluição visual do centro da cidade, retirando outdoors e painéis luminosos instalados irregularmente pelo comércio. Até o próximo mês, a despoluição atingirá 400 pontos.
Mudança de hábito
O deputado padre Roque mudou seus hábitos alimentares, faz mais exercícios físicos, mas ainda não conseguiu largar o cigarro. Vou ver se faço uma vigília, propõe o padre-deputado, que, no dia 1º de dezembro do ano passado, precisou ser internado às pressas depois de ter sofrido um infarte. Ele implantou duas pontes de safena, uma mamária e uma artéria.
Menos dinheiro
Para 99, o governo federal anunciou uma redução dos investimentos com educação e saúde da ordem de R$ 1,57 bilhão. Para a saúde, a redução será de R$ 1 bilhão na previsão orçamentária, índice 6,6% menor do que o volume reservado para este ano. A educação sofreu um baque de R$ 574,7 milhões - 12,3% da receita anual. E observe-se que os dois ministros das áreas - José Serra e Paulo Renato Souza - são homens da cota pessoal do presidente FHC. Serra chiou contra os cortes e quase caiu.
S.O.S
Os cortes do ajuste fiscal projetam intensificação da crise do Hospital de Clínicas da UFPR, em Curitiba. Para tentar levantar o caixa da instituição, a Associação dos Amigos do HC lança uma campanha do serviço de telemarketing para recolher doações. Centro de referência, o HC atende cerca de 800 mil carentes de todo o Brasil e de alguns países da América do Sul.
Recursos escassos
O presidente da Associação dos Amigos do HC, Ney Leprevost Neto, aponta que da média de R$ 2,8 milhões que a instituição recebe do SUS, 65% se destinam a despesas que seriam responsabilidade do Ministério da Educação. Com 635 leitos, 3.500 funcionários, 420 médicos e 260 professores de medicina, o hospital precisa recorrer à comunidade para levantar recursos.
Serviço caro
O presidente do Banestado, Manoel Garcia, disse ter cancelado, recentemente, licitação que previa contratação de empresa para manutenção de ar condicionado de todas as agências no Estado - são 1.040 aparelhos, cuja manutenção consumiria R$ 26,00 por unidade/mês, e no bolo, R$ 27 mil/mês. A conta previa um acréscimo de R$ 0,23 por quilômetro rodado para a empresa visitar os municípios e efetuar a manutenção.
Exemplo caseiro 1
A contratação geraria milhares de ações trabalhistas porque o Banco paga R$ 0,17 por quilômetro rodado aos funcionários que usam seus próprios carros em serviço. Fora isso, R$ 26,00 por aparelho é excesso. Na minha empresa, por exemplo, pago de 30 a 31 reais por ano de manutenção por aparelho, calcula, referindo-se à Viação Garcia.
Exemplo caseiro 2
Na minha casa eu tenho cinco ou seis aparelhos de ar condicionado e a cada dois ou três anos é que têm problema. De forma que não consigo entender por que criar situações de penalizar o Banco do Estado. Não posso julgar, mas ou é má intenção, ou incompetência ou má fé, que, serviria para beneficiar terceiros, lança a suspeita.
Vapt-Vupt
A governadora em exercício Emília Belinati encerra hoje, em Cascavel, a 19ª Exposição Feira de Cascavel (Expovel). Ela desembarca no aeroporto da cidade às 11h30 e segue para o parque junto com o secretário chefe de Gabinete de Lerner, Ibrahin Faiad.
Com tanto problema financeiro que o HC tem de enfrentar, pegou mal a proposta de um dos integrantes da Associação de Amigos de recorrer ao patrocínio de um grande banco para um baile da alta sociedade curitibana.
A prestação de contas do ano passado do Tribunal de Justiça já estão aprovadas pelo Tribunal de Contas. A sessão que deu um parecer favorável aos gastos do judiciário foi na quinta-feira. As contas do governo do Estado, também do ano passado, ainda não passaram pelo crivo do TC.
Mari Tortato, de Curitiba, com Redação e sucursais





