O Brasil fechou 2007 como o quinto maior mercado de computadores do mundo, com 10,7 milhões de PCs vendidos. De acordo com estimativa da empresa de consultoria IDC, até 2010 o País subirá para o terceiro lugar no ranking, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Segundo o gerente regional para o Paraná e Santa Catarina da Microsoft Brasil, Adriano Della Coletta, esse crescimento está ligado à maior oferta de crédito para o consumidor, somado ao aumento da cultura do povo brasileiro com relação ao uso de computadores. Na avaliação dele, o brasileiro está, aos poucos, deixando de utilizar softwares piratas. Em entrevista à FOLHA, Coletta analisa o mercado de Tecnologia da Informação (TI), incluindo propostas de inclusão digital.

O mercado de TI continua crescendo ou passa por um período de estagnação?
A melhora é significativa. Estudos de algumas empresas de análise de mercado como IDC e Gartner têm pontuado o crescimento do setor de Tecnologia da Informação em 15% nos últimos anos.

O setor de software tem acompanhado este crescimento?
Está compatível. A gente precisa entender a explosão do mercado de PCs e os motivadores, que são maior oferta de crédito para o consumidor final, redução dos componentes necessários para a fabricação, disponibilidade maior de peças no mercado. Tudo isso, somado ao aumento da cultura do povo brasileiro com relação ao uso da informática, aumentou a venda de licenciamentos de softwares.

Estes computadores com oferta de crédito são mais voltados à classe C. O preço do licenciamento de softwares é compatível com este público?
O software não é o impactante no processo. Vai depender do perfil do comprador, do tipo de equipamento que ele quer. Temos estudos mostrando que algo em torno de 60% dos consumidores que compram computadores com software livre, o Linux, voltam depois para comprar uma licença de Windows. Se ele precisar de um suporte, não vai ter no software livre. O índice de retorno de mercadoria é muito grande, e as lojas do grande varejo não são obrigadas a ter uma estrutura para dar suporte técnico aos computadores que vende.

A Microsoft tem uma política de preços voltada à inclusão digital?
Existem várias ofertas e programas de inclusão digital, principalmente para escolas e instituições públicas. Quando você fala do ambiente corporativo, temos outras ofertas que ajudam pequenas e médias empresas a ter disponível tecnologia de ponta.

Com relação à pirataria, é possível perceber uma mudança do brasileiro em procurar a garantia do original diante da incerteza do produto pirata?
A questão de pirataria não permeia somente a indústria de Tecnologia da Informação, mas também a têxtil, de medicamentos, de cinema e vídeo. Há um trabalho muito forte do governo federal que traz uma educação para o mercado e automaticamente retorno para estas indústrias. O índice de pirataria no último ano caiu cerca de 4%, o que é muito salutar para a economia nacional. Dentro do negócio de software, a gente tem percebido uma mudança de cultura. Há um grande volume de empresas que nos procuram para fazer a legalização das infra-estruturas. Fizemos aqui em Londrina um programa junto com a Associação Comercial (Acil), oferecendo aos associados preços subsidiados com financiamento, pagamento diferenciado, para que empresas da cidade regularizassem de toda a plataforma. Esse tipo de iniciativa traz muito resultado.

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